quinta-feira, maio 29, 2014

Corredores ambientais na RMC aumentam a área preservada de floresta e permitem que animais circulem em segurança

Estagiária Gabriela Troian, sob a orientação de J.G. Alves
Tempo úmido é característico do litoral
Considerada como hotspot mundial, ou seja, uma das áreas mais ricas em biodiversidade e mais ameaçadas no planeta, a Mata Atlântica é, sem dúvidas, o bioma brasileiro mais impactado. Segundo dados da Fundação SOS Mata Atlântica, restam somente 8,5 % da área remanescente de floresta. Hoje, 27 de maio, comemora-se o Dia Nacional da Mata Atlântica, e mesmo em alerta, corredores ambientais dão sobrevida a regiões interioranas.
A maior parte preservada da floresta encontra-se na costa litorânea, mas devido ao terreno acidentado por montanhas e serras, a ocupação é dificultada. A área mais impactada está nas regiões interioranas, onde se encontra cerca de 62% da população brasileira. E além de grande parte dessa área ter sido desmatada (para dar lugar a ocupações urbanas, em sua grande maioria), as características florestais entre o litoral e o interior são diferentes, explica Márcia Rodrigues, analista ambiental do projeto Corredor das Onças, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
Márcia Rodrigues, do projeto Corredor das Onças
“Na região da serra do mar, que não está ocupada, não há seca, então as plantas não se impactam tanto como no interior, que apresenta um período de seca mais demarcado e muda a fisionomia das matas. Estas dependem muito mais de animais dispersores para sobreviver”, avalia. E para que a mata continue viva também no interior, Márcia Rodrigues encabeça o projeto do Corredor das Onças. Para tanto, analisou a região da bacia PCJ, que compõem os rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí e seus afluentes, na Região Metropolitana de Campinas (RMC).
Estes estudos identificaram os fragmentos de mata espalhados pela região e que poderiam formar áreas de corredores ambientais. Também se constatou a presença de onças pela RMC. “Ter onças pela região é sinônimo de que há um grande potencial de conservação. Nosso intuito é conectar estes fragmentos para que os animais transitem em segurança”, afirma Rodrigues. Daí a razão destes animais terem-se tornado o símbolo do projeto. Apoio à iniciativa
Roberto Schneider mostra a diferença do antes e depois em sua propriedade: 15 anos de trabalho árduo
Até o momento, foram identificadas 110 propriedades que possuem fragmentos. Juntos, totalizam 34 mil hectares. Márcia Rodrigues explica que a próxima fase do projeto é a de “convencer” os produtores rurais da importância que essas áreas têm para a conservação do bioma. “Ganhamos como aliado o CAR (Cadastro Ambiental Rural) em que os proprietários de terra devem ter áreas florestadas em suas propriedades. Mostramos a importância do plantio, como será o trabalho do corredor e também auxiliaremos com o reflorestamento”, ressalta.
Diante do fato de que 80% das áreas de Mata Atlântica preservada se encontram em áreas particulares e de Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs), Mario Mantovani, ambientalista e diretor de Mobilização da Fundação SOS Mata Atlântica, acredita que com as novas regras e prazos o CAR pode se tornar sim um aliado à preservação destas propriedades. Mas faz uma ressalva: “O Cadastro Ambiental Rural pode ajudar na conservação e no reflorestamento se houver um monitoramento eficaz dos governos e municípios”, diz.
Das 110 propriedades identificadas na região, 60 já aderiram ao projeto. Este é o caso do produtor rural Roberto Eduardo Schneider, que desde 1999 possui um sítio de 4,4 hectares, localizado na cidade de Cosmópolis. “Quando cheguei, era tudo um grande pasto. Aí comecei a plantar e hoje vejo tucanosveado-campeiroteiú e muitos pássaros da varanda de minha casa”, aponta a diferença após 15 anos de labuta em suas terras.
Marco Antônio Pacheco segue os passos de outros produtores e aposta na mata viva
Da mesma forma que Schneider, o também produtor rural Marco Antonio Cintra Pacheco reflorestou por conta própria sua propriedade de 11 hectares, herança pelo pai, na cidade de Artur Nogueira. “Não se tinha essa consciência, pois se criava gado. Eu via a nascente descuidada e plantei algumas mudas doadas pela prefeitura e já noto a diferença. Além de muito mais bonito, antigamente se tinha muita enxurrada, agora não tem mais”, conta Pacheco.
A presença de animais e a falta de enxurradas em áreas próximas a rios já são reflexo do reflorestamento e da formação de corredores ambientais, aponta Márcia Rodrigues. “Preservar estas áreas auxilia na circulação da fauna, que transita em segurança. Os animais, como macacos, dispersam as sementes, auxiliando na manutenção das árvores e aumentando a diversidade genética. E, por estar em áreas ligadas a nascentes e rios, a água fornecida à região terá uma qualidade muito melhor”, avalia a analista ambiental.
Marco Antonio Cintra Pacheco pretende reflorestar mais uma parte de sua propriedade, para ligá-la a uma área próxima ao Rio Pirapitingui e, assim, formar um corredor ambiental e aumentar ainda mais a preservação em suas terras. Como ele, os demais produtores contarão com a orientação do projeto e compensação ambiental (onde empresas privadas investem na recuperação de áreas verdes, geralmente em função de provocar algum tipo de degradação por obras realizadas).
Onças são o aval para viabilizar iniciativa
Márcia Rodrigues ressalta que pequenas regiões isoladas não cumprem a função total da preservação, pois para contabilizarem como integrantes do bioma devem ter uma área acima de três hectares. “Um fragmento pequeno não abriga uma população diferenciada, mas se eles se unem, juntos podem aumentar muito mais a diversidade de plantas e animais”, reconhece.

quinta-feira, maio 22, 2014

Tatu-canastra: o engenheiro ambiental indispensável para o ecossistema
por Fábio Paschoal em 25 de outubro de 2013
Tatu-canastra (Priodontes maximus) – Foto: Projeto Tatu-Canastra
Encontrado em quase toda a América do Sul, o tatu-canastra é o maior membro de sua família (Dasypodidae). É um animal robusto, dotado de enormes garras que servem para cavar buracos em busca de formigas e cupins. Seu corpo é coberto por uma carapaça coriácea que o protege contra predadores. Pode pesar até 50 quilos e chega a medir 1,5 metro de comprimento (incluindo a cauda).
Apesar de seu tamanho e de sua grande área de distribuição é um animal raro de ser observado. A espécie é visada por caçadores e o desmatamento está destruindo o seu habitat. Além disso, passa a maior parte do tempo embaixo da terra. Há quem diga que é uma criatura mitológica, outros acreditam que não exista mais. Hoje se encontra na categoria vulnerável da lista vermelha de animais ameaçados de extinção da IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza, na sigla em inglês), mas oprojeto Tatu Canastra, uma iniciativa do Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ) e da Royal Zoological Society of Scotland, está tentando mudar essa história.
Um estudo realizado por Arnaud Desbiez, biólogo e coordenador do projeto, e pelo médico veterinário Danilo Kluyber,  revelou que o tatu-canastra altera o ambiente, muda a disponibilidade de recursos para outras espécies e, por isso, é considerado um engenheiro do ecossistema indispensável para o meio ambiente.
Jaguatirica na toca do tatu-canastra – Foto: Projeto Tatu-Canastra
O animal cava túneis para dormir ou procurar comida. As tocas podem atingir 5 metros de profundidade e 35 centímetros de largura. Esses buracos são utilizados por outros animais como refúgio térmico, abrigo contra predadores e área de alimentação e descanso. Pelo menos 24 espécies de vertebrados se beneficiam dos novos habitats criados pelos canastras.
A pesquisa também indica que as tocas podem ser importantes aliadas dos animais contra o aquecimento global. A temperatura do interior dos buracos se mantém constante em 24°C. “Com as mudanças climáticas e a tendência das temperaturas aumentarem, as tocas de tatu-canastra podem ajudar as espécies a sobreviverem a essas mudanças e temperaturas extremas”, diz Desbiez.
Os gigantes encouraçados são extremamente importantes para a manutenção de um ecossistema saudável e sua extinção causaria um desequilíbrio nos habitats onde são encontrados. Assim, o Projeto Tatu Canastra segue com as pesquisas e luta pela conservação da espécie.


Arnaud Desbiez (esquerda) e Danilo Kluyber (direita) – Foto: Projeto Tatu-Canastra
Quatis procuram por comida no monte de terra deixado pelo tatu-canastra na entrada da toca – Foto: Projeto Tatu-Canastra
Lobinho dormindo em toca de tatu-canastra – Foto: Projeto Tatu-Canastra
Cutia saindo de uma toca de tatu-canastra – Foto: Projeto Tatu-Canastra
Cateto entrando na toca do tatu-canastra – Foto: Projeto Tatu-Canastra
O tamanduá-mirim também usa os túneis feitos pelo tatu-canastra – Foto: Projeto Tatu-Canastra
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quinta-feira, maio 08, 2014

O que o Fuleco fez pelo tatu-bola?
Mascote da Copa de 2014 é espécie encontrada apenas no Brasil, mas até agora, não se beneficiou com o título

Estagiária Gabriela Troian sob a orientação de Valéria Forner
Formato da carapaça do tatu-bola facilita a caça predatória

Para chegar ao posto de mascote da Copa do Mundo de 2014, o tatu-bola (Tolypeutes tricinctus) enfrentou uma disputa com a onça-pintada, a arara-azul e o jacaré. Das 11 espécies de tatu que ocorrem no Brasil, é a única endêmica. A situação do tatu-bola, ameaçado de extinção, não melhorou desde setembro do ano passado, quando houve a eleição da mascote. As áreas onde a espécie ocorre continuam sendo desmatadas, comprometendo, assim, a sobrevivência do animal.
Espécie é a única endêmica de tatus no Brasil
Ao apresentar o tatu-bola como candidato a mascote aos membros da Federação Internacional de Futebol (Fifa), a Associação Caatinga, organização não governamental, fez uma lista de justificativas. Entre elas se destaca o fato de o tatu-bola ser espécie que existe apenas no Brasil, nas áreas de Caatinga e Cerrado, e estar ameaçada de extinção. Outra característica é o formato de bola que o animal assume, quando se sente ameaçado.
Desde a escolha da mascote, aumentou a visibilidade para o projeto “Tatu-bola: Marcando um gol pela sustentabilidade”. No entanto, não foram desenvolvidas medidas de preservação. Biólogo da Associação Caatinga, Rodrigo Castro afirma que ainda há muitas pessoas que não associam o Fuleco, nome dado à mascote, ao tatu-bola, e desconhecem o risco de a espécie desaparecer.
                                          Rodrigo Castro luta pela preservação na Caatinga
O personagem Fuleco é facilmente encontrado em comerciais, sites e até em álbuns de figurinhas. Mas e o tatu-bola de verdade? Diferentemente da mascote, refugia-se em áreas bem preservadas que ainda restam no País, como a RPPN Serra da Alma, entre as cidades de Crateus (CE) e Buriti dos Montes (PI). A presença do Tolypeutes tricinctos, vale dizer, sinaliza a boa saúde dos biomas.Tamanha importância motivou a Fifa a agregar a palavra “futebol” à “ecologia”. Por isso o nome Fuleco. Rodrigo Castro afirma que durante reuniões realizadas com o comitê organizador do evento esportivo e o Ministério do Meio Ambiente, não houve apelo maior para conscientizar as pessoas sobre a possibilidade de extinção. “O tatu-bola deu vida ao Fuleco, mas o que ele realmente fez pelo tatu-bola? O compromisso de preservação termina justamente no nome”, observa o biólogo.
Entre os dias 12 e 16 de maio será desenvolvida uma oficina de elaboração do Plano de Ação Nacional (PAN) de conservação do Tatu-bola, iniciativa do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Associação Caatinga. Com a participação de pesquisadores, o PAN tem a proposta de traçar metas para a preservação da espécie pelos próximos cinco anos. O sumário deve ser concluído até o final da Copa, em julho.

quinta-feira, abril 24, 2014


Na maior bacia hidrográfica do planeta, desafio é levar água aos ribeirinhos
16/04/2014 8:58
Viver na maior bacia hidrográfica do planeta não garante aos ribeirinhos da Amazônia o acesso à água. Fazer com que esse bem chegue às casas – especialmente no período de seca, quando aumenta a distância até o rio – requer força nos braços, para carregar as latas, ou dinheiro para bancar o diesel usado nos motores que bombeiam a água para as caixas comunitárias. Apesar da proximidade com os rios, muitos ribeirinhos têm a qualidade de vida prejudicada devido à dificuldade de levar, a seus lares, esse recurso natural tão necessário para os afazeres domésticos, para a saúde e para a higiene. Veja a galeria de fotos.

Dependendo do período, a distância até o rio pode ser de quase 1 quilômetro (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
Dependendo do período, a distância até o rio pode ser de quase 1 quilômetro, relatou à Agência Brasil a integrante do Grupo de Pesquisa das Populações Ribeirinhas do Instituto Mamirauá Dávila Correa. “E como a água é usada principalmente para tarefas domésticas, geralmente quem a carrega são as mulheres”, acrescentou a socióloga e pesquisadora.
A dificuldade em levar água até as casas faz com que muitos optem por se banhar nos rios da região. Mas isso pode implicar riscos, principalmente para as crianças. “Banho aqui é sempre no rio. Se for durante o dia, é de roupa. À noite, pelado”, disse Tânia Maria de Sales, 34 anos. “Meu medo são os bichos. Tem muitas cobras, jacarés e piranhas por aqui”, acrescentou a ribeirinha que já perdeu três sobrinhos por afogamento, na comunidade Nossa Senhora da Aparecida – localizada no Lago Catalão, a cerca de uma hora de barco de Manaus.
Quem opta pelos motores a diesel para bombear água até as caixas comunitárias arca também com os custos elevados. “O problema é que o diesel por aqui é muito caro. Chega a custar R$ 4 o litro”, disse o presidente da Comunidade São Francisco, Raimundo Ribeiro da Silva, 49 anos. “Esse preço dificulta as coisas. O gerador fica desligado porque temos de economizar combustível. Em média, são sete litros por dia para fazê-lo funcionar das 18h às 22h. A conta fica perto de R$ 1 mil por mês”, acrescentou.
Sobra então para as mulheres da comunidade que, a exemplo de Anicélia Barbosa Mendes, 21 anos, precisam de água para lavar a roupa e a louça da família. “A falta de água tratada é o que mais prejudica a comunidade. Aqui em casa temos de ferver a água do rio para poder bebê-la. Por isso gastamos muito dinheiro com botijão de gás, que custa R$ 50. A gente consome um por mês. Dinheiro que economizaríamos se tivéssemos tratamento de água.”
A comunidade de São Francisco espera ser beneficiada por um sistema de bombeamento de água por energia solar que já chegou a outras 15 comunidades da região. Os sistemas foram instalados pelo Instituto Mamirauá entre 2010 e 2013. “Desenvolvemos essa tecnologia depois de ver o quanto o acesso à água pode melhorar a qualidade de vida dos ribeirinhos”, explicou a pesquisadora Dávila Correa.

O primeiro protótipo dessa tecnologia foi apresentado em 2000. “O banho nos rios passou a ser feito com maior intimidade, dentro ou nas redondezas das casas. Isso, além de reduzir o número de acidentes, causou impacto significativamente positivo nas áreas sociais. Quando o sistema é implementado, as atividades domésticas feitas na beira do rio passam para a casa, diminuindo o estresse em toda a comunidade. Sobretudo em mulheres e crianças”, acrescentou.
Ribeirinhos buscam na pesca sustentável uma forma de evitar escassez do pescado no ano seguinte (Tomaz Silva/Agência Brasil)
O sistema desenvolvido pelo instituto venceu, em 2012, o Projeto Finep de Inovação na categoria Tecnologia Social. Como diminui o consumo de óleo diesel, o equipamento é ambientalmente indicado por evitar emissões de gases para a atmosfera. “Ele também apresenta resultados positivos para a saúde da população”, explicou Dávila.
Foi o que constatou a agente de Saúde Comunitária Ivone Brasil Carvalho, 28 anos, da comunidade Vila Alencar, uma das 15 beneficiadas pelo sistema. “O sistema ajudou muito. As mães sofriam porque na seca o rio fica bem longe. Agora, a gente tem água em terra todos os dias. Diminuiu também, tanto em adultos quanto em crianças, a incidência de doenças como gripe, tosse e diarreia porque a água chega pré-filtrada nas casas”, disse a agente de saúde.
A comunidade já fazia coleta de água de chuva, com calhas e tanques fornecidos pelo programa Pró-Chuva. “Mas, agora temos fartura de água, a ponto de alguns tanques virarem piscina para as crianças”, disse ela ao mostrar Wisle Santos Castro, de 15 anos, que brincava com uma cuia em uma caixa d’água. “As famílias nunca imaginavam poder, um dia, tomar banho em casa”, acrescentou a ribeirinha Ednelza Martins da Silva, 42 anos.
Outra comunidade beneficiada pelo sistema de bombeamento de água por energia solar foi Boca do Mamirauá, onde vive a guia comunitária Francilvânia Martins de Oliveira, 24 anos. “Melhorou muito nossa situação durante a seca. Antes, tínhamos de descer para lavar a roupa ou pegar água, correndo sempre o risco de esbarrar com bichos. Agora tem até máquina de lavar roupa aqui na comunidade.”
Em 2013, o Instituto Mamirauá fez um monitoramento da qualidade da água nas 15 comunidades beneficiadas pelo sistema. “Ainda falta concluir a última comunidade, mas a adoção do sistema certamente implica benefícios nas áreas de saúde”, disse Dávila Correa, referindo-se ao estudo que está analisando a água dos rios, das caixas d’água, das torneiras e dos recipientes que guardam a água nas comunidades atendidas.
O custo de instalação dos 15 sistemas chegou a R$ 400 mil, valor que inclui os gastos com assistência técnica. “Nós [do Instituto Mamirauá] temos o compromisso de instalar, a cada ano, dois sistemas nas comunidades”, informou a integrante do Grupo de Pesquisa das Populações Ribeirinhas.
Por 11 dias, no mês de fevereiro, a equipe de reportagem da Agência Brasil viajou pela Amazônia para conhecer o dia a dia dessas comunidades. A vida dos ribeirinhos também será destaque no programa Caminhos da Reportagem, que será exibido pela TV Brasil nesta quinta-feira (17), às 22h.

terça-feira, abril 22, 2014


         Triângulo terá nova Unidade de Conservação
Refúgio de Vida Silvestre da Bacia do Rio Tijuco é um dos mais importantes corredores ecológicos da região
Foram assinados neste domingo (20), no evento que marcou a abertura da Semana das Águas em São Lourenço, no Sul de Minas, decretos para criação de três novas Unidades de Conservação estaduais. As novas áreas irão garantir a preservação de importantes refúgios da fauna e flora, além de mananciais e nascentes.
Uma das áreas está na região do Triângulo Mineiro. São cerca de 8,7 mil hectares no Refúgio de Vida Silvestre da Bacia do Rio Tijuco, um dos mais importantes corredores ecológicos da região. A unidade de conservação protegerá grande parte do rio Tijuco, que é o último curso de água consideravelmente íntegro e propício à reprodução de peixes pertencentes à ictiofauna da Bacia Hidrografia do Paranaíba.
De acordo com dados representados no Zoneamento Ecológico e Econômico de Minas Gerais, os rios Tijuco e da Prata são apresentados como áreas com altíssima prioridade de conservação.
Parque Estadual de Paracatu
A criação do Parque Estadual de Paracatu é uma das condicionantes estabelecidas pelo Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam) no licenciamento ambiental do projeto de expansão da Mina Morro do Ouro da empresa Rio Paracatu Mineração S/A. A área do Parque Estadual é de 6.539 hectares. Sendo criado, o Parque Estadual de Paracatu incluirá a Área de Proteção Especial (APE) Santa Isabel e Espalha que atualmente protege os recursos hídricos na região.
O cerrado é a principal formação vegetal da área representado por seus vários tipos, desde campos até cerradões. Estudos realizados indicaram a presença de mais de 40 famílias de aves, dentre elas algumas ameaçadas de extinção em Minas Gerais, como a ema e a arara-canindé. Também foram observados no local, mamíferos como gambá-orelha-branca, mão-pelada, anta, capivara, lobo-guará e tamanduá-mirim.
Mata do Limoeiro
A área do Parque Estadual da Mata do Limoeiro é de 2.097,70 hectares e está situada no distrito de Ipoema, no município de Itabira, região Central do Estado. A área está localizada na Cordilheira do Espinhaço, a cerca de sete quilômetros do Parque Nacional da Serra do Cipó.
Na região podem ser observados fragmentos de Mata Atlântica e Cerrado. Já foram identificadas, na área, pelo menos três espécies ameaçadas de extinção: o jacarandá-caviúna, a braúna-preta e o samambaiuçu. Entre as espécies da fauna, já foram observadas espécies raras como o rato do mato, típico do Cerrado, e o gambá-de-orelha-branca, endêmico da Mata Atlântica.




quarta-feira, janeiro 22, 2014

Menor tatu do mundo é rosado, peludo e   argentino
22/01/2014 - 13h56

                                              Rosado e peludo: o menor tatu do mundo

DA BBC BRASIL
Ele é pequeno, peludo, e rosado. Não é um grande animal, nem o protagonista de um conto de fadas, mas poderia ser.
O pichiciego-menor (Chlamyphorus truncatus), mede pouco mais de 10 cm, passa a maior parte de sua vida escavando embaixo da terra, e uma carapaça rosada cobre o seu suave pelo branco.
É o menor tatu do mundo, se alimenta de invertebrados e plantas, é e visto raramente na superfície. Encontrado nas planícies da Argentina, o pichiciego-menor é muito suscetível ao estresse e não tolera bem encontros com humanos.
"É um animal muito delicado, que em cativeiro vive no máximo oito dias, e morre", disse à BBC Mundo Mariella Superina, especialista na preservação de tatus.
Por sua raridade, esses animais se tornaram "uma obsessão" para Superina.
"Apesar do nome 'pichiciego', esses animais não são realmente cegos. Conseguem distinguir claridade de escuridão. "Pichi' significa menino na língua mapuche (um povo indígena da região centro-sul do Chile e do sudoeste da Argentina), e eu suspeito que 'ciego' foi agregado ao nome para distingui-lo do piche (Zaedyus pichiy), uma espécie de tatu que pesa cerca de 1 kg e vive na mesma região", disse a especialista.
Tatu peludo
                                  NATUREZA DELICADA
Superina é pesquisadora do Conselho Nacional de Pesquisas Científicas e Técnicas (Conicet), na província de Mendoza, Argentina, a região do pichiciego.
Por sua raridade, toda vez que as autoridades encontram um pichiciego perdido, eles o ajudam.
"Eles começaram a me avisar e a me trazer pichiciegos, primeiro um morto, depois um vivo para ver se eu conseguia reintegrá-lo a seu habitat natural, e assim eu comecei a conhecê-los", disse Superina à BBC Mundo.
"O que acontece é que às vezes as pessoas o encontram, por exemplo, em uma estrada e, ou o levam pra casa como animal de estimação, ou o entregam às autoridades e perguntam o que é", disse a especialista.
Mas a melhor coisa a se fazer, segundo a especialista, é deixar o pichiciego seguir o seu caminho, levando em consideração sua natureza delicada.
Superina lamenta nunca ter visto um em seu habitat natural, e teme que eles estejam à beira da extinção.
"Eu realmente não sei quantos existem. Sou presidente do grupo de especialistas em tatus, preguiças e tamanduás da União Internacional para a Conservação da Natureza, e não temos

dados suficientes para dizer se os pichiciegos estão ameaçados ou não, simplesmente porque não há nenhum estudo prático", diz Superina.
REFINADO
O que o torna tão especial? Superina explica que, entre as 21 espécies de tatus, que já são muito diferentes de outros mamíferos, o pichiciego é o único que perdeu a parte lateral da carapaça.
"Sob a carapaça estão pelos de seda que cobrem seu corpo e ajudam o pichiciego a manter sua temperatura corporal."
"A ponta da cauda tem uma forma de diamante, que também é muito raro, e é usada como uma quinta pata de apoio," acrescenta a especialista.

Eles também têm uma placa vertical na parte de trás que os cientistas não sabiam o que era. Até que a pesquisadora foi capaz de colocar uma câmera infravermelha em um dos pichiciegos resgatados e filmá-lo.
"Ele só saiu à noite, mas às vezes eu podia ver como ele cavava. Ele escavava e depois se virava e batia a terra atrás dele com esta placa vertical, um comportamento muito especial que os outros tatus não têm".

Mas isso não é tudo: este tatu observado por Superina também se mostrou extremamente "exigente".
"A verdade é que eu fiquei louca, porque era extremamente difícil encontrar algo para ele comer, passei dias capturando besouros, à procura de vermes, procurando frutas naturais, para ver se conseguia incentivá-lo a comer algo natural, e nada, acho que tentei 34 ingredientes diferentes e ele se recusou a comer", disse a pesquisadora.
"Então, eu tentei uma mistura de diferentes ingredientes, que foi o que ele comeu." Mas, segundo Superina, qualquer alteração na mistura causou a rejeição imediata do pichiciego refinado.
"E o mais engraçado é que eu fiz a mesma mistura para o segundo pichiciego que me entregaram para reabilitar, e ele a rejeitou. Eles devem ter fortes preferências individuais, e por isso não podemos replicar estas experiências, e reabilitar cada pichiciego é um desafio muito grande", explicou a especialista.
"Eles são tão diferentes, e é tão difícil encontrá-los, que esses animais são realmente fascinantes para mim, é uma espécie que eu gostaria de estudar e saber muito mais para protegê-lo, mas o problema é onde encontrá-los", concluiu a pessoa que, provavelmente, sabe mais do que qualquer um sobre esses animais.