Estamos próximos de uma crise. A Organização
Mundial da Saúde afirma que são necessários  110 litros de Água potável por
dia para cada humano. O Word Walter Council já aponta regiões criticas, como
os africanos na região subsaariana, onde a media diária de consumo de Água
por pessoa é de 10 a 20 litros.
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Por Vitor Luciano Diniz
A Quem vai a cidade de Uberlândia, no Triangulo Mineiro, é convidado por seus
anfitriões a visitar a Cachoeira de Sucupira, situados a 17 km do centro. Um
ambiente de descanso e diversão nas tardes dos finais de semana para as
famílias da cidade. Indo ate o final da movimentada Avenida João Naves de
Ávila, entramos em uma estrada de terra que fica ao lado de uma grande
empresa, então passamos perto de uma carvoeira e seguimos ate a estação de
coleta e tratamento Renato Freitas, mantida pela empresa DMAE, responsável
pela distribuição de água na região. A diante, notamos uma estrutura de
represamento que modificou o leito do rio Uberabinha, construída para
agilizar a captação, impactando o fluxo de Água que segue ate desabar por um
abismo rochoso. No caminho, uma porteira indica a presença da Fazenda da
Sucupira, que é uma Área de 41,6 hectares no entorno da cachoeira,
recentemente transformada em Reserva Particular de Patrimônio Natural (RPPN).
Continuamos por uma ladeira envolta pela mata do cerrado, invadida por
espécies exóticas de eucaliptos, os quais predominam no local, e chegamos a
incrível queda da Água. Em duas paredes de basalto, com altura de 15 metros,
escoa um véu cristalino, sem poluição, que desce ate formar uma grande
piscina natural, depois as águas voltam a correr calmamente formando o leito
do rio, onde alguns jovens nadam. Nas margens, outras pessoas curtem a
tranquilidade do local, sentadas na grama verde. A estrutura interessante do
lugar faz um convite à reflexão sobre o futuro da água no planeta. A captação
e purificação remetem a administração dos recursos hídricos; a fazenda (RPPN)
nos faz pensar sobre a preservação. As pessoas nesse local nos lembram da
importância da água para sobrevivência, e o rio descendo ate a cidade, onde
recebe esgoto e a sujeira que escorre das ruas, tornando-a imprópria para
consumo, mostra que temos um grande trabalho de preservação e prática de
sustentabilidade pela frente.
Imagem
do site da prefeitura de Uberlândia (www.uberlandia.mg.gov.br)

Área preservada da Cachoeira de
Sucupira. A estimativa que cada ano a população aumente 83 milhões de
pessoas, o que deixara¡ 1,8 bilhão de humanos em regiões de escassez de água dentro
de 15 anos.
Os primeiros astronautas que
observaram a terra do espaço disseram que nosso planeta é azul. Uma riqueza
hídrica incalculável, sendo que menos de 1% estão disponíveis para consumo
humano. Alem disso, o regime de chuvas que varia entre as áreas, as
diferenças climáticas e a distribuição não homogênea da população nos
continentes, agrava a situação de acesso a água potável. Dados do relatório
sobre Desenvolvimento Humano do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) de 2006 mostram que
2 bilhões de pessoas estariam sofrendo com a falta de água, que 2,6 bilhões
não dispõe de saneamento básico e 1,8 milhão de crianças morreriam anualmente
devido doenças adquiridas pelo uso de água contaminada. A situação se agrava
em países subdesenvolvidos. Neles a rápida industrialização e o crescimento
acelerado da população acontecem sem o acompanhamento de um planejamento de
distribuição e de tratamento da água. Esse crescimento provocou o aumento do
consumo global de água de 1.060 km para 4.130 km nos últimos 50 anos. São
muitos os jovens que se divertem na sonora cachoeira. Eles são os cidadãos
que receberão da geração atual a herança hídrica que estamos construindo
agora. Uma garota morena, aparentando ter treze anos, esta sentada sobre uma
grande pedra perto da margem. Aproximo e pergunto seu nome. Conversando com
Roberta descubro que as escolas locais atuam constantemente na conscientização
sobre a importância da água e seu consumo inteligente. Contudo, quando
questionada se o que aprende é executado pela sociedade, ela diz que a
abundante disponibilização de água na região faz com que algumas pessoas da
comunidade não se importem com a economia e a preservação. No Brasil, o
consumo caseiro de água esta acima do mundial. De acordo com o Almanaque do
ISA, enquanto o uso domestica mundial representa 10%, o uso no Brasil atinge
o nível de 27%. Uma torneira pingando pode desperdiçar ate 80 litros de água
por dia. As principais ações publicitárias visam conscientizar sobre a
economia nesse tipo de gasto. Entretanto, a irrigação apresenta o maior
índice de desperdício. Nas sociedades modernas, 69% do uso da água são
destinados para atividades agrícolas. Disso, de 15% a 50% utilizado não
atingem as plantações, sendo perdido pela evaporação e pela infiltração no
solo. Relacionando esses dados com a realidade futura surge outra preocupação:
os rios próximos às plantações costumam ser vitimas dos Pops (poluentes permanentes).
Tais poluentes são oriundos de agrotóxicos e fazem com que a água se torne
cancerígena. A água é um recurso renovável. Contudo, sua quantidade é
limitada e por isso a preocupação com a economia é colocada em primeira estância.
Roberta é um exemplo de que a sociedade passa por constantes atividades de
conscientização. Entretanto, os resultados significativos acontecem quando as
empresas se preocupam e assumem iniciativas de mudanças. A partir da estação
de captação e tratamento Renato Freitas, as águas do rio Uberabinha recebem
gerenciamento da concessionária DMAE. Durante muitos anos, ela conduziu o
esgoto da cidade para o rio. Mas a população, prejudicada por ter a cidade
cortada por um rio poluído e fétido, acabou influenciando a empresa, com a
ajuda de políticos, a adotar uma postura social responsável. Um projeto de
despoluição foi desenvolvido e concluído em dezembro de 2003. A estação de
tratamento de Esgoto Uberabinha começou a purificar 100% do esgoto domestico
da cidade, que constou em 2009 com uma população de 634.345 habitantes
segundo o IBGE. A estrutura realizada para a conclusão de tal feito foi
grandiosa. Foram construídos 34 km de interceptores que recolhem a poluição
que seria lançada em vários córregos da cidade. Esses interceptores levam a
sujeira para um emissário de 6 km instalado as margens do rio Uberabinha.
Esse emissário segue de um famoso clube da cidade ate a cachoeira dos Dias,
onde foi construída a ETE Uberabinha, que constitui a etapa final do
processo. A empresa Uberlândia Refrescos é outro exemplo na região. Ela é
certificada com o ISSO 14001 (meio ambiente), com todo o efluente gerado na
fabrica tratado por uma estação própria.
Imagem ESTADO
NOBEL
Maria
Helena lava a louça graças a rede de água tratada que recebe em casa. Próximo
da cachoeira, há uma estação de captação e tratamento de água que abastece a
cidade de Uberlândia. Em todo planeta, 46% das pessoas não tem acesso a água
encanada.
Os jovens inquietos, ora descansavam sobre as pedras,
ora as escalavam e se lançavam em perigosos mergulhos na Cachoeira de
Sucupira. Uma senhora simpática os acompanhava. Entrei na água gelada da
cachoeira, o solo pedregoso causava uma sensação de massagem dolorida nos
meus pés. Esquecida dor e me aproximei dela. Seu nome era Marta. Perguntei o
que achava da qualidade da água do rio. Ela disse que apesar do DMAE ter
realizado um grande trabalho de despoluição, ela ainda não tinha confiança em
nadar na parte que percorre o perímetro urbano. Muitos córregos que deságuam
no Uberabinha ainda estas poluídas, eles recebem água que escorre da rua,
lixo atirado por moradores ou da canalização de esgotos ilegais. E também
fala que certas empresas não respeitam o rio, lançando grande quantidade de
sujeira. Essa denuncia serve de ilustração, mostrando as varias ameaças às
fontes de água. Marta esta certa em não confiar nas águas do rio. Para se ter
ideia, a Cachoeira dos Dias fica próxima a uma usina de triagem e compostagem
de lixo. Uma significante ameaça a qualidade da água. Apesar de pontos
negativos, a cidade é considerada como modelo a ser seguido dentro da realidade
da crise da água. De acordo com Adolpho Jose Melfi, professor titular da
Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ) da Universidade de São
Paulo (USP), a crise é atribuída a dois fatores interligados, a escassez e a
gestão dos recursos hídricos. O Banco Mundial divulgou o relatório
Gerenciamento de Recursos Hídricos, que aconselha os países em
desenvolvimento a praticar políticas integradas, considerando fatores inter
setoriais do uso das águas, pois ela poderá ser alvo de guerras, assim como acontece
atualmente com o petróleo. Essa discussão ficou acirrada quando em outubro de
2008 a UNESCO divulgou a localização de 273 aquíferos sobfronteiras internacionais.
Uma brisa fria seca o nosso corpo e as altas arvores da densa mata ciliar,
balançam suas copas lançando uma sombra movimentada sobre a calma correnteza
cachoeira. As pessoas estão ali em um momento de descanso. Contudo, inúmeros
cientistas trabalham arduamente em busca de soluções para Crise da água. A
todo o momento a ciência apresenta projetos. Adolpho Jose Melfi cita em entrevista ao site Inovação Tecnológica
(www.inovacaotecnologica.com.br) as principais pesquisas em desenvolvimento:
"Tecnologia de membranas filtrantes nas estações de tratamento de água e
de esgoto"; "Alternativas de tratamento, disposição e utilização de
lodo de estações de tratamento de água e estações de tratamento de
esgotos"; "Novas tecnologias para implantação, operação e
manutenção de sistemas de distribuição de água e coleta de esgoto";
"Novas tecnologias para melhorias dos processos de operações unitárias";
"Monitoramento da qualidade da água"; "Eficiência energética";
e "Economia do saneamento". Para que essas inovações cheguem a
população, principalmente nos lugares mais afetados, movimentos políticos e
sociais devem acontecer. Trata-se ultrapassar a conscientização e seguir com
luta ativa e coletiva da preservação de um bem comum. A falta de água potável
em muitas regiões deve soar como um grande sinal de alerta. Ignorar esse
aviso é amaldiçoar o futuro. As pessoas nessa cachoeira se estão tranquilas,
porque ela ainda esta ali.
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