sexta-feira, fevereiro 06, 2026

 A natureza de Uberlândia

Na segunda reportagem da série, abordamos as características naturais do município

Por: Jhonatan Dias
Publicado em 03/09/2020 às 17:53 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52

Município é drenado por três bacias hidrográficas: Bacia do Rio Araguari, do Rio Uberabinha e do Rio Tijuco. (Foto: Marco Cavalcanti)

O meio ambiente é uma parte fundamental para o desenvolvimento das cidades. Por isso, a Universidade Federal de Uberlândia (UFU) tem diversos cursos para a formação de profissionais que atuam no meio ambiente, PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO para investigar e solucionar problemas ambientais por meio das pesquisas, museus e projetos de educação ambiental.

Cachoeira de Miné, próxima ao Distrito de Martinésia. (Foto: Angá)

De acordo com o ATLAS ESCOLAR DE UBERLÂNDIA, as três bacias hidrográficas (região de drenagem de um rio e dos afluentes) presentes no município são as dos rios: Araguari, Tijuco e Uberabinha. Na área urbana, a última é predominante, conforme a imagem abaixo mostra:

Representação das bacias hidrográficas no município de Uberlândia. (Imagem: Atlas Escolar de Uberlândia)

A Associação para a Gestão Socioambiental do Triângulo Mineiro (Angá) realizou, de 2013 a 2015, um amplo estudo referente ao DIAGNÓSTICO AMBIENTAL DA BACIA HIDROGRÁFICA DO RIO UBERABINHA. De acordo com a associação, o estudo foi realizado com o apoio da UFU e teve como objetivo “fornecer subsídios para a conservação, preservação e recuperação de ambientes naturais presentes na bacia e, a partir dos resultados, orientar na proposição de políticas públicas que visem à sustentabilidade da diversidade biológica e dos recursos hídricos.”

“É uma região muito importante para a conservação das aves. Temos um tesouro”, afirma o biólogo Gustavo Bernardino Malacco da Silva, presidente da Angá. No levantamento, os ambientalistas verificaram a presença de espécies endêmicas do Cerrado na região de Uberlândia, como o bacurau-de-rabo-branco (Hydropsalis candicans), e outras aves que migram da Região Sul para escapar do frio.

Vegetação próxima ao Distrito Cruzeiro dos Peixotos. (Foto: Angá)

O relatório destaca alguns motivos de ameaça para os seres vivos da bacia do Rio Uberabinha: “Perda e fragmentação de habitat pela substituição das formações naturais para implantação de empreendimentos hidrelétricos, destruição de áreas úmidas por drenagem ou atividades minerárias, incêndios criminosos, urbanização, degradação de habitat por pastejo e pisoteio pelo gado, perseguição e caça, captura para criação em cativeiro ou comércio de fauna, sobre-exploração e contaminação biológica.”

A professora Rosana Romero, docente do Instituto de Biologia da UFU, explica que no Triângulo Mineiro há duas unidades de conservação estaduais: o Parque Estadual do Pau Furado e o Refúgio de Vida Silvestre dos rios Tijuco e da Prata. Em Uberlândia, existe a Estação Ecológica do Panga e a Reserva Ecológica do Clube Caça e Pesca Itororó de Uberlândia.

No dia a dia urbano, vivemos em um ambiente estressante e que pode ser poluído. É por isso que as áreas verdes são tão importantes para dar um ‘respiro’ da selva de pedra e, como consequência, promovem melhoria na qualidade de vida. Além disso, esses espaços filtram a radiação solar, absorvem parte da poluição gerada por carros e indústrias e são importantes para a infiltração das águas das chuvas.

Rosana Romero: ‘As queimadas na região de Uberlândia acarretam uma diminuição drástica da biodiversidade a cada ano que passa, não havendo tempo para a vegetação se recompor’. (Foto: Milton Santos)

Para impedir a degradação ambiental, a Angá recomenda ações pautadas em pesquisa, licenciamento ambiental e fiscalização, políticas públicas, conservação e educação ambiental. Nesta última, a Universidade Federal de Uberlândia se destaca pelo MUSEU DA BIODIVERSIDADE DO CERRADO, que detém um amplo acervo da biodiversidade do bioma disponível para visitação, além do oferecimento de cursos e palestras que visam à educação para a preservação.

“Políticas de conservação [em Uberlândia] podem melhorar. Os primeiros passos são: estimular a economia verde e recuperar áreas degradadas, principalmente nas áreas de preservação permanente. O município deve se comprometer com o Plano Municipal de Meio Ambiente definindo as áreas que não podem ser desmatadas, criar corredores ecológicos, criar unidades de conservação”, avalia Malacco.

A professora Romero concorda: “O governo local deveria incentivar e ampliar a criação de praças e jardins e facilitar a criação de novas reservas e áreas de proteção ambiental (APAs), uma vez  que o entorno de nossa cidade é bastante alterado devido à exploração agrícola.”

Rio Uberabinha. (Foto: Angá)

 Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

Palavras-chave: Uberlândia natureza pesquisa

sábado, janeiro 31, 2026

 Por que as onças não atacam capivaras em grupos

Veja como a natureza define o que vale a pena em uma caçada

Por que as onças não atacam capivaras em grupos

Entre os animais do Cerrado e da Mata Atlântica, a interação entre onças-pintadas e capivaras intriga biólogos e curiosos. Causa estranhamento que as onças não ataquem grandes grupos desses roedores, que vivem em bandos numerosos e, muitas vezes, em áreas abertas, mas a dinâmica da caça é guiada por energia, risco e oportunidade, e não apenas pela abundância de presas.

Por que onças não atacam grupos inteiros de capivaras?

A resposta para por que as onças não atacam capivaras em grupos está ligada ao modo de caça do felino, que é um predador de emboscada e depende do elemento surpresa. Investidas contra bandos exigiriam perseguições longas, com muito alarde, o que reduz as chances de sucesso e aumenta o gasto de energia.

O esforço físico elevado, somado ao risco de ferimentos, torna a estratégia de atacar grupos pouco vantajosa. Assim, a onça concentra seus ataques em indivíduos isolados, distraídos, doentes, filhotes ou afastados da proteção do bando, especialmente em áreas com vegetação que facilite a aproximação silenciosa.

Como funciona a caça de onças a capivaras na natureza?

Onde onças e capivaras convivem, como margens de rios, represas e áreas alagadas, o felino costuma se aproximar pela mata ou vegetação ciliar, analisando o comportamento do grupo. Ele espera o momento em que algum animal se afasta para beber água, pastar ou descansar em local menos protegido, aumentando a chance de captura.

Onde onças e capivaras convivem, como margens de rios, represas e áreas alagadas, o felino costuma se aproximar pela mata ou vegetação ciliar, analisando o comportamento do grupo. Ele espera o momento em que algum animal se afasta para beber água, pastar ou descansar em local menos protegido, aumentando a chance de captura.

Quando surge a oportunidade, a onça ataca em poucos segundos, mirando a região do pescoço ou da cabeça, usando sua poderosa mandíbula para neutralizar a presa rapidamente. Esse padrão mostra a preferência por ataques certeiros e discretos, em curta distância, em vez de investir contra vários indivíduos ao mesmo tempo.

Quais estratégias de defesa tornam grupos de capivaras mais seguros?

A vida em grupo é a principal proteção das capivaras e explica por que grandes ataques de onças a bandos são incomuns. Enquanto algumas se alimentam, outras vigiam o entorno e, ao menor sinal de perigo, um alerta sonoro dispara a fuga coletiva para a água ou vegetação densa.

Esses animais preferem áreas abertas próximas a rios, o que amplia a visibilidade e dificulta a aproximação silenciosa da onça. Na água, nadam bem, podem ficar semissubmersas e usam o ambiente aquático para despistar o predador, reduzindo o sucesso de uma investida contra o grupo.

Como energia e risco influenciam a escolha de presas pelas onças?

A decisão de atacar capivaras está ligada ao balanço entre energia gasta e energia obtida. Um ataque malsucedido significa perda de calorias, desgaste muscular e possibilidade de lesões, o que compromete caçadas futuras e diminui a eficiência do predador ao longo do tempo.

Em locais com outras presas disponíveis, como veados, tatus, jacarés ou porcos-do-mato, a onça diversifica a dieta e escolhe alvos com melhor relação custo-benefício. Assim, atacar um indivíduo isolado tende a ser mais seguro e vantajoso do que investir contra um bando em fuga coordenada.

Assista um vídeo do Canal do Mergulho com detalhes do momento em que uma onça consegue predar uma capivara:

Qual é o equilíbrio ecológico entre onças e capivaras?

A relação entre onças e capivaras resulta de um equilíbrio evolutivo entre predador e presa, em que cada espécie ajusta comportamento, horários e uso do ambiente. As capivaras reforçam a proteção coletiva e a vigilância, enquanto as onças aprimoram a discrição e a seleção de alvos mais vulneráveis.

Esse equilíbrio faz com que grandes ataques a bandos sejam raros, mesmo que as onças tenham capacidade física para enfrentar animais maiores. O resultado é uma dinâmica em que ambas as espécies conseguem sobreviver e se reproduzir, mantendo seu papel nos ecossistemas do Cerrado e da Mata Atlântica.

terça-feira, janeiro 27, 2026

Além do Compliance: Por que a Acessibilidade é a Sua Próxima Grande Opor...

Por que a Acessibilidade é a Sua Próxima Grande Oportunidade de UI/UX
45 MINUTES

Com mais de 1 bilhão de pessoas no mundo — e 14,4 milhões apenas no Brasil — vivendo com algum tipo de deficiência, o design inclusivo é o caminho mais eficaz para expandir sua audiência.

Embora a Lei Brasileira de Inclusão (LBI) estabeleça padrões para o acesso digital, adotar práticas de acessibilidade vai muito além da conformidade legal: é uma estratégia comprovada de sucesso. Sites que priorizam a acessibilidade observam, em média, um aumento de 12% no tráfego geral, com mais de 73% registrando crescimento no tráfego orgânico.

Nesta sessão, vamos abordar:

1.    Keynote: "Construindo para Todos" – Uma palestra inspiradora sobre a importância da inclusão.

2.    Entendendo a LBI (Lei Brasileira de Inclusão) – Melhores práticas para alinhar seu site ou app à legislação brasileira.

3.    Dicas práticas de UI/UX para crescimento – Descubra estratégias essenciais (como texto alternativo, contraste de cores e legendas) que aumentam o engajamento e a receita


domingo, janeiro 25, 2026

 

Gazelas extintas foram soltas no deserto do Marrocos, andaram até 50 km em jornadas rastreadas por GPS e surpreenderam pesquisadores ao revelar como “escolhem” onde viver após explorar territórios abertos sem cercas

Escrito porAlisson Ficher  Publicado em
24/01/2026 às 15:43 Atualizado em24/01/2026 às 17:13
Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.

Monitoramento por GPS revelou deslocamentos extensos após a soltura em área aberta do deserto marroquino, mostrando como gazelas-mhorr passaram por uma fase de exploração intensa antes de se estabelecerem em territórios específicos, em um projeto de conservação acompanhado por pesquisadores.

Um grupo de gazelas-mhorr passou a circular em áreas abertas do deserto no sul do Marrocos após um processo de reintrodução realizado sem cercas físicas.

O monitoramento científico mostrou que, depois da soltura, parte dos animais percorreu longas distâncias antes de se estabelecer em áreas específicas, com deslocamentos registrados de até 50 quilômetros.

Reintrodução em área aberta no sul do Marrocos

A reintrodução ocorreu na região de Safia, uma área desértica selecionada para o projeto por reunir condições ambientais compatíveis com a espécie e baixa interferência humana.

A iniciativa foi acompanhada por pesquisadores que utilizaram colares de telemetria em parte dos animais, permitindo o rastreamento contínuo dos movimentos, do uso do território e dos padrões de permanência ao longo do tempo.

Gazela-mhorr e o histórico de ameaça

A gazela-mhorr é uma subespécie da gazela-dama classificada como criticamente ameaçada.

Adaptada a ambientes áridos e semiáridos, ela historicamente ocupava amplas áreas do norte da África.

A redução progressiva da população ocorreu ao longo do século XX, associada principalmente à caça, à fragmentação do habitat e à expansão de atividades humanas em regiões antes pouco ocupadas.

Soltura monitorada com colares de GPS

Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.

O projeto em Safia envolveu a soltura de 24 indivíduos, todos oriundos de programas de manejo e conservação.

Sete deles foram equipados com colares de GPS, o que permitiu aos pesquisadores registrar com precisão os deslocamentos após a liberação.

O acompanhamento começou imediatamente após a soltura e se estendeu por meses, gerando um conjunto detalhado de dados espaciais.

Primeiros movimentos e fase de reconhecimento

Nos primeiros dias, os registros indicaram que as gazelas permaneceram próximas ao ponto de liberação, realizando deslocamentos curtos e mantendo coesão entre os indivíduos.

Esse padrão inicial foi observado de forma consistente nos dados de telemetria, com movimentos concentrados em uma área reduzida, característica comum em processos de reintrodução monitorados.

Explorações de até 50 quilômetros no deserto

Com o avanço do acompanhamento, os dados passaram a mostrar mudanças claras no comportamento espacial.

Parte dos animais iniciou explorações mais amplas, afastando-se gradualmente do ponto inicial.

Esses deslocamentos se intensificaram em determinadas fases, resultando em trajetos que alcançaram até cerca de 50 quilômetros.

As rotas registradas indicaram movimentos direcionados, com idas e retornos, e não simples dispersões aleatórias.

Escolha de áreas de permanência

A análise dos trajetos revelou que, após esse período de exploração, as gazelas reduziram o raio de deslocamento e passaram a utilizar áreas específicas com maior frequência.

O padrão registrado nos colares mostrou maior permanência em determinados setores do território, com repetição de trajetos e uso regular dos mesmos espaços, indicando a consolidação de áreas de vida.

Importância da telemetria no acompanhamento

Gazelas-mhorr foram soltas no deserto do Marrocos e colares de GPS revelaram deslocamentos de até 50 km antes da escolha do território.

O uso da telemetria foi essencial para documentar essas etapas.

Em um ambiente desértico extenso e de difícil acesso, grande parte desses movimentos não poderia ser observada diretamente pelas equipes em solo.

Os dados permitiram registrar não apenas a distância percorrida, mas também a duração das explorações, a velocidade de deslocamento e a frequência de retorno a áreas específicas.

Diferença em relação a projetos anteriores

O estudo que analisou a reintrodução destacou que a experiência em Safia diferiu de iniciativas anteriores por ter ocorrido em ambiente aberto, sem delimitação por cercas.

Em outros projetos envolvendo a gazela-dama, a soltura foi realizada majoritariamente em reservas cercadas, o que restringia a análise do comportamento espacial em condições mais próximas das naturais.

Critérios ambientais para escolha da área

A escolha da área levou em consideração fatores ambientais como disponibilidade de vegetação, características do relevo e histórico de presença de grandes herbívoros.

Esses critérios foram apontados como relevantes para reduzir riscos iniciais e favorecer a adaptação dos animais após a liberação.

Comportamento social após a soltura

Outro aspecto registrado foi a manutenção do comportamento social.

Mesmo durante deslocamentos mais longos, os dados indicaram que as gazelas mantiveram padrões de agrupamento, evitando dispersão excessiva.

A coesão social observada é um fator associado à sobrevivência e à reprodução da subespécie em ambientes abertos.

Uso dos dados para conservação

A reintrodução em Safia passou a ser citada em análises científicas como um exemplo de aplicação de tecnologia de rastreamento para compreender etapas iniciais da adaptação de espécies ameaçadas.

O acompanhamento detalhado permitiu observar como os animais utilizam o espaço disponível, quais áreas passam a frequentar com mais regularidade e como ocorre a transição entre exploração e permanência.

As informações obtidas com os colares também foram usadas para orientar decisões de manejo, como a avaliação de áreas prioritárias para proteção e a identificação de regiões mais utilizadas pelas gazelas após a soltura.

À medida que os dados eram analisados, o território deixou de ser interpretado apenas como uma área contínua e passou a ser descrito como um conjunto de espaços utilizados de forma diferenciada pelos animais.