Por que as onças não atacam capivaras em grupos
Veja como a natureza define o que vale a pena em uma caçada
Entre os
animais do Cerrado e da Mata Atlântica, a
interação entre onças-pintadas e capivaras intriga
biólogos e curiosos. Causa estranhamento que as onças não ataquem
grandes grupos desses roedores, que vivem em bandos numerosos e, muitas vezes,
em áreas abertas, mas a dinâmica da caça é guiada por energia, risco e
oportunidade, e não apenas pela abundância de presas.
Por que onças não atacam grupos inteiros de
capivaras?
A resposta para por que as onças não atacam
capivaras em grupos está ligada ao modo de caça do felino, que é um predador de
emboscada e depende do elemento surpresa. Investidas contra bandos exigiriam
perseguições longas, com muito alarde, o que reduz as chances de sucesso e
aumenta o gasto de energia.
O
esforço físico elevado, somado ao risco de ferimentos, torna a estratégia de
atacar grupos pouco vantajosa. Assim, a onça concentra seus ataques em
indivíduos isolados, distraídos, doentes, filhotes ou afastados da proteção do
bando, especialmente em áreas com vegetação que facilite a aproximação
silenciosa.
Como funciona a caça de onças a capivaras na
natureza?
Onde onças e capivaras convivem, como margens de rios, represas e áreas
alagadas, o felino costuma se aproximar pela mata ou vegetação ciliar,
analisando o comportamento do grupo. Ele espera o momento em que algum animal
se afasta para beber água, pastar ou descansar em local menos protegido,
aumentando a chance de captura.
Onde onças e capivaras convivem, como margens de
rios, represas e áreas alagadas, o felino costuma se aproximar pela mata ou
vegetação ciliar, analisando o comportamento do grupo. Ele espera o momento em
que algum animal se afasta para beber água, pastar ou descansar em local menos
protegido, aumentando a chance de captura.
Quando surge a oportunidade, a onça ataca em
poucos segundos, mirando a região do pescoço ou da cabeça, usando sua poderosa
mandíbula para neutralizar a presa rapidamente. Esse padrão mostra a
preferência por ataques certeiros e discretos, em curta distância, em vez de
investir contra vários indivíduos ao mesmo tempo.
Quais estratégias de defesa tornam grupos de
capivaras mais seguros?
A vida em grupo é a principal proteção das
capivaras e explica por que grandes ataques de onças a bandos são incomuns.
Enquanto algumas se alimentam, outras vigiam o entorno e, ao menor sinal de
perigo, um alerta sonoro dispara a fuga coletiva para a água ou vegetação
densa.
Esses animais preferem áreas abertas próximas a
rios, o que amplia a visibilidade e dificulta a aproximação silenciosa da onça.
Na água, nadam bem, podem ficar semissubmersas e usam o ambiente aquático para
despistar o predador, reduzindo o sucesso de uma investida contra o grupo.
Como energia e risco influenciam a escolha de
presas pelas onças?
A decisão de atacar capivaras está ligada ao balanço entre energia gasta
e energia obtida. Um ataque malsucedido significa perda de calorias, desgaste
muscular e possibilidade de lesões, o que compromete caçadas futuras e diminui
a eficiência do predador ao longo do tempo.
Em locais
com outras presas disponíveis, como veados, tatus, jacarés ou porcos-do-mato, a
onça diversifica a dieta e escolhe alvos com melhor relação custo-benefício.
Assim, atacar um indivíduo isolado tende a ser mais seguro e vantajoso do que
investir contra um bando em fuga coordenada.
Assista um vídeo do Canal
do Mergulho com detalhes do momento em que uma onça consegue
predar uma capivara:
Qual é o equilíbrio ecológico entre onças e capivaras?
A relação entre onças e capivaras resulta de um equilíbrio evolutivo entre
predador e presa, em que cada espécie ajusta comportamento, horários e uso do
ambiente. As capivaras reforçam a proteção coletiva e a vigilância, enquanto as
onças aprimoram a discrição e a seleção de alvos mais vulneráveis.
Esse equilíbrio faz com que grandes ataques a bandos sejam raros, mesmo que as onças tenham capacidade física para enfrentar animais maiores. O resultado é uma dinâmica em que ambas as espécies conseguem sobreviver e se reproduzir, mantendo seu papel nos ecossistemas do Cerrado e da Mata Atlântica.





