domingo, maio 03, 2026

Empresa que quer ressuscitar o mamute agora mira um antílope extinto há 260 anos e precisa de mais de 100 alterações genéticas para trazer de volta um animal que só existe em cinco exemplares
Escrito porBruno Teles
Publicado em02/05/2026 às 23:45

A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.

A Colossal Biosciences incluiu o antílope-azul, extinto por volta de 1800 pela caça na África do Sul, em seu programa de desextinção, projeto que exige mais de 100 alterações genéticas a partir de genoma reconstruído de um dos cinco exemplares de museu, usando edição de DNA, células-tronco e óvulos de antílopes vivos.

A empresa de biotecnologia que já trabalha para trazer de volta o mamute-lanoso, o dodô e o lobo-terrível agora incluiu um antílope extinto na sua lista de animais que pretende “ressuscitar”. A Colossal Biosciences anunciou nesta quinta-feira (30) que o antílope-azul, espécie de nome científico Hippotragus leucophaeus descrita oficialmente em 1766 e extinta por volta de 1800 devido à caça intensiva na África do Sul, se juntou aos projetos de desextinção da empresa, que já envolvem o mamute-lanoso, o dodô, o moa, o tilacino e o lobo-terrível. O antílope-azul desapareceu em pouco mais de três décadas após ser catalogado cientificamente, vítima da colonização europeia que dizimou populações inteiras do animal para obter pele e carne.

O desafio de trazer o antílope de volta é tecnicamente complexo mas conta com vantagem que outros projetos de desextinção não possuem. A proximidade genética entre o antílope-azul e espécies vivas como o antílope-ruão e o antílope-sable facilita experimentos porque permite utilizar óvulos e estruturas reprodutivas de animais existentes como base para gerar embriões com características editadas para se aproximar da espécie extinta. A equipe da Colossal estima que recriar as características do antílope-azul exigirá mais de 100 alterações no código genético, número que reflete tanto a complexidade do processo quanto a limitação de informações disponíveis sobre um animal que só sobrevive em cinco exemplares preservados em museus ao redor do mundo.

Como a ciência pretende reconstruir um antílope que desapareceu há mais de dois séc

O ponto de partida para a desextinção do antílope-azul é um genoma detalhado reconstruído a partir de um dos cinco exemplares de museu. Apesar da escassez de material genético disponível, pesquisadores conseguiram sequenciar o DNA preservado e identificar as diferenças entre o antílope extinto e seus parentes vivos mais próximos, mapeamento que orienta quais alterações genéticas precisam ser realizadas para transformar células de um antílope-ruão em algo geneticamente semelhante ao animal que desapareceu. Estudos indicam que o antílope-azul manteve baixa diversidade genética mas permaneceu estável por aproximadamente 400 mil anos, informação que ajuda os cientistas a entender a viabilidade de recriar uma população a partir de base genética limitada.

As técnicas utilizadas combinam métodos que a biotecnologia moderna desenvolveu nas últimas décadas. A OPU (Operação de Unidade de Proteção) permite coletar óvulos de antílopes vivos com auxílio de ultrassom, através de agulha que alcança o ovário do animal, procedimento que já apresentou bons resultados em espécies como o antílope-ruão e o órix-de-cimitarra. Esses óvulos são então utilizados em fertilização laboratorial combinados com material genético editado para gerar embriões que carregam características do antílope-azul, processo que transforma um animal vivo em portador de traços de uma espécie que a humanidade exterminou há mais de 200 anos.

O papel das células-tronco na recriação do antílope extinto

As células-tronco pluripotentes representam avanço que amplia significativamente as possibilidades do projeto. Essas células têm capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecido, o que permite aos pesquisadores realizar testes genéticos de forma controlada sem depender exclusivamente de animais vivos, reduzindo tanto o custo quanto o impacto ético de experimentos que precisam ser repetidos dezenas de vezes até que as mais de 100 alterações genéticas necessárias sejam realizadas com precisão. Para o antílope-azul, as células-tronco funcionam como laboratório intermediário onde edições genéticas são testadas e validadas antes de serem aplicadas em embriões que efetivamente gerarão um animal.

O número de alterações genéticas necessárias é indicativo da distância evolutiva entre o antílope extinto e seus parentes vivos. Mais de 100 modificações no DNA significam que cada gene relevante precisa ser identificado, editado com ferramenta de precisão como CRISPR e verificado para garantir que a mudança produza o efeito desejado sem comprometer outras funções do organismo. Um erro numa única alteração pode gerar anomalias que inviabilizam o embrião, e a margem de acerto precisa ser altíssima quando multiplicada por cem modificações simultâneas, realidade que explica por que projetos de desextinção levam anos e consomem recursos que poucos laboratórios do mundo podem bancar.

Por que a Colossal escolheu o antílope-azul entre tantas espécies extintas

A seleção do antílope não foi aleatória. A existência de parentes vivos geneticamente próximos é vantagem que espécies como o mamute-lanoso não possuem com a mesma intensidade: enquanto o elefante-asiático, parente mais próximo do mamute, divergiu há milhões de anos, o antílope-ruão e o antílope-sable compartilham ancestralidade recente com o antílope-azul, proximidade que reduz o número de alterações necessárias e aumenta a probabilidade de que os embriões editados sejam viáveis. Além disso, trabalhar com a desextinção do antílope pode gerar benefícios para a conservação de outras espécies ameaçadas como o saiga, o adax e a gazela-dama, animais que enfrentam risco semelhante ao que extinguiu o antílope-azul.

O antílope-azul também oferece cenário de reintrodução mais viável do que outras espécies do portfólio da Colossal. As regiões da África do Sul onde o animal vivia ainda existem e podem ser restauradas com apoio de organizações ambientais que já atuam na recuperação de habitats, diferentemente do caso do mamute-lanoso que precisaria de ecossistema ártico que o aquecimento global está transformando rapidamente. Para a empresa, o antílope-azul combina viabilidade técnica com impacto conservacionista que justifica o investimento e que demonstra que a desextinção pode servir à preservação de espécies vivas além de recuperar as que desapareceram.

O que falta para o antílope-azul voltar a existir

Apesar do otimismo da equipe, obstáculos técnicos significativos permanecem no caminho da desextinção do antílope. Métodos como fertilização in vitro e transferência nuclear precisam atingir nível de precisão que projetos com outras espécies ainda não alcançaram plenamente, e cada etapa do processo, da edição genética à gestação em barriga de aluguel de antílope-ruão, envolve variáveis biológicas que a ciência controla apenas parcialmente. Embriões já estão em desenvolvimento e a edição genética avança para etapas finais, mas transformar embrião em animal saudável que sobreviva fora do laboratório é salto que nenhum projeto de desextinção completou até agora.

O objetivo declarado é reintroduzir na natureza um animal muito próximo do antílope-azul em regiões onde ele habitava na África do Sul. Ainda não há garantias de que o resultado final será idêntico à espécie original, porque mesmo com mais de 100 alterações genéticas alguns traços comportamentais e adaptativos podem não ser reproduzíveis apenas por edição de DNA. A proposta que parecia distante começa a se tornar mais concreta à medida que a tecnologia avança, e se a Colossal conseguir trazer de volta um antílope que a humanidade extinguiu há mais de dois séculos, a mensagem será tão poderosa quanto a conquista científica: somos capazes de corrigir erros que nossos antepassados cometeram contra a biodiversidade.

E você, acha que devemos tentar ressuscitar espécies extintas ou é melhor focar na preservação das que ainda existem? Deixe sua opinião nos comentários.

sexta-feira, abril 17, 2026

 A segunda maior cidade de Minas Gerais é também a 2ª do Brasil em qualidade de vida na sua faixa populacional

POR MAURA PEREIRA 15/04/2026 Em CidadesTurismo

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Com cerca de 761 mil habitantes, Uberlândia fica no coração do Triângulo Mineiro e foi classificada como a segunda melhor cidade brasileira em qualidade de vida entre os municípios de 500 mil a 1 milhão de habitantes, segundo o Índice de Progresso Social de 2024.

Como uma cidade do interior virou o segundo polo de Minas Gerais

Fundada em 1888, a antiga São Pedro de Uberabinha cresceu impulsionada pela ferrovia e, mais tarde, pela posição no cruzamento de rodovias federais. Hoje é o principal polo logístico do Triângulo e um dos maiores do Brasil.

A chegada da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) nos anos 1970 mudou o perfil da cidade. Com cerca de 30 mil alunos e o Hospital de Clínicas como referência regional em saúde pública, a instituição transformou o interior mineiro em um centro universitário comparável ao de capitais.

Viva Uberlândia, metrópole dinâmica onde parques como Sabiá, arquitetura moderna e feiras mineiras unem progresso e tradição no coração do Brasil. // Créditos: YouTube @ThiagozRodrigues

Como é o dia a dia de quem mora na cidade?

O cotidiano combina a calma do interior com a estrutura de uma capital média. As avenidas são largas, o trânsito flui em horários que travariam Belo Horizonte e os serviços públicos estão perto de casa em quase todos os bairros.

Moradores cruzam a cidade em 20 minutos de carro, mesmo em dias de maior movimento. A Avenida João Naves de Ávila concentra comércio, bancos e shoppings, enquanto o Centro guarda a Praça Tubal Vilela, ponto de encontro histórico da família uberlandense.

O Triângulo Mineiro abriga uma das potências econômicas que mais crescem no país, unindo inovação e qualidade de vida. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, com milhares de inscritos, e detalha o desenvolvimento de Uberlândia:

Por que Uberlândia aparece no topo dos rankings nacionais?

Porque combina indicadores sociais altos com estrutura urbana madura. Segundo a Prefeitura Municipal, a cidade ficou em segundo lugar nacional no Índice de Progresso Social entre os 46 municípios de sua faixa populacional.

O ranking avalia 12 pilares, entre eles saneamento, moradia, educação e segurança. O IDHM de 0,789 também é classificado como alto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a cidade tem saneamento básico quase universalizado.

O Parque do Sabiá é o segundo quintal da cidade

Mais do que um parque, o Complexo Virgílio Galassi é o maior espaço de lazer urbano do Triângulo Mineiro. Ocupa 1,85 milhão de metros quadrados na Zona Leste e recebe mais de 10 mil visitantes por dia em média, com picos acima de 20 mil nos fins de semana.

§  Bosque do Parque: 350 mil metros quadrados de área verde com mais de 300 espécies vegetais catalogadas.

§  Zoológico Municipal: autorizado pelo IBAMA, abriga cerca de 200 espécies em recintos de mata atlântica e cerrado.

§  Estádio Parque do Sabiá: maior estádio do interior de Minas, casa do Uberlândia Esporte Clube, com mais de 40 anos de história.

§  Mundo da Criança: parque infantil integrado ao complexo, com brinquedos gratuitos e área de piquenique.

Uberlândia é um município no Triângulo Mineiro, Minas Gerais, com cerca de 761 mil habitantes em 2025. // Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

O que falta na segunda maior cidade mineira?

Nenhuma cidade é perfeita. A distância até os litorais mais próximos é grande, cerca de 800 km até o mar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, o que transforma qualquer escapada de praia em viagem de avião.

O crescimento imobiliário acelerado também elevou preços em bairros nobres como Santa Mônica e Morada da Colina, onde o metro quadrado se aproxima do praticado na capital mineira. Ainda assim, o custo de vida geral segue mais baixo que em Belo Horizonte, segundo o IBGE.

Como é o clima no Triângulo Mineiro?

O clima tropical de altitude divide o ano em duas estações bem marcadas: um verão quente e úmido e um inverno seco e ameno. A umidade baixa no meio do ano é um tema recorrente entre moradores.

 Clima ameno, segurança e qualidade de vida fazem dessa cidade mineira um refúgio para famílias e investidores. // Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Como chegar ao Triângulo Mineiro?

A cidade está a cerca de 540 km de Belo Horizonte pela BR-262 e BR-365, e a pouco mais de 560 km de São Paulo pela BR-050. O Aeroporto de Uberlândia tem voos diretos diários para as principais capitais.

Visite a capital do Triângulo que virou referência mineira

A cidade conseguiu um equilíbrio raro entre tamanho e qualidade de vida. É grande o bastante para oferecer universidade federal, hospital de alta complexidade e shoppings de capital, mas pequena o suficiente para que as distâncias continuem humanas.

Você precisa passar uma tarde no Parque do Sabiá e entender por que tanta gente tem trocado as capitais pelo interior mineiro nos últimos anos.

 

 


sexta-feira, abril 10, 2026

 Por causa da carapaça, esta ave rara luta ara sobreviver

Os calaus-de-capacete estão virando alvo do tráfico de animais silvestres, ao mesmo tempo que encolhem os seus hábitats no Sudeste Asiático.

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POR RACHAEL BALE

FOTOS DE TIM LAMÁN

PUBLICADO 26 DE SET. DE 2018, 17:57 BRT, ATUALIZADO 5 DE NOV. DE 2020, 03:22 BRT

Numa floresta no sul da Tailândia, um calau-de-capacete macho aproxima-se da árvore onde a parceira e o filhote ficaram encerrados durante meses, dependendo dele para se alimentar.

FOTO DE TIM LAMÁN

Confira a reportagem completa na edição de outubro da revista National Geographic Brasil.
 

Esta reportagem foi produzida em colaboração com o Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell e faz parte de um esforço para aumentar a conscientização global sobre o calau-de-capacete.

Vim para essa floresta para conhecer uma ave. Mas agora me pergunto se vale a pena tanto esforço.

O terreno no Parque Nacional Budo-Su-ngai Padi, no sul da Tailândia, é tão íngreme que, em certos trechos, dá até para a gente se inclinar para a frente e tocar com as mãos a trilha que ainda vamos percorrer. Em cada passo no solo encharcado de chuva, é enorme o risco de escorregarmos de volta lá pra baixo. Insetos zumbem nos nossos narizes e orelhas, e quem se arrisca a olhar em volta topa com um exército de sanguessugas avançando em sua direção com os pequenos corpos carnudos e ávidos de sangue.

Estamos aqui em busca do calau-de-capacete (Rhinoplax vigil), uma ave antiga, de aparência esquisita e que está se tornando cada vez mais rara. À frente do grupo está Pilai Poonswad, a “grande mãe dos calaus”. Desde 1978, essa cientista tailandesa vem estudando essas aves e lutando a favor da sua proteção. Também estão conosco o fotógrafo Tim Laman e um cinegrafista, além de membros da equipe de Pilai e alguns moradores do vilarejo que fica no sopé da montanha – são eles que carregam os suprimentos e vão nos ajudar na hora de montar o acampamento. Nós sabíamos que aquela missão seria árdua, uma espécie de odisseia – tanto pelos calaus-de-capacete serem aves muito esquivas como pela dificuldade para encontrá-las devido à rapidez com que estão desaparecendo.

 

O casco do calau – a carapaça queratinosa acima do bico – é quase todo sólido. Mais tenro que o marfim, pode servir de base para delicados entalhes de figuras e cenas artísticas. Estes cascos, esculpidos com desenhos chineses,estão confiscados nos Estados Unidos.

FOTO DE TIM LAMÁN

 

Cascos de calau-de-capacete, tigres empalhados e outros itens da fauna silvestre lotam a sala de uma repartição pública em Jacarta, na Indonésia. Bandos criminosos controlados por chineses passaram a contrabandear também os cascos do calau.

FOTO DE RIFKYRANGKONG INDONESIA

Quando, afinal, avistamos a árvore que nos interessa, guardamos uma distância de cerca de 40 metros, ocultos atrás de um pano de camuflagem e galhos entrelaçados. É uma espécie tropical, com 55 metros de altura, erguendo-se bem acima da maioria das outras árvores na floresta. E, projetando-se logo acima da metade do seu tronco, via-se uma cavidade retorcida na qual uma fêmea de calau-de-capacete havia se encerrado meses antes para botar um ovo. Do posto de observação no chão, não é possível vermos nada no interior do ninho, mas sabemos que é apenas uma questão de tempo até que o macho apareça, trazendo comida para a parceira.

As horas vão passando enquanto esperamos, devaneando, imaginando que estamos longe das formigas ou das sanguessugas ou, ainda, daquela incômoda tábua que nos serve de banco. O sol ainda está subindo, mas a umidade já me envolveu com um abraço molhado e pegajoso.

Não sou uma observadora de aves, mas imagino que essa deva ser a experiência típica de quem se dedica a isso. Meu devaneio é interrompido por uma onda se espraiando no ar – Uoosh- -uoosh! As lacunas entre as penas nas asas fazem com que os calaus sejam aves ruidosas ao voar.

 

Um caçador ilegal exibe a pele e a cabeça de um calau R. undulatus (à direita), o crânio e a carapaça de um calau-rinoceronte (no topo), assim como o casco e duas penas da cauda de um calau-de-capacete. Um intermediário rejeitou o calau-de-capacete, alegando que era pequeno demais para ser entalhado.

FOTO DE TIM LAMÁN

Hu. Hu. Hu-hu-hu, hahahaha! Então ouvimos o riso maníaco de um calau-de-capacete. Pelo som, o macho está apenas a algumas árvores de distância. Prendemos a respiração. E, de repente, lá está ele: um dinossauro vivo, medindo mais de 1 metro (sem contar as penas centrais da cauda, que lhe acrescentam mais meio metro), empoleirado na saliência do tronco, com um bicho-pau no bico, os olhos atentos espreitando ao redor.

Silêncio total à nossa volta. O calor irritante se foi, cessou o latejamento no meu tornozelo (torcido dias antes em casa, nos Estados Unidos). Acabou o tormento dos insetos, as cigarras deixaram de estrilar. Ficamos siderados diante daquela cabeça enorme, pesada com o “capacete” ou casco avermelhado sobre o bico amarelo em forma de cunha. Contemplamos o pescoço vermelho enrugado e sem penas, as longas penas pretas e brancas da cauda. É uma visão sobrenatural. Nada havia nos preparado para a sensação esmagadora de maravilhamento que sentimos.

O calau inclina-se sobre a cavidade do ninho e, através da abertura, passa o bicho-pau para o filhote. Missão cumprida, e com outro uoosh das asas, ele vai, atrás de mais comida para a família. 

Confira a reportagem completa na edição de outubro da revista National Geographic Brasil.

quarta-feira, abril 01, 2026

 Descoberta no fundo do mar faz cientistas emitirem alerta após encontrarem provas

Por Caio Bezerra 23/02/2026

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Ilustração de ambiente subaquático com luz atravessando a água. Reprodução / Freepik

O fundo do oceano sempre foi visto como um território distante, quase intocado. Mas o que acontece lá embaixo pode ter consequências diretas para o planeta inteiro. Uma nova investigação científica trouxe dados concretos que mudaram o tom da conversa sobre exploraçã

Após analisarem sinais deixados por uma operação industrial em águas profundas, pesquisadores afirmam que os impactos são reais, mensuráveis e podem durar muito mais tempo do que se imaginava. O alerta não é baseado em hipótese, mas em números coletados no próprio local.

O que os cientistas encontraram no fundo do Pacífico

A descoberta ocorreu na chamada Zona Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico, entre o México e o Havaí. Ali, a cerca de 4.300 metros de profundidade, foi realizado um teste industrial para coletar nódulos polimetálicos. Essas formações rochosas contêm metais como níquel, cobalto e manganês, usados na produção de baterias e tecnologias ligadas à transição energética.

Durante o teste, uma máquina do tamanho de um caminhão percorreu o leito marinho sugando os nódulos do sedimento. Em poucas horas de operação, aproximadamente 3.300 toneladas de material foram retiradas.

A pesquisa, conduzida por um grupo internacional liderado por especialistas do Museu de História Natural de Londres, acompanhou a área por cinco anos. O objetivo era entender o que mudou antes e depois da atividade.

Os resultados chamaram atenção:

• a diversidade de espécies caiu cerca de 32% nas trilhas deixadas pela máquina
• a quantidade total de organismos também diminuiu
• a nuvem de sedimentos levantada alterou o equilíbrio das espécies até fora da área diretamente atingida

Nos laboratórios, os cientistas identificaram mais de 4.300 organismos, distribuídos em 788 espécies. Entre eles estavam vermes, pequenos crustáceos, moluscos e até um coral solitário que vivia preso aos nódulos e foi descrito como uma nova espécie para a ciência.

A camada superficial do fundo marinho, justamente a que foi revolvida pela máquina, é onde vive grande parte dessa vida microscópica e de pequenos animais. Ao remover os nódulos, não se retira apenas minério. Remove-se também o suporte físico onde muitos organismos se fixam e se desenvolvem.

Por que a descoberta levou ao alerta global

O ponto que mais preocupa os pesquisadores é a durabilidade do impacto. Estudos anteriores já mostravam que marcas deixadas por testes semelhantes continuavam visíveis décadas depois. Mesmo quando alguns animais retornam, a composição da comunidade não volta a ser a mesma.

Outro fator relevante é que os nódulos polimetálicos crescem em ritmo extremamente lento, apenas alguns milímetros ao longo de milhões de anos. Isso significa que, na escala humana, eles são considerados recursos não renováveis.

Além disso, o fundo abissal pode ser mais diverso do que os mapas atuais indicam. Muitas espécies aparecem em padrões irregulares, distribuídas em pequenas áreas. Quando uma região é perturbada, pode-se perder organismos que ainda nem foram totalmente estudados.

O alerta surge em um momento decisivo. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, ligada à Organização das Nações Unidas, discute regras que podem permitir ou restringir a mineração comercial em águas internacionais. Entre os temas em debate estão:

• exigência de estudos ambientais mais rigorosos
• limites máximos de perda de biodiversidade
• monitoramento da recuperação das áreas exploradas

Parte da comunidade científica defende uma moratória, ou seja, uma pausa global na mineração em alto-mar até que haja dados suficientes para garantir que os danos não sejam irreversíveis.

Ao mesmo tempo, empresas e governos enxergam nesses metais uma peça estratégica para a economia de baixo carbono. O desafio agora é equilibrar a demanda por recursos com a preservação de ecossistemas que ainda são pouco conhecidos.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.

Caio Bezerra

Jornalista e gestor de marketing pela UniCesumar, com pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais e em Jornalismo e Narrativas Digitais pela ESPM. Atua há mais de seis anos como produtor e editor de conteúdo para o digital.

quinta-feira, março 26, 2026

Especialistas apontam como onça-pintada cruza fronteiras e norteia saúde ambiental

Animal foi tema de discussão na COP15, em Campo Grande

Thais Libni eJúlia Ortega

26/03/2026 09:44Atualizado em 26/03/2026 10:12

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A onça-pintada, considerada como o maior felino das Américas e por atravessar dezenas de quilômetros em poucos dias, foi destaque na Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que acontece em Campo Grande.

                       Onças-pintadas são destaque na COP15. (Foto: Bruno Sartori)

Um dos principais motivos para o debate internacional sobre a espécie é a capacidade de atravessar fronteiras entre países sem reconhecer limites territoriais.

O comportamento da espécie foi discutido no painel “Um continente, uma onça-pintada: construindo conectividade transfronteiriça na América do Sul”, que reuniu pesquisadores e representantes de diferentes países da América do Sul.

De acordo com o analista de conservação do WWF-Brasil, Felipe Feliciani, o deslocamento frequente é uma das características mais marcantes da espécie.

“As onças-pintadas se deslocam muito, andam dezenas de quilômetros todos os dias, principalmente machos jovens em processos de dispersão”, explicou.

 

            Onça-pintada Jaju inicia a travessia do rio em Porto Jofre (Foto: Fábio Paschoal)

Com o potencial para deslocamento, elas atravessam por grandes áreas, muitas vezes cruzando diferentes países, como Brasil, Paraguai e Bolívia.

Os pesquisadores desta caram que entender o modo de vida da espécie é essencial para planejar ações que garantam sua sobrevivência.

Onças indicam ambiente saudável

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“As onças-pintadas são animais topo de cadeia, ou seja, a presença da onça-pintada num território demonstra que aquele território está saudável”, afirmou Felipe Feliciani.

Segundo o analista, quando a espécie está presente, significa que há alimento suficiente e equilíbrio ecológico na região.

Grande população está no Pantanal

O Pantanal é considerado uma das áreas mais importantes para a onça-pintada no Brasil.

O estado atual do bioma ainda não é considerado crítico, mas pesquisadores alertaram na COP15 que mudanças ambientais recentes exigem atenção.

             Pantanal, lar para grande parte das onças-pintadas do país. (Foto: Reprodução)

Segundo o biólogo Rogério Cunha de Paula, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o cenário é estável, mas pode mudar caso os impactos ambientais continuem.

“Ele ainda não chegou no ponto crítico, mas se a gente deixar descontrolado pode vir a ser um problema”, afirmou.

Fatores como alterações no fluxo natural de água e o aumento de incêndios podem afetar diretamente o habitat das onças, conta o pesquisador.

“O Pantanal é simbólico para esse debate, porque concentra populações importantes de onça-pintada e está próximo de fronteiras com outros países”, afirmou Carlos Eduardo Marinello, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Animal cruza países sem cruzar fronteiras

O comportamento da onça-pintada de não reconhecer fronteiras políticas também foi centro do debate. O mesmo animal pode circular entre diferentes países ao longo da vida.

O representante do Ministério do Ambiente do Paraguai, Ramon Torres, explica que o comportamento natural da espécie exige grandes áreas para sobreviver.

“É importante, um elemento tão importante como o jaguar, que não reconhece limites fronterísticos políticos, mas só requer espacios naturais para poder se mover”, afirmou.

Símbolo regional e destaque na COP15

A onça-pintada é considerada um dos principais símbolos naturais do Pantanal e da biodiversidade brasileira, além da importância ecológica.

         Onça-pintada no Pantanal Mato-grossense | Foto: Mayke Toscano

De acordo com Felipe Feliciani, o animal representa equilíbrio ambiental e deve ser valorizado pela população local, por isso teve destaque na COP15.

“A presença de onças-pintadas é motivo de orgulho para o território e deve ser motivo de orgulho para o estado do Mato Grosso do Sul e para o Pantanal”, disse.