sábado, maio 09, 2026

 que matou os últimos mamutes que viveram na Terra?

Há muito tempo, os pesquisadores pensavam que a consanguinidade havia causado um colapso genético na última população de mamutes, mas uma nova análise do DNA desses animais diz o contrário.

FOTO DE ILLUSTRATION BY BETH ZAIKEN

POR RILEY BLACK

PUBLICADO 2 DE MAI. DE 2025, 07:00 BRT

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A última população de mamutes-lanosos (na ilustração acima) viveu na russa Ilha Wrangel até sua extinção, há cerca de 4 mil anos. Anteriormente, muitos pesquisadores teorizaram que a consanguinidade provocou um colapso genético na população, mas uma análise recente do DNA mostra um quadro mais complicado.

A última espécie de mamutes a viver na Terra foi a dos mamutes-lanosos, que viveram em uma pequena ilha por milhares de anos depois que seus parentes com presas foram extintos no continente. Os animais desgrenhados chegaram à Ilha Wrangel, uma faixa de terra de cerca de 150 Km de comprimento na costa da Sibéria (na Rússia), há cerca de 10 mil anos – o que restou de uma espécie que havia se espalhado por grande parte do Hemisfério Norte. 

Mas esses mamutes também não sobreviveram. Há cerca de 4 mil anos, os últimos mamutes-lanosos morreram e levaram a espécie à extinção para sempre. Ninguém sabe ao certo por que os mamutes da Ilha Wrangel acabaram desaparecendo

Análises genéticas recentes, no entanto, indicam que a severa contração da população de mamutes por volta dessa época deixou os animais geneticamente vulneráveis em um mundo em rápida mudança. As mutações que os mamutes acumularam por meio de cruzamentos consanguíneos provavelmente não os mataram, mas foram um fator que contribuiu para uma extinção que se estendeu por milhares de anos.

No novo estudo, a geneticista Patrícia Pečnerová, da Universidade de Copenhague, na Dinamarca, e seus colegas documentam as mudanças genéticas que esse grupo de mamutes-lanosos sofreu antes de sua morte. Os novos dados, publicados no mês passado na revista Cell, representam o capítulo final de uma história de extinção que vinha se desenrolando muito antes de os mamutes chegarem ao seu último refúgio.

“A extinção final dos mamutes na Ilha Wrangel é apenas a última etapa de uma longa cadeia de eventos que levou ao desaparecimento da espécie”, diz Pečnerová, que também é exploradora da National Geographic.

(Você pode se interessar: Descubra o crocodilo pré-histórico que era maior que muitos dinossauros

Humanos ou mudanças climáticas?

Os primeiros mamutes-lanosos evoluíram há cerca de 800 mil anos, espalhando-se até a Espanha pré-histórica, a oeste, e a região dos Grandes Lagos da América do Norte, a leste, durante seu apogeu. A expansão global dos mamutes-lanosos pode ser atribuída ao ambiente peculiar que os herbívoros gigantes preferiam. 

Planícies abertas e gramadas, chamadas estepes dos mamutes, ampliaram sua área de distribuição durante as partes mais frias da Era do Gelo, quando as geleiras cobriam uma parte maior do planeta. Os mamutes-lanosos eram herbívoros que prosperavam nesses habitats, em contraste com os mastodontes elefantinos que preferiam florestas e se saíram melhor nos períodos interglaciais mais quentes.

Quando as geleiras recuaram mais uma vez e o mundo começou a se aquecer, há cerca de 11700 anos, o habitat dos mamutes-lanudos começou a encolher e a se retirar em direção aos polos. Os humanos antigos também caçavam mamutes em algumas partes da área de distribuição dos animais. Além disso, os animais levavam muito tempo para se reproduzir. Essas pressões combinadas causaram o colapso da maioria das populações de mamutes.

“Embora ainda haja muita discussão sobre o papel das mudanças climáticas e da caça humana”, afirma Pečnerová, "o consenso atual é que ambas contribuíram para a extinção". A extinção dos mamutes-lanosos não é sinônimo da morte do último mamute da Ilha Wrangel, mas parte de um processo que se desenrolou ao longo de milhares de anos, à medida que o mundo mudava ao redor deles. hem.

Os ossos de mamute, semelhantes a esta presa e crânio parcial na Ilha Bolshoy Lyakhovsky, na costa russa, podem ser uma fonte de DNA antigo que os pesquisadores podem extrair e analisar.

FOTO DE EVEGENIA ARBUGAEVA, NAT GEO IMAGE COLLECTION

Os últimos mamutes sobreviventes

Os mamutes da Ilha Wrangel, na região siberiana da Rússia, foram os últimos sobreviventes. Os animais representam um caso especial: a extinção dos últimos membros de uma espécie que persistiu em um refúgio, lidando com pressões diferentes das de seus antecessores no continente. 

Um clima global mais quente e úmido fez com que a estepe dos mamutes encolhesse em direção ao polo e, portanto, o fato de os mamutes terem chegado à Ilha de Wrangel é um sinal de mudança climática antiga

No entanto, a mudança climática por si só não levou os mamutes à extinção, e não há nenhuma indicação de que os últimos mamutes tenham sido caçados por humanos. Ao analisar o DNA dos mamutes extraído de ossos e dentes, os geneticistas tentaram descobrir e entender por que a última população sucumbiu

Os pesquisadores por trás do novo estudo exploraram o destino dos últimos mamutes por meio de 21 genomas de mamutes-lanosos de diferentes períodos de tempo, representando tanto a população da Ilha de Wrangel quanto os mamutes anteriores do continente. Pesquisas anteriores sugeriram que os mamutes da Ilha Wrangel estavam tão isolados que mutações genéticas prejudiciais se acumularam rapidamente entre a população. 

Nesse cenário, os mamutes acumularam tantas mutações por meio da consanguinidade que não conseguiam mais produzir descendentes saudáveis em número suficiente para a sobrevivência da população. No entanto, quando Pečnerová e seus coautores analisaram os genes dos mamutes, descobriram um caminho mais complicado para a extinção.

“Parece que toda a população começou com no máximo oito indivíduos reprodutores, mas aumentou rapidamente para algumas centenas”, explica Pečnerová. A genética dos mamutes reflete esse gargalo e expansão. 

“Uma população de mega herbívoros de reprodução lenta que sobreviveu por 6 mil anos foi iniciada por menos animais do que se pode contar com as duas mãos”, observa ela, o que é um cenário mais extremo do que os pesquisadores esperavam.

linha do tempo para as últimas populações de mamutes na Ilha de Wrangel, apresentada no novo artigo, é “uma oportunidade fantástica de observar como os genomas mudaram nessa população pequena e isolada”, diz Rebekah Rogers, geneticista da Universidade da Carolina do Norte em Charlotte, nos Estados Unidos, que não participou do estudo.

Os genomas dos mamutes indicam que, apesar da consanguinidade, a população da ilha logo se estabilizou e até começou a eliminar mutações prejudiciais ao longo do tempo. “Fiquei muito surpresa com a estabilidade genética da população”, comenta Pečnerová. Os mamutes conseguiram sobreviver por cerca de 200 gerações antes de serem extintos. Em vez de diminuírem, os animais estavam se mantendo firmes quando subitamente caíram em extinção.

“A história que contávamos a nós mesmos, que escrevi em minha tese de doutorado e apresentei em conferências, estava errada”, afirma Pečnerová. Os últimos mamutes-lanosos não sofreram um colapso genético. Os herbívoros sofreram os efeitos da consanguinidade, mas isso, por si só, não parece tê-los levado à extinção. 

(Sobre Animais e Ciência, leia também: Será mesmo um lobo-terrível? Como os novos filhotes “extintos” se comparam aos lobos reais)

Uma ligação consanguínea ou o que será que levou à extinção dos mamutes?

Os dados genéticos não apontam o tipo de pressão fatal que acabou com os mamutes da Ilha Wrangel, mas sugerem que o declínio foi rápido

Um fato a ser considerado é que os seres humanos só chegaram à Ilha Wrangel quatro séculos após a morte dos últimos mamutes. Os mamutes podem ter morrido porque não conseguiram acompanhar as mudanças ambientais ou os surtos de doenças, mas essas mudanças são difíceis de rastrear por meio de um registro fóssil limitado.

Embora a última população de mamutes tenha se estabilizado, os autores do novo estudo não podem descartar totalmente as consequências genéticas da consanguinidade. As mutações ainda poderiam ter deixado os mamutes vulneráveis a outras pressões e, mesmo que a população tivesse se mantido por mais tempo, poderiam ter sido persistentes demais para que os mamutes sobrevivessem em um local tão isolado. 

Os eventos de extinção são muito mais complicados do que apenas um fator”, afirma Rogers, observando que as mudanças climáticas, as mudanças nas fontes de alimentos, as secas, as tempestades, as doenças ou outros fatores podem ter contribuído. As mutações prejudiciais entre os mamutes não os ajudaram, ela observa, “mas qualquer afirmação de que os mamutes desapareceram apenas por causa de seus genomas não reflete a história completa”.

Em vez de haver um único evento ou pressão que acabou com o mamute-lanoso, sua extinção ocorreu por meio de milhares de anos de mudanças climáticas e ambientais, caça humana e, por fim, as consequências de passar por um gargalo genético. Esses herbívoros peludos estavam se agarrando a fragmentos de habitat à medida que o clima e os ambientes da Terra mudavam

As consequências genéticas de colapsos populacionais anteriores no continente significaram que a população da Ilha Wrangel pode ter sido formada por “mamutes mortos”, que seriam incapazes de resistir por tempo suficiente para que a estepe de mamutes retornasse.

domingo, maio 03, 2026

Empresa que quer ressuscitar o mamute agora mira um antílope extinto há 260 anos e precisa de mais de 100 alterações genéticas para trazer de volta um animal que só existe em cinco exemplares
Escrito porBruno Teles
Publicado em02/05/2026 às 23:45 pub-7552501551832151

A Colossal quer ressuscitar antílope extinto há 200 anos com mais de 100 alterações genéticas. Só existem 5 exemplares em museus. Entenda o projeto de desextinção.

A Colossal Biosciences incluiu o antílope-azul, extinto por volta de 1800 pela caça na África do Sul, em seu programa de desextinção, projeto que exige mais de 100 alterações genéticas a partir de genoma reconstruído de um dos cinco exemplares de museu, usando edição de DNA, células-tronco e óvulos de antílopes vivos.

A empresa de biotecnologia que já trabalha para trazer de volta o mamute-lanoso, o dodô e o lobo-terrível agora incluiu um antílope extinto na sua lista de animais que pretende “ressuscitar”. A Colossal Biosciences anunciou nesta quinta-feira (30) que o antílope-azul, espécie de nome científico Hippotragus leucophaeus descrita oficialmente em 1766 e extinta por volta de 1800 devido à caça intensiva na África do Sul, se juntou aos projetos de desextinção da empresa, que já envolvem o mamute-lanoso, o dodô, o moa, o tilacino e o lobo-terrível. O antílope-azul desapareceu em pouco mais de três décadas após ser catalogado cientificamente, vítima da colonização europeia que dizimou populações inteiras do animal para obter pele e carne.

O desafio de trazer o antílope de volta é tecnicamente complexo mas conta com vantagem que outros projetos de desextinção não possuem. A proximidade genética entre o antílope-azul e espécies vivas como o antílope-ruão e o antílope-sable facilita experimentos porque permite utilizar óvulos e estruturas reprodutivas de animais existentes como base para gerar embriões com características editadas para se aproximar da espécie extinta. A equipe da Colossal estima que recriar as características do antílope-azul exigirá mais de 100 alterações no código genético, número que reflete tanto a complexidade do processo quanto a limitação de informações disponíveis sobre um animal que só sobrevive em cinco exemplares preservados em museus ao redor do mundo.

Como a ciência pretende reconstruir um antílope que desapareceu há mais de dois séc

O ponto de partida para a desextinção do antílope-azul é um genoma detalhado reconstruído a partir de um dos cinco exemplares de museu. Apesar da escassez de material genético disponível, pesquisadores conseguiram sequenciar o DNA preservado e identificar as diferenças entre o antílope extinto e seus parentes vivos mais próximos, mapeamento que orienta quais alterações genéticas precisam ser realizadas para transformar células de um antílope-ruão em algo geneticamente semelhante ao animal que desapareceu. Estudos indicam que o antílope-azul manteve baixa diversidade genética mas permaneceu estável por aproximadamente 400 mil anos, informação que ajuda os cientistas a entender a viabilidade de recriar uma população a partir de base genética limitada.

As técnicas utilizadas combinam métodos que a biotecnologia moderna desenvolveu nas últimas décadas. A OPU (Operação de Unidade de Proteção) permite coletar óvulos de antílopes vivos com auxílio de ultrassom, através de agulha que alcança o ovário do animal, procedimento que já apresentou bons resultados em espécies como o antílope-ruão e o órix-de-cimitarra. Esses óvulos são então utilizados em fertilização laboratorial combinados com material genético editado para gerar embriões que carregam características do antílope-azul, processo que transforma um animal vivo em portador de traços de uma espécie que a humanidade exterminou há mais de 200 anos.

O papel das células-tronco na recriação do antílope extinto

As células-tronco pluripotentes representam avanço que amplia significativamente as possibilidades do projeto. Essas células têm capacidade de se transformar em diferentes tipos de tecido, o que permite aos pesquisadores realizar testes genéticos de forma controlada sem depender exclusivamente de animais vivos, reduzindo tanto o custo quanto o impacto ético de experimentos que precisam ser repetidos dezenas de vezes até que as mais de 100 alterações genéticas necessárias sejam realizadas com precisão. Para o antílope-azul, as células-tronco funcionam como laboratório intermediário onde edições genéticas são testadas e validadas antes de serem aplicadas em embriões que efetivamente gerarão um animal.

O número de alterações genéticas necessárias é indicativo da distância evolutiva entre o antílope extinto e seus parentes vivos. Mais de 100 modificações no DNA significam que cada gene relevante precisa ser identificado, editado com ferramenta de precisão como CRISPR e verificado para garantir que a mudança produza o efeito desejado sem comprometer outras funções do organismo. Um erro numa única alteração pode gerar anomalias que inviabilizam o embrião, e a margem de acerto precisa ser altíssima quando multiplicada por cem modificações simultâneas, realidade que explica por que projetos de desextinção levam anos e consomem recursos que poucos laboratórios do mundo podem bancar.

Por que a Colossal escolheu o antílope-azul entre tantas espécies extintas

A seleção do antílope não foi aleatória. A existência de parentes vivos geneticamente próximos é vantagem que espécies como o mamute-lanoso não possuem com a mesma intensidade: enquanto o elefante-asiático, parente mais próximo do mamute, divergiu há milhões de anos, o antílope-ruão e o antílope-sable compartilham ancestralidade recente com o antílope-azul, proximidade que reduz o número de alterações necessárias e aumenta a probabilidade de que os embriões editados sejam viáveis. Além disso, trabalhar com a desextinção do antílope pode gerar benefícios para a conservação de outras espécies ameaçadas como o saiga, o adax e a gazela-dama, animais que enfrentam risco semelhante ao que extinguiu o antílope-azul.

O antílope-azul também oferece cenário de reintrodução mais viável do que outras espécies do portfólio da Colossal. As regiões da África do Sul onde o animal vivia ainda existem e podem ser restauradas com apoio de organizações ambientais que já atuam na recuperação de habitats, diferentemente do caso do mamute-lanoso que precisaria de ecossistema ártico que o aquecimento global está transformando rapidamente. Para a empresa, o antílope-azul combina viabilidade técnica com impacto conservacionista que justifica o investimento e que demonstra que a desextinção pode servir à preservação de espécies vivas além de recuperar as que desapareceram.

O que falta para o antílope-azul voltar a existir

Apesar do otimismo da equipe, obstáculos técnicos significativos permanecem no caminho da desextinção do antílope. Métodos como fertilização in vitro e transferência nuclear precisam atingir nível de precisão que projetos com outras espécies ainda não alcançaram plenamente, e cada etapa do processo, da edição genética à gestação em barriga de aluguel de antílope-ruão, envolve variáveis biológicas que a ciência controla apenas parcialmente. Embriões já estão em desenvolvimento e a edição genética avança para etapas finais, mas transformar embrião em animal saudável que sobreviva fora do laboratório é salto que nenhum projeto de desextinção completou até agora.

O objetivo declarado é reintroduzir na natureza um animal muito próximo do antílope-azul em regiões onde ele habitava na África do Sul. Ainda não há garantias de que o resultado final será idêntico à espécie original, porque mesmo com mais de 100 alterações genéticas alguns traços comportamentais e adaptativos podem não ser reproduzíveis apenas por edição de DNA. A proposta que parecia distante começa a se tornar mais concreta à medida que a tecnologia avança, e se a Colossal conseguir trazer de volta um antílope que a humanidade extinguiu há mais de dois séculos, a mensagem será tão poderosa quanto a conquista científica: somos capazes de corrigir erros que nossos antepassados cometeram contra a biodiversidade.

E você, acha que devemos tentar ressuscitar espécies extintas ou é melhor focar na preservação das que ainda existem? Deixe sua opinião nos comentários.

sexta-feira, abril 17, 2026

 A segunda maior cidade de Minas Gerais é também a 2ª do Brasil em qualidade de vida na sua faixa populacional

POR MAURA PEREIRA 15/04/2026 Em CidadesTurismo

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Com cerca de 761 mil habitantes, Uberlândia fica no coração do Triângulo Mineiro e foi classificada como a segunda melhor cidade brasileira em qualidade de vida entre os municípios de 500 mil a 1 milhão de habitantes, segundo o Índice de Progresso Social de 2024.

Como uma cidade do interior virou o segundo polo de Minas Gerais

Fundada em 1888, a antiga São Pedro de Uberabinha cresceu impulsionada pela ferrovia e, mais tarde, pela posição no cruzamento de rodovias federais. Hoje é o principal polo logístico do Triângulo e um dos maiores do Brasil.

A chegada da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) nos anos 1970 mudou o perfil da cidade. Com cerca de 30 mil alunos e o Hospital de Clínicas como referência regional em saúde pública, a instituição transformou o interior mineiro em um centro universitário comparável ao de capitais.

Viva Uberlândia, metrópole dinâmica onde parques como Sabiá, arquitetura moderna e feiras mineiras unem progresso e tradição no coração do Brasil. // Créditos: YouTube @ThiagozRodrigues

Como é o dia a dia de quem mora na cidade?

O cotidiano combina a calma do interior com a estrutura de uma capital média. As avenidas são largas, o trânsito flui em horários que travariam Belo Horizonte e os serviços públicos estão perto de casa em quase todos os bairros.

Moradores cruzam a cidade em 20 minutos de carro, mesmo em dias de maior movimento. A Avenida João Naves de Ávila concentra comércio, bancos e shoppings, enquanto o Centro guarda a Praça Tubal Vilela, ponto de encontro histórico da família uberlandense.

O Triângulo Mineiro abriga uma das potências econômicas que mais crescem no país, unindo inovação e qualidade de vida. O vídeo é do canal Coisas do Mundo, com milhares de inscritos, e detalha o desenvolvimento de Uberlândia:

Por que Uberlândia aparece no topo dos rankings nacionais?

Porque combina indicadores sociais altos com estrutura urbana madura. Segundo a Prefeitura Municipal, a cidade ficou em segundo lugar nacional no Índice de Progresso Social entre os 46 municípios de sua faixa populacional.

O ranking avalia 12 pilares, entre eles saneamento, moradia, educação e segurança. O IDHM de 0,789 também é classificado como alto pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e a cidade tem saneamento básico quase universalizado.

O Parque do Sabiá é o segundo quintal da cidade

Mais do que um parque, o Complexo Virgílio Galassi é o maior espaço de lazer urbano do Triângulo Mineiro. Ocupa 1,85 milhão de metros quadrados na Zona Leste e recebe mais de 10 mil visitantes por dia em média, com picos acima de 20 mil nos fins de semana.

§  Bosque do Parque: 350 mil metros quadrados de área verde com mais de 300 espécies vegetais catalogadas.

§  Zoológico Municipal: autorizado pelo IBAMA, abriga cerca de 200 espécies em recintos de mata atlântica e cerrado.

§  Estádio Parque do Sabiá: maior estádio do interior de Minas, casa do Uberlândia Esporte Clube, com mais de 40 anos de história.

§  Mundo da Criança: parque infantil integrado ao complexo, com brinquedos gratuitos e área de piquenique.

Uberlândia é um município no Triângulo Mineiro, Minas Gerais, com cerca de 761 mil habitantes em 2025. // Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

O que falta na segunda maior cidade mineira?

Nenhuma cidade é perfeita. A distância até os litorais mais próximos é grande, cerca de 800 km até o mar em São Paulo ou no Rio de Janeiro, o que transforma qualquer escapada de praia em viagem de avião.

O crescimento imobiliário acelerado também elevou preços em bairros nobres como Santa Mônica e Morada da Colina, onde o metro quadrado se aproxima do praticado na capital mineira. Ainda assim, o custo de vida geral segue mais baixo que em Belo Horizonte, segundo o IBGE.

Como é o clima no Triângulo Mineiro?

O clima tropical de altitude divide o ano em duas estações bem marcadas: um verão quente e úmido e um inverno seco e ameno. A umidade baixa no meio do ano é um tema recorrente entre moradores.

 Clima ameno, segurança e qualidade de vida fazem dessa cidade mineira um refúgio para famílias e investidores. // Créditos: depositphotos.com / paulobaqueta

Como chegar ao Triângulo Mineiro?

A cidade está a cerca de 540 km de Belo Horizonte pela BR-262 e BR-365, e a pouco mais de 560 km de São Paulo pela BR-050. O Aeroporto de Uberlândia tem voos diretos diários para as principais capitais.

Visite a capital do Triângulo que virou referência mineira

A cidade conseguiu um equilíbrio raro entre tamanho e qualidade de vida. É grande o bastante para oferecer universidade federal, hospital de alta complexidade e shoppings de capital, mas pequena o suficiente para que as distâncias continuem humanas.

Você precisa passar uma tarde no Parque do Sabiá e entender por que tanta gente tem trocado as capitais pelo interior mineiro nos últimos anos.

 

 


sexta-feira, abril 10, 2026

 Por causa da carapaça, esta ave rara luta ara sobreviver

Os calaus-de-capacete estão virando alvo do tráfico de animais silvestres, ao mesmo tempo que encolhem os seus hábitats no Sudeste Asiático.

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POR RACHAEL BALE

FOTOS DE TIM LAMÁN

PUBLICADO 26 DE SET. DE 2018, 17:57 BRT, ATUALIZADO 5 DE NOV. DE 2020, 03:22 BRT

Numa floresta no sul da Tailândia, um calau-de-capacete macho aproxima-se da árvore onde a parceira e o filhote ficaram encerrados durante meses, dependendo dele para se alimentar.

FOTO DE TIM LAMÁN

Confira a reportagem completa na edição de outubro da revista National Geographic Brasil.
 

Esta reportagem foi produzida em colaboração com o Laboratório de Ornitologia da Universidade Cornell e faz parte de um esforço para aumentar a conscientização global sobre o calau-de-capacete.

Vim para essa floresta para conhecer uma ave. Mas agora me pergunto se vale a pena tanto esforço.

O terreno no Parque Nacional Budo-Su-ngai Padi, no sul da Tailândia, é tão íngreme que, em certos trechos, dá até para a gente se inclinar para a frente e tocar com as mãos a trilha que ainda vamos percorrer. Em cada passo no solo encharcado de chuva, é enorme o risco de escorregarmos de volta lá pra baixo. Insetos zumbem nos nossos narizes e orelhas, e quem se arrisca a olhar em volta topa com um exército de sanguessugas avançando em sua direção com os pequenos corpos carnudos e ávidos de sangue.

Estamos aqui em busca do calau-de-capacete (Rhinoplax vigil), uma ave antiga, de aparência esquisita e que está se tornando cada vez mais rara. À frente do grupo está Pilai Poonswad, a “grande mãe dos calaus”. Desde 1978, essa cientista tailandesa vem estudando essas aves e lutando a favor da sua proteção. Também estão conosco o fotógrafo Tim Laman e um cinegrafista, além de membros da equipe de Pilai e alguns moradores do vilarejo que fica no sopé da montanha – são eles que carregam os suprimentos e vão nos ajudar na hora de montar o acampamento. Nós sabíamos que aquela missão seria árdua, uma espécie de odisseia – tanto pelos calaus-de-capacete serem aves muito esquivas como pela dificuldade para encontrá-las devido à rapidez com que estão desaparecendo.

 

O casco do calau – a carapaça queratinosa acima do bico – é quase todo sólido. Mais tenro que o marfim, pode servir de base para delicados entalhes de figuras e cenas artísticas. Estes cascos, esculpidos com desenhos chineses,estão confiscados nos Estados Unidos.

FOTO DE TIM LAMÁN

 

Cascos de calau-de-capacete, tigres empalhados e outros itens da fauna silvestre lotam a sala de uma repartição pública em Jacarta, na Indonésia. Bandos criminosos controlados por chineses passaram a contrabandear também os cascos do calau.

FOTO DE RIFKYRANGKONG INDONESIA

Quando, afinal, avistamos a árvore que nos interessa, guardamos uma distância de cerca de 40 metros, ocultos atrás de um pano de camuflagem e galhos entrelaçados. É uma espécie tropical, com 55 metros de altura, erguendo-se bem acima da maioria das outras árvores na floresta. E, projetando-se logo acima da metade do seu tronco, via-se uma cavidade retorcida na qual uma fêmea de calau-de-capacete havia se encerrado meses antes para botar um ovo. Do posto de observação no chão, não é possível vermos nada no interior do ninho, mas sabemos que é apenas uma questão de tempo até que o macho apareça, trazendo comida para a parceira.

As horas vão passando enquanto esperamos, devaneando, imaginando que estamos longe das formigas ou das sanguessugas ou, ainda, daquela incômoda tábua que nos serve de banco. O sol ainda está subindo, mas a umidade já me envolveu com um abraço molhado e pegajoso.

Não sou uma observadora de aves, mas imagino que essa deva ser a experiência típica de quem se dedica a isso. Meu devaneio é interrompido por uma onda se espraiando no ar – Uoosh- -uoosh! As lacunas entre as penas nas asas fazem com que os calaus sejam aves ruidosas ao voar.

 

Um caçador ilegal exibe a pele e a cabeça de um calau R. undulatus (à direita), o crânio e a carapaça de um calau-rinoceronte (no topo), assim como o casco e duas penas da cauda de um calau-de-capacete. Um intermediário rejeitou o calau-de-capacete, alegando que era pequeno demais para ser entalhado.

FOTO DE TIM LAMÁN

Hu. Hu. Hu-hu-hu, hahahaha! Então ouvimos o riso maníaco de um calau-de-capacete. Pelo som, o macho está apenas a algumas árvores de distância. Prendemos a respiração. E, de repente, lá está ele: um dinossauro vivo, medindo mais de 1 metro (sem contar as penas centrais da cauda, que lhe acrescentam mais meio metro), empoleirado na saliência do tronco, com um bicho-pau no bico, os olhos atentos espreitando ao redor.

Silêncio total à nossa volta. O calor irritante se foi, cessou o latejamento no meu tornozelo (torcido dias antes em casa, nos Estados Unidos). Acabou o tormento dos insetos, as cigarras deixaram de estrilar. Ficamos siderados diante daquela cabeça enorme, pesada com o “capacete” ou casco avermelhado sobre o bico amarelo em forma de cunha. Contemplamos o pescoço vermelho enrugado e sem penas, as longas penas pretas e brancas da cauda. É uma visão sobrenatural. Nada havia nos preparado para a sensação esmagadora de maravilhamento que sentimos.

O calau inclina-se sobre a cavidade do ninho e, através da abertura, passa o bicho-pau para o filhote. Missão cumprida, e com outro uoosh das asas, ele vai, atrás de mais comida para a família. 

Confira a reportagem completa na edição de outubro da revista National Geographic Brasil.