domingo, outubro 04, 2015

Extinta na natureza, subespécie de cavalo selvagem volta a habitat
Cavalos selvagens Przewalski, originários da Mongólia que foram extintos e que ressurgiram
RICARDO MIOTO
EDITOR-ADJUNTO DE "COTIDIANO"
04/10/2015  02h00
Imagine que uma espécie acabe extinta na natureza —sobram só uns poucos indivíduos em zoológicos.
Está tudo perdido ou é possível fazer com que esses animais voltem a se adaptar à vida livre e criem uma população viável, com variedade genética entre os indivíduos?
Um novo estudo, feito com uma interessante subespécie de cavalo, aponta que sim.
Os cavalos-de-przewalski, que vivem na Mongólia, são os únicos verdadeiramente selvagens que sobraram no mundo. Todos os outros "selvagens", inclusive os famosos mustangues americanos, são na verdade ferais —ou seja, cavalos antes domesticados que voltaram a viver livres.
Os cavalos mongóis foram nomeados assim em razão do russo de origem polonesa Nikolai Przewalski, que os descobriu em 1881. Nos anos 1960, porém, os bichos já estavam extintos na natureza, por causa da caça e do uso do solo onde viviam para outras atividades, como a pecuária.
A população chegou a apenas 12 cavalos vivendo em cativeiro, em diferentes locais.
Ulan Bator, Mongólia
Nos anos 1970 e 1980, os cientistas conseguiram aumentar esse número. O grande desafio era evitar cruzamentos sequenciais em família, que poderiam levar a doenças genéticas -com tão poucos indivíduos, qualquer barbeiragem poderia comprometer a existência da subespécie.
A partir dos anos 1990, os bichos foram soltos novamente nas estepes da Mongólia, que são seu habitat —parte dos animais estava em Praga e teve de ser levado de avião pelo Exército Tcheco.
Duas questões angustiavam os especialistas:
1) Eles vão cruzar e ter filhotes na natureza? O tempo mostrou que sim. Hoje, há cerca de 500 indivíduos vivendo livres, boa parte já nascida na natureza.
2) Haverá variabilidade genética suficiente na população para que tais cruzamentos gerem uma prole saudável?
Em um estudo publicado recentemente na revista "Current Biology", os cientistas analisaram os genomas de 12 cavalos, e o resultado foi que eles se mostraram surpreendentemente heterogêneos.
Segundo os pesquisadores, liderados por Ludovic Orlando, da Universidade de Copenhague, isso é um estímulo para que se tente recuperar espécies mesmo quando há pouquíssimos sobreviventes —no limite, mesmo que reste apenas um casal.
Além disso, o estudo permitiu demonstrar geneticamente que realmente há muitas diferenças entre o cavalo-de-przewalski e outras subespécies mais conhecidas. O metabolismo e a propensão a doenças genéticas e os mecanismos de controle muscular, por exemplo, são bem diferentes.
CARACTERÍSTICAS
Os cavalos-de-przewalski diferem dos animais que conhecemos por serem indomáveis. Mesmo os indivíduos que foram criados em cativeiro nunca deram muita trela para os humanos, e montá-los é bastante difícil.
Eles vivem em grupos, e os machos são invariavelmente muito bravos —competem violentamente pelas fêmeas, que são bem mais dóceis, até o dominante subjugar os outros e montar seu harém.
Além disso, os bichos tem o corpo mais atarracado, com pernas mais curtas —são menos "imponentes" do que seus primos que conhecemos.
Tais cavalos mongóis se separaram do tronco da evolução equina que deu origem aos outros cavalos há cerca de 160 mil anos.
Os humanos começaram a ter contato com o tronco não mongol dos ancestrais dos cavalos há no máximo 60 mil anos. No início, estávamos mais interessados em comê-los do que em cavalgá-los -quase todas as espécies domesticadas "começaram a carreira" na panela, aliás, inclusive os cães (mas não os gatos).
Os primeiros registros de montaria ampla são bem posteriores: tudo indica que os pioneiros foram os membros da cultura Botai, que ocuparam o Cazaquistão cerca de 3.500 anos antes de Cristo —e mesmo eles usavam os cavalos domesticados para, veja só, caçar cavalos selvagens, que comiam.
Além disso, em 2009 encontrou-se resquícios de leite de égua nas cerâmicas que usavam, o que significa que provavelmente havia consumo da bebida —até hoje, o kumis, um leite de égua fermentado, refrescante e levemente alcoólico, é muito apreciado na Ásia Central.

quinta-feira, setembro 03, 2015

Pesquisa publicada na revista 'Nature' estimou que há 422 árvores para cada ser humano na Terra
http://epoca.globo.com/colunas-e-blogs/blog-do-planeta/noticia/2015/09/quantas-arvores-ha-no-mundo-cientistas-fizeram-conta.html 
Usando imagens de satélites é fácil saber quantos hectares ou quilômetros quadrados são cobertos por florestas e quantos foram desmatados. É assim que funcionam os programas de controle de desmatamento na Amazônia, por exemplo. Mas quantas árvores têm em cada um desses hectares? Isso é mais difícil de estimar. Uma pesquisa publicada nesta quarta-feira (2) na revista Nature fez exatamente isso. Segundo o estudo, o número de árvores existentes hoje no mundo é de 3,04 trilhões, com 5% de margem de erro. Isso quer dizer: há 422 árvores para cada ser humano vivo na Terra.
Área de floresta tropical em Sumatra, Indonésia (Foto: Ulet Ifansasti/Getty Images)
Para fazer essa conta, os pesquisadores usaram imagens de satélite, equipes em campo, inventários de países e estimativas sobre a densidade de árvores dos 14 tipos de biomas do mundo. A maior parte das árvores está mesmo nas áreas tropicais e subtropicais, como aAmazônia e florestas na África e Indonésia: são quase 1,4 trilhão de árvores. Mas também há bastante árvores de florestas boreais, de países como Canadá e Rússia (0,74 trilhão) e de clima temperado, como na Europa (0,61 trilhão).
Parece muita árvore? Pode até ser. A questão é que esse número está caindo, e rápido, por conta do desmatamento de florestas tropicais. Segundo o estudo, 15,3 bilhões de árvores são derrubadas por ano. Em outras palavras, é como se todo ano você perdesse duas de suas 422 árvores.
O estudo foi liderado pelo pesquisador Thomas Crowther, da Yale School of Forestry & Environmental Studies, e publicado na quarta-feira (2) na revista Nature.

sexta-feira, julho 31, 2015

A morte do leão Cecil inicia o debate: a caça esportiva pode ajudar na conservação?

por Fábio Paschoal em 31 de julho de 2015
O leão mais amado do Zimbábue, foi morto por caçadores esportivos. R.I.P. Cecil – Foto: Reprodução do YouTube
A morte de Cecil, o mais querido e mais fotografado leão do Zimbábue, na África, noticiada esta semana, chocou pessoas em várias partes do mundo. Uma carcaça foi utilizada para atrair o animal para fora do Parque Nacional Hwange, onde a caça esportiva é proibida. Logo depois ele foi alvejado com uma flecha. Cecil conseguiu escapar, resistiu por dois dias, mas foi rastreado pelos caçadores e morto com um tiro na concessão de caça Gwaai. A cabeça e a pele foram levadas como troféus.
Cecil tinha 13 anos e era pai de pelo menos 12 filhotes, que devem morrer quando um novo macho tomar seu lugar. O leão que assume um bando mata os filhotes de seu antecessor para fazer as fêmeas entrarem no cio e iniciar sua família.
Uma fonte que está familiarizada com o problema (e pediu para não ser identificada) entrevistada por Adam Lure, em seu artigo “A morte do leão mais amado do Zimbábue inicia um debate sobre a caça esportiva” (Death of Zimbabwe’s Best-Loved Lion Ignites Debate on Sport Hunting, no título original em inglês), publicado no site de National Geographic, diz que grandes felinos podem ser atraídos para fora de reservas protegidas com iscas colocadas em áreas onde a caça é permitida. Segundo a fonte, não há grandes leões nas áreas de concessão de caça, apesar das alegações da prática de caça sustentável.
Jane Goodall, primatóloga e autora de um dos mais belos estudos científicos já realizados no mundo, expressou seu repúdio em seu site: “Fiquei chocada e indignada ao ouvir a história de Cecil, o leão mais amado do Zimbábue. Para mim, é incompreensível que alguém tenha vontade de matar um animal ameaçado de extinção (hoje, existem menos de 20.000 leões selvagens na África). Mas atrair Cecil para fora da área de segurança de um parque nacional e, em seguida, matá-lo com uma flechada…? Não tenho palavras para expressar minha repugnância,” e concluiu: “E esse comportamento é descrito como esporte.”
O impacto da caça esportiva nos bandos de leões
Entre 1999 e 2004, um estudo da Wildlife Conservation Research Unit at Oxford University, liderado pelo Dr. Andrew Loveridge, analisou o impacto da caça esportiva na dinâmica de uma população de leões do Parque Nacional Hwange (Para saber mais acesse: The impact of sport-hunting on the population dynamics of an African lion population in a protected area)
62 leões receberam colares com GPS. 34 leões morreram durante o estudo. 24 foram baleados em áreas próximas ao parque por caçadores esportivos (13 machos adultos, 5 fêmeas adultas, 6 machos sub-adultos). A caça esportiva foi responsável pela morte de 72% dos machos adultos estudados. A proporção entre machos e fêmeas que era de 1:3 passou para 1:6 em favor das fêmeas. Os territórios deixados pelos leões que morreram foram ocupados por leões que migraram de áreas próximas e infanticídio foi observado.
Um outro estudo (Socio-spatial behaviour of an African lion population following perturbation by sport hunting) realizado no Hwange, analisou o comportamento da população de leões antes e após a legalização da caça esportiva nos arredores do parque. As evidências sugerem que bandos de leões que são perturbados pela caça esportiva apresentam movimentos erráticos, tem uma probabilidade maior de deixar o parque e, consequentemente, estão mais propensos a entrar em conflito com humanos que moram nas fronteiras da reserva.
A caça esportiva regulamentada
Mesmo assim, ainda existem argumentos a favor da caça esportiva. Reservas de caça estabelecem cotas e apenas alguns animais podem ser abatidos por ano. Segundo o artigo “A caça esportiva de leões pode ajudar na conservação?” (Can Lion Trophy Hunting Support Conservation?, no título original em inglês), publicado no site de National Geographic, alguns cientistas, o Serviço Americano de Peixes e Vida Selvagem (USFWS), e alguns grupos de conservação (incluindo o WWF) apoiam a caça esportiva regulamentada. Os defensores dizem que a atividade levanta muito dinheiro, necessário para a conservação das espécies, e pode ajudar no gerenciamento das populações se as autoridades exigirem que os caçadores escolham animais que perderam a capacidade de se reproduzir ou que possam inibir a reprodução de outros ao seu redor.
Autorizações para a caça esportiva são permitidas por tratados internacionais, desde que uma parte significativa dos recursos seja destinada à conservação das espécies na natureza e que seja comprovado por estudos científicos que a morte dos indivíduos selecionados não irá colocar a espécie em risco. Porém, os críticos dizem que a prática está sujeita à corrupção, alimenta a procura de produtos de animais selvagens no mercado negro e as medidas regulatórias são muito difíceis de serem aplicadas na prática (a morte de Cecil é um exemplo disso).
O Vídeo abaixo, filmado por Bryan Orford,  mostra Cecil no Parque Nacional Hwange
Para mim, é difícil acreditar na ideia de matar animais para ajudar na conservação. Mais difícil ainda é derrubar o argumento de Bryan Orford, guia de ecoturismo que trabalhou em Hwange, filmou Cecil várias vezes e deu seu depoimento para a reportagem de Adam Lure. Segundo Orford, Cecil era a principal atração do parque nacional e atraía turistas do mundo inteiro. O guia calcula que as pessoas hospedadas em apenas um dos hotéis nas proximidades do parque pagam coletivamente 9.800 dólares por dia. Em apenas cinco dias de fotografias com Cecil, o Zimbábue ultrapassaria os lucros obtidos com a taxa de 45.000 dólares para a caça esportiva. Estive na África para fazer safáris fotográficos e concordo plenamente com Orford.
O único lado bom disso tudo foi levantado por Jane Goodall: “Pessoas leram a história e também ficaram chocadas. Seus olhos se abriram para o lado negro da natureza humana. Certamente eles estarão mais preparados para lutar pela proteção dos animais selvagens e os lugares selvagens onde vivem. É aí que reside a esperança.”
Descanse em paz, Cecil.

terça-feira, maio 12, 2015

Rota Romântica na Baviera, Alemanha, vai fazer você suspirar (mesmo se estiver sozinho)
Entre castelos e vilarejos, vinhos e cervejas, salsichas e batatas, nosso repórter percorreu a mais apaixonante das rotas alemãs – uma Baviera em estado de graça
                                             Estrada rural em Füssen, um convite para se perder na Rota Romântica

Arrasada pela Segunda Guerra, a Alemanha do final da década de 1940 agonizava. Sem dinheiro para se reerguer, um conjunto de cidades da Baviera se uniu e criou algo que ficou tão famoso quanto a Oktoberfest: aRota Romântica. A ideia era cândida: atrair turistas, principalmente os soldados americanos ainda presentes no país. Hoje a Rota recebe quase 2 milhões de visitantes por ano, que percorrem 380 quilômetros de estradas secundárias entre 28 cidades de sonho. Se a crise europeia poupou a Alemanha, parece ter sido ainda mais complacente com a Baviera. Numa terça-feira, nesta última temporada de verão, um casal de turistas não conseguia se hospedar em Würzburg. “Estamos lotados”, disse a eles Ubrich Kölber, dono de uma pousada local. “Neste ano [2012], o movimento aumentou 10%.”
A maior parte dos visitantes faz a Rota de carro. E, como as estradas e os autos alemães são tudo aquilo que gostaríamos que fossem os do Brasil, considere você também essa opção. Para os menos sedentários, há uma bela ciclovia – mas, aí, com um bônus de 110 quilômetros. Eu me decidi por uma terceira via, o Romantic Road Coach, um ônibus que dá reembarques livres em todas as paradas da Rota com um só bilhete. De Frankfurt a Füssen, rodei o percurso em cinco dias. E voltei feliz para o Japão, onde moro – aliás, na viagem descobri que Alemanha, Brasil e Japão têm cada um sua Rota Romântica (a brasileira, na Serra Gaúcha, de São Leopoldo a São Francisco de Paula). Na Rota alemã, muitos começam a viagem em Munique, visitam os castelos e seguem até Frankfurt. Eu fiz o inverso, deixando os Alpes para o fim – certamente o chantilly do Apfelstrudel.
DE FRANKFURT A WÜRZBURG
Barroco alemão
Frankfurt não faz parte da rota, mas é a principal porta de entrada alemã para os brasileiros. Importante centro empresarial, a cidade preserva sua história a despeito da face business. Com o dia livre, comprei um cartão de transporte integrado e um city tour em ônibus double deck, parando em lugares como a Casa Goethe, onde nasceu o poeta alemão, o Römerberg, bairro com a típica arquitetura germânica, e Schaumainkai, reduto de museus ao lado do Rio Main.
No dia seguinte, acordei cedo para embarcar no ônibus em fente à estação central. O motorista me deu um mapa da Rota em japonês, que eu troquei por outro em inglês. Maioria entre os turistas, os japoneses chegam a reservar hotéis inteiros na região. Pouco mais de 1h30 depois chegávamos a Würzburg, já na Baviera. A primeira imagem da cidade fez um casal de idosos – japoneses – suspirar alto: “Como é romântica!” Até eu me enlevei, esquecendo que fazia a viagem so-zi-nho!
Würzburg é um charme. Cercada por parreirais, a capital vinícola da Franconia produz bons vinhos brancos da uva silvaner, envasados nas Bocksbeutel (“saco de bode”, referência ao bojo redondo das garrafas). O Rio Main corta a cidade, e é às suas margens que estão os melhores bares e restaurantes para apreciar o far niente alemão.
Dá para dizer que esta é uma Alemanha bachiana: há igrejas góticas e barrocas, a Fortaleza de Marienberg, o Palácio Residenz, obra-prima de Balthasar Neumann, o Beckenbauer do barroco germânico. Patrimônio Mundial, o palácio derrubou meu queixo logo no teto da escadaria, adornado com um monumental afesco de Tiepolo. Não parece, mas quase tudo o que se vê de antigo em Würzburg, inclusive o Residenz, é reconstrução do que sobrou da Segunda Guerra. Para ver quão bom ficou o trabalho, suba o morro ao lado do forte e visite a Käppele, pérola rococó de Neumann com rica decoração e uma vista poética do casario cingido pelo Main.
ROTHENBURG OB DER TAUBER
Cidade de a(r)mar
Próxima parada: Rothenburg ob der Tauber, eleita pelos passageiros do “coach” a cidade mais simpática, misteriosa e, sim, romântica da Rota Romântica. Uma verdadeira joia. Houve um pequeno prólogo, uma parada de meia hora na minúscula Weikersheim, onde as grandes atrações são seu castelo e o jardim à Versailles que o cerca. Então, atravessamos as muralhas de Rothenburg sob a sensação de adentrar um set de filmagens. Erguida há mais de mil anos, a cidadela preserva o clima medieval em suas torres, nos canteiros floridos e nas imponentes fontes, outrora essenciais para proteger a vila dos incêndios.
Sabe aquelas pecinhas de madeira com as quais você brincava para criar vilarejos? Pois Rothenburg é uma cidadezinha de armar. Embaixo da torre do relógio há um portão arcado – parece que estamos juntando a peça da ponte vazada com a do tijolinho com relógio. Dois museus chamam atenção: o do Crime, que expõe objetos utilizados para castigar infatores no passado, e do Natal, com os primeiros cartões e enfeites natalinos, alguns do século 15. Mas é a loja do museu, recheada com tudo o que se imagina para decorar a casa, que causa furor. “Parece um sonho”, exultava a turista brasileira Maria Julia Fonseca.
                No Museu do Natal, Papai Noel dá expediente 365 dias por ano - Foto: Imagebroker RM

Se um alemão em Rothenburg mandar você para o inferno (“Fahr zur Hölle!”), não tome como xingamento. O Zur Höll é uma taverna tradicional com boas pedidas de slow food (salsichas, costelinha, kebab) para acompanhar os vinhos locais. Na cidade, não deixe de saborear ainda o Schneeballe, bolota de massa fita coberta com chocolate, nozes ou açúcar.
AUGSBURG A FÜSSEN
Reino da fantasia
Seguindo viagem, dei uma rápida parada em Dinkelsbühl e Nördlingen, duas cidadezinhas adoráveis. Se você quiser fazer um único trecho de bike em toda a Rota, escolha os 30 quilômetros que as separam, mais planos. Augsburg, fundada em 15 a.C. em tributo a Augusto, o primeiro imperador romano, é a maior cidade do percurso e deu à luz figuras como o violinista e compositor Leopold Mozart, pai do Mozart mais famoso, e o escritor Bertolt Brecht, cuja casa virou museu. Repleta de imigrantes italianos, Augsburg estimula os visitantes a deixar as batatas e as salsichas de lado e se deliciar com uma autêntica pasta.
No trecho final da Rota, os Alpes surgem no horizonte e o cenário se transforma. Antes de chegar a Schwangau, o ônibus para na minúscula Steingaden, colocada no mapa graças à Igreja de Wieskirche, outra gema do rococó alemão. Havia tempos eu não entrava em tantas igrejas, não rezava nem agradecia tanto, deslumbrado com a paisagem.
Minha última noite na Rota Romântica foi em um hotel próximo aos castelos de Hohenschwangau e Neuschwanstein, cartões-postais por excelência do itinerário. Naquela noite estrelada, fiquei horas apreciando o Hohenschwangau, todo iluminado. A meu lado, outros turistas não escondiam o encanto. “Mas que triste fazer essa viagem sozinho!”, lembrou-me uma japonesa acocorada nos braços do marido. Hipnotizado pelo cenário, eu havia me esquecido desse detalhe...
No dia seguinte, fui direto buscar os meus ingressos para os castelos, já reservados pela internet. As entradas têm hora marcada; por isso, é bom ficar atento: da bilheteria até o Hohenschwangau são 20 minutos de caminhada ladeira acima. Para o Neuschwanstein, o tempo dobra, mas pelo menos ali dá para ir de charrete ou, ainda melhor, de ônibus, que deixa você na Ponte Marienbrüke, onde há uma vista espetacular para a construção. Última extravagância do rei Ludwig 2º, o Neuschwanstein é conhecido como “Castelo da Cinderela” por ter inspirado o da Disney, erguido em 1955 na Califórnia.
Ludwig morreu antes de ver o Neuschwanstein pronto. Considerado louco, foi destronado em 1886 e, no mesmo ano, encontrado morto. Também produtos de sua excentricidade, o Castelo de Linderhof e o Palácio de Herrenchiemsee, ambos a leste da Rota Romântica, teriam levado o reino à falência. Ironicamente, o espólio do rei é hoje a principal fonte de renda da Baviera. Outro devaneio de Ludwig, o Castelo de Neuschwanstein parece um transatlântico ancorado nos Alpes, mas é dentro que se tem a noção de sua preciosidade. Mármore, porcelanas, pedrarias, ouro e pinturas baseadas nas óperas de Wagner decoram as salas.
Fiquei emocionado com tamanha beleza. O rei era louco, mas não bobo. Em estado de leveza, desci a pé, peguei minha mala no hotel e, antes de embarcar para Füssen, parei em uma cafeteria cheia de turistas no centro histórico. A cena me fez perceber que a guerra pode ter devastado a Baviera, mas não fez um arranhão no legado de seus monarcas sonhadores.

quarta-feira, abril 08, 2015

'Beefalo': o híbrido de vaca e bisão que ameaça o Grand Canyon

3 março 2015
Comportamento considerado "destrutivo" dos 'beefalos' vem causando danos à conhecida reserva natural dos Estados Unidos
Uma estranha criatura híbrida, resultado de uma tentativa fracassada de se criar uma raça metade vaca metade bisão no início do século 20, está causando estragos no Grand Canyon, no sudoeste dos Estados Unidos.

Apelidados de "beefalo", esses animais ─ que atualmente vivem soltos ─ estão se provando uma dor de cabeça tanto para ambientalistas quanto para grupos indígenas, que querem exterminá-los.
Também despertam tanta curiosidade que alguns turistas vêm colocando suas vidas em risco apenas por uma oportunidade para observá-los.
O problema está em seu comportamento considerado "destrutivo": bebem muita água, comem vorazmente, destroem o solo e a vegetação por onde passam.
Estima-se que, na área da reserva natural conhecida como North Rim, vivam cerca de 600 animais dessa espécie.
De acordo com ambientalistas, o "beefalo" pode consumir até 45 litros de água por dia, o que significa que uma manada inteira pode colaborar para baixar consideravelmente o nível de água de um córrego em poucas horas.
Mas esse não é o único dano ambiental que esses animais causam. Também defecam em fontes de água potável e seu peso compacta o solo.
O apetite voraz e o hábito de tomar "banhos de poeira" deixam a terra sem nutrientes, explicam ambientalistas.
Além disso, à medida que sua população cresce, outros animais são obrigados a deixar o local, fazendo com que o ecossistema perca seu equilíbrio natural, acrescentam.
Insetos e plantas exóticas também são afetados com essa mudança.
Destruição
Grand Canyon é considerado uma das sete maravilhas naturais do mundo
Martha Hahn, coordenadora de recursos naturais do Parque Nacional do Grand Canyon, levou a reportagem da BBC a um dos lagos (são sete no total), onde os danos são evidentes.
"Entre 200 e 300 beefalos bebem desta fonte de água e podem acabar com ela muito rapidamente", diz ela.
"Cerca de 80% das nossas plantas e outras espécies dependem de recursos hídricos limitados. Há, no total, provavelmente sete lagos como este no parque e em áreas adjacentes. Sem água, outras espécies serão afetadas", explica ela.
Em um de seus experimentos, Tom Sisk, professor de ciência e política ambiental da Universidade do Norte do Arizona, cercou metade da área de pastagem para estudar os efeitos, mas os "beefalos" a destruíram.
À primeira vista, o potencial destrutivo de uma manada de 600 animais não parece significativo se considerada a extensão do Grand Canyon, mas o impacto dessa espécie se concentra, na verdade, em áreas mais sensíveis.
Os "beefalos" destruíram ruínas de pedra do local, que até hoje é considerado sagrado para muitos grupos indígenas.
População em alta
Logo no início da visita, a reportagem da BBC presenciou centenas desses animais na entrada do parque, ao lado da estrada.
"É incrível. Sinceramente nunca vi tantos juntos em todos os anos que eu trabalhei aqui", disse Sisk.
"Há alguns anos, era comum ouvir histórias sobre o bisão fantasma do Grand Canyon. Por muito tempo, muita gente veio aqui para observar essa criatura. O que estamos vendo agora é um aumento dramático da população de um animal real e potencialmente destrutivo”.
Muitos turistas param para tirar fotos e alguns correm mais riscos do que outros.
"Um acidente ocorre, em média, por dia", diz Hahn. "Se um carro acaba parado entre um bezerro e sua mãe, ela ataca o veículo".
Experiência malsucedida
'Beefalos' vêm causando grandes estragos ambientais no Parque Nacional do Grand Canyon, nos Estados Unidos

A criação dos "beefalos" partiu de um homem chamado Charles "Buffalo" Jones, em 1906.

Naquela época, a população de búfalos - um animal icônico nos Estados Unidos – estava em queda. Jones cruzou, então, os bisões com vacas domésticas para produzir um animal forte, que pudesse ser comercializado.
Quando ele abandonou a ideia, os animais ficaram a cargo dos proprietários dos ranchos onde a espécie era criada. Para controlar o crescimento da população, autoridades locais entregaram licenças de caça limitadas.
Tudo parecia transcorrer sem problemas até o momento em que os "beefalos" entraram no Parque Nacional, onde a caça é proibida e não existem predadores naturais.
O resultado foi um aumento no número desses animais da ordem de 50% ao ano.
Os "beefalos" também se aventuram fora do parque, mas fora da temporada de caça. Hahn acredita que os animais aprenderam a determinar quando o período começa e termina.
Medidas
Por ora, as autoridades locais estão discutindo a melhor maneira sobre o que fazer com os "beefalos".
Enquanto alguns caçadores defendem a ideia de permitir matar os animais, grupos indígenas se opõem à prática por condenarem a morte por esporte.
As opções incluem métodos letais e não-letais, como cercá-los ou dar contraceptivos aos animais.
Mas até o momento, nenhuma das iniciativas se provou bem-sucedida.
Entre as alternativas para reduzir os estragos causados pelos beefalos, houve até quem sugerisse que os indígenas "adotassem" os bisões como animais domésticos, algo que já faz parte de sua tradição cultural.
No entanto, nenhuma ação será implementada até o próximo ano.

terça-feira, março 10, 2015

 A aliança com os lobos que mataram neandertais
Ciência BBC World, bbc_ciencia

·           04 de março de 2015- http://www.bbc.co.uk/mundo/noticias/2015/03/150304_perros_lobos_hombre_moderno_lp.shtml?ocid=socialflow_facebook
Durante 200.000 anos neandertais dominou a Europa, mas depois de alguns milhares de anos após a chegada dos seres humanos modernos se tornaram extintas.
São fiéis guardiões e os melhores e mais antigo amigo do homem.
Mas a nossa gratidão com os cães não deve terminar aí.
De acordo com uma nova teoria proposta por um antropólogo americano eminente, não há outra razão pela qual devemos ser eternamente grato: graças a eles, o homem moderno conseguiu eliminar seu rival, o homem de Neandertal.
(The Alliance) é uma estratégia em que ambos têm a ganharPat Shipman, um antropólogo da Universidade da Pensilvânia
O homem moderno começou a migrar para fora da África cerca de 70.000 anos atrás. 25 mil anos mais tarde veio para a Europa, dominada na época, e uma vez que os neandertais por 200 mil anos.
Alguns milhares de anos depois de sua chegada, o nosso parente evolutivo morreu.
No passado, tem sido sugerido que sua morte pode ter sido devido às mudanças climáticas. Também especula-se que pode ter perdido a competição com os nossos antepassados, porque eles tinham mais eficiente para armas de caça.
Mas Pat Shipman, um pesquisador da Universidade da Pensilvânia, nos Estados Unidos, a chave para o seu fim está em outro lugar.
Aliança
                           Os cães e os seres humanos caça é dividida para maximizar os resultados.

"Naquela época, os humanos modernos e os neandertais e os lobos eram os principais predadores e competindo por mamutes de caça e outros herbívoros de grande porte", diz Shipman.
"Mas, então, formamos uma aliança com os lobos e isso significaria o fim dos neandertais."
Nossos ancestrais e começou a domar lobos, os cães que vão para baixo, e com a sua ajuda aperfeiçoou a estratégia para a caça.
Esta associação, Shipman argumenta, lhes permitiu dividir o trabalho de forma eficiente.
(Cães) obter mais alimentos mais rápido e sofrer menos lesões em busca de alimento. Além disso, ganhar um pouco de protecção da saúde humana com quem vivemPat Shipman, um antropólogo da Universidade da Pensilvânia
Esses cães primitivos perseguindo seus -alces presa, bisões e assim sucessivamente até cansarlas, o que permitiu seres humanos para economizar energia, e eles os mataram quando eles já estavam encurralados, quando eles geralmente considerado o mais perigoso em uma caça .
"É uma estratégia em que ambos win-win", diz o antropólogo.
As vantagens são evidentes para os seres humanos, mas em que os cães se beneficiar?
"Eles ficam mais alimentos mais rápido e sofrer menos lesões em busca de alimento", diz Shipman disse à BBC.
"Além disso, ganhar um grau de protecção da saúde humana com quem vivem."
A supremacia de espécies invasoras
Ao longo dos milênios seguintes foram desaparecendo da Europa, leões, hienas mamutes e bisões.

Sua teoria parece ressoar na prática, o que acontece com as espécies invasoras.
"Nós sabemos que as espécies invasoras, e os seres humanos são claramente fora do ambiente em que eles desenvolveram está em perigo, porque eles sabem o seu novo habitat."
"Pode-se pensar, então, que os recém-chegados estão em grande desvantagem. Mas, na verdade, muitas vezes invadindo predadores superam nativos".
O preço desta coalizão parece não ter pago apenas neandertais.
Ao longo dos milênios seguintes foram desaparecendo da Europa, leões, hienas mamutes e bisões.
Controvérsia
A idéia de Shipman, explicou em seu livro "Os Invasores: como os seres humanos e os seus cães moderna levou à extinção dos neandertais", publicado este mês, não é sem controvérsia, especialmente com os avanços nos muito as origens domesticação de cães descendem dos lobos, que de acordo com as teorias anteriores aconteceu há cerca de 10.000 anos atrás, com o surgimento da agricultura.
Shipman teoria avançada em idade domesticação dos cães.

Lugares do antropólogo este evento antes da última Idade do Gelo.
Pois foi baseado em recente cão descobertas de fósseis 33.000 anos encontrado na Sibéria e na Bélgica atrás.
Embora se assemelham aos de um lobo, mostram claros sinais de domesticação.
No momento em que a parceria foi formada, o que ocorreu sobre quando os neandertais estavam morrendo, diz o pesquisador, um grupo de lobos estava sendo domado.
"Havia um grupo de animais que pode ser descrito como cão-lobos. Eles olharam diferente. Você pode pensar que havia dois grupos distintos de lobos", explica Shipman para a BBC ", ou que este pequeno grupo de animais raros que não tinha conhecido antes porque não tinha ferramentas, foram uma primeira tentativa de domesticação ".