quarta-feira, dezembro 27, 2023
segunda-feira, outubro 23, 2023
Uberlândia, uma cidade internacional?
Por: João Pedro Gurgel e Silva
Publicado em 10/06/2020 às 14:30 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52
Salvo raras e louváveis
exceções, quando pensamos em cidades internacionais, não nos escapam à memória
cidades como Nova York, Londres, Paris ou mesmo São Paulo. Porém, não somente
às megalópoles estão abertas as portas do mundo, explicam as obras de Panayotis
Soldatos.
Para o europeu, além do intercâmbio comercial, cidades
internacionais são aquelas que contam com uma multiplicidade de canais de
comunicação com o exterior, com destaque à presença de suas instituições, ao
exercício de sua paradiplomacia pública e à composição étnica de sua população.
Diante dos desafios de um mundo globalizado e de constante
inovação, os planos de política externa de uma cidade tornam-se peças centrais
na concretização e na cooperação das ações públicas e privadas, de curto a
longo prazo. Assim, dirigem-se para a execução de grandes projetos que combinem
objetivos de crescimento econômico e de desenvolvimento urbano a partir da
internacionalização das suas relações municipais.
A política externa de uma cidade antecede as ações dos poderes
instituídos que se incubem da paradiplomacia, implementando a parte que lhes
cabem de um projeto maior, partilhado por uma pletora de atores locais.
Apesar da inexistência de um marco regulatório, as atuações
internacionais de cidades brasileiras estão assentadas nos princípios da
predominância do interesse e da subsidiariedade pactuados entre os entes
federativos. Sendo assim, suas relações internacionais representam a
externalização de suas competências e são contidas pela Diplomacia do Itamaraty,
como elucidam os artigos 4, 23, 54 e 84 da Constituição Federal vigente.
Porto Alegre, Paraty, Petrolina… são muitas as cidades
brasileiras internacionalmente reconhecidas por desenvolverem projetos de
cooperação, de captação de recursos, de promoção econômica direcionadas para o
fomento do comércio exterior, de investimentos, do turismo e de setores
estratégicos; ou mesmo pelo papel desempenhado em relevantes discussões
internacionais, como no Programa Internacional de Cooperação Urbana da União
Europeia para a América Latina e o Caribe, na Localização dos Objetivos de
Desenvolvimento Sustentável e no Acordo de Paris.
Uberlândia
Desde o final do último século, Uberlândia se diferencia ao
comportar uma série de investimentos para a produção de uma localização
privilegiada, no afã da incorporação produtiva dos cerrados e na conformação de
uma agroindústria comercial e de exportação na região - simbolizados pela
construção da universidade federal e do porto seco.
O entreposto da Zona Franca de Manaus, a partir de 2010, marca a
crescente irradiação do dinamismo econômico e a consolidação da estratégia
logística da cidade com infraestrutura e transporte multimodal, para
distribuição e acesso aos principais mercados nacionais, ao Mercosul e ao mundo.
Reconhecida pela ONU como uma das cinco cidades no mundo com
população entre 500 mil e 1 milhão de habitantes com qualidade de vida e
sustentabilidade, na última década, Uberlândia se tornou também um dos
maiores centros brasileiros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) e
referência em tecnologias da informação e comunicação, ocupando, então, a
posição de primeira cidade do interior em número de startups.
A Política Externa contemporânea de Uberlândia começa, de fato,
quando são definidas as metas e prioridades da administração Odelmo Leão, do
Partido Progressistas (PP), sancionadas pelo legislativo local, com a
incorporação da dimensão internacional ao poder executivo, a partir dos
programas “Desenvolvimento Econômico, Emprego, Renda e Internacionalização”,
“Uberlândia - Destino Inteligente e Humano” e “Uberlândia Inovadora”, sob
alçada da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Inovação e Turismo
que recebeu, entre 2017-2019, cerca de R$ 6 milhões do orçamento municipal para
a implementação de atividades de incentivo à infraestrutura e ao ‘ecossistema’
de inovação, à aplicação de tecnologias de smart cities e de apoio à micro e
pequenas empresas.
Todavia, as cooperações, os recursos e até a inserção comercial
internacional, carecem de capacidades técnicas especializadas, exigindo do
internacionalista competências para a análise, elaboração e operacionalização
das relações internacionais municipais. O Grupo de Extensão Uberlândia no
Contexto Internacional (GEUCI/UFU), ao receber graduandos e pós-graduandos
vinculados ao Instituto de Economia e Relações Internacionais (IERI/UFU),
busca, na integração entre atividades de Ensino, Pesquisa e Extensão,
satisfazer tal demanda, monitorando e auxiliando a internacionalização de
Uberlândia para a promoção do desenvolvimento regional.
*João Pedro Gurgel e Silva é discente do Curso de Relações
Internacionais do IERI/UFU, pesquisador voluntário Pivic/PROPP/UFU e
coordenador discente do GEUCI/IERI. Disponível para contato em: lattes.cnpq.br/055086622373006, joao.gurgel@ufu.b e linkedin.com/in/jpgurgelsilv. Esse
artigo apresentado na Semana de
Internacionalização INTERUFU 2019 - Faculdade de Gestão e Negócios (Fagen/UFU)
e na XI Semana Acadêmica de Relações Internacionais (SARI), do Instituto de
Economia e Relações Internacionais (IERI/UFU).
A seção "Leia Cientistas" reúne textos de divulgação
científica escritos por pesquisadores da Universidade Federal de Uberlândia
(UFU). São produzidos por professores, técnicos e/ou estudantes de diferentes
áreas do conhecimento. A publicação é feita pela Divisão de Divulgação
Científica da Diretoria de Comunicação Social (Dirco/UFU), mas os textos são de
responsabilidade do(s) autor(es) e não representam, necessariamente, a opinião
da UFU e/ou da Dirco. Quer enviar seu texto? Acesse: www.comunica.ufu.br/divulgacao.
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dias.
Palavras-chave: Leia Cientistas Ciência Divulgação Científica Uberlândia Relações Internacionais Economia Cidade
quinta-feira, setembro 28, 2023
O início de uma cidade
Publicado em 26/08/2020 às 15:46 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52
Os primeiros moradores
Para reconstruir a trajetória de uma cidade, os historiadores recorrem a diversas fontes, como documentos oficiais, atas da Câmara Municipal, fotografias, relatos orais e até mesmo à imprensa. Também é importante considerar as contribuições de várias áreas do conhecimento para conhecer o nosso passado. Por esses motivos, o Comunica UFU conversou com os professores Jean Neves Abreu, do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (Inhis/UFU), e Beatriz Ribeiro Soares, do Instituto de Geografia (IG/UFU), sobre a formação e o desenvolvimento urbano da cidade.
Segundo o Atlas Educacional de Uberlândia, os primeiros indícios de ocupação urbana da cidade correspondem aos indígenas do grupo étnico Caiapós. A primeira pessoa de origem europeia a conhecer a região foi o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, de acordo com Neves. O historiador complementa que paira sobre o imaginário social a figura dos bandeirantes como “heróis” nacionais e desbravadores, porém, essa percepção gera muitos debates e revisões nos estudos sobre a história nacional.
“A mitologia em torno dos bandeirantes está presente em livros como Vida e morte do bandeirante, de Alcântara Machado, em 1929. Este livro foi apropriado como obra que enaltece um determinado passado da história paulista. Porém, é interessante observar que outras publicações foram desconstruindo essa imagem, a exemplo de Caminhos e Fronteiras, de Sérgio Buarque de Holanda, e vários estudos publicados que procuraram desmistificar a imagem de heróis e desbravadores atribuída a esses indivíduos”, explica.
Essa interação entre os indígenas e os bandeirantes pode parecer ter sido totalmente pacífica. Entretanto, Neves ressalta que as populações que deram origem a São Pedro de Uberabinha (futura Uberlândia) “colaboraram no desenvolvimento das relações com outras regiões, mas também tiveram um impacto sobre as populações indígenas e também quilombolas. Impactos culturais e sociais na desarticulação de seus modos de vida, hibridismos de forma de vida, além de impactos na dizimação dessa população.”
Manter a memória dos povos indígenas da região de Uberlândia requer esforços. É por isso que a Universidade Federal de Uberlândia mantém o Museu do Índio - criado em 1987. Apesar das visitações presenciais estarem suspensas, você pode conferir a história indígena de Uberlândia por meio dos vídeos do canal do museu no YOUTUBE .
A constituição de Uberlândia
Uberlândia está situada na região de planejamento do estado Triângulo Mineiro. Essa área, então conhecida como ‘sertão da farinha podre’, pertenceu à província de Goiás até o ano 1816, quando o Triângulo foi incorporado a Minas Gerais. No ano seguinte, 1817, as primeiras posses de terra começaram a acontecer.
De acordo com o Atlas Educacional, em 31 de agosto de 1888, São Pedro de Uberabinha passou a ser um município, com duas ocorrências históricas importantes para o desenvolvimento da cidade: a criação da 1ª Câmara Municipal, em 1892, e a construção de uma ferrovia pela companhia Mogiana para fazer ligações com as cidades mais desenvolvidas. Em 1929, por meio de um plebiscito, o nome do município passou a ser Uberlândia, que significa ‘Terra Fértil’.
“O contato entre a antiga região de Uberlândia e os estados de São Paulo e Goiás foi estabelecido nas rotas abertas desde os séculos XVIII e XIX. Além disso, a estrada de ferro Mogiana (que se estendeu por aqui em 1895) colaborou também para comércio regional e entre São Paulo e Uberlândia. No início do século XX é que as rodovias assumiram uma fundamental importância para a região. Essa 'opção' pelo transporte rodoviário, feita por Uberlândia, veio garantir sua inserção comercial, já que não era 'ponta de linha' da Mogiana”, explica Neves.
A docente Soares graduou-se em Geografia pela UFU, no ano de 1974, e pesquisou os projetos urbanísticos e planos diretores de Uberlândia no mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Ela afirma que a cidade teve vários planos diretores e o primeiro veio em 1905, para o planejamento das cinco avenidas principais: Cipriano Del Favero, João Pinheiro, Floriano Peixoto, Afonso Pena e Cesário Alvim. Da próxima vez que você passar por alguma dessas avenidas, lembre-se: elas foram inspiradas pelo urbanista francês Haussmann, que remodelou o projeto urbano de Paris.
“Quando eu ainda estudava esses primeiros planos diretores, que foram o tema da minha tese de doutorado, vi que muita coisa ainda estava sendo construída no final dos anos 90. Por exemplo, a área cultural projetada por volta de 1954 tornou-se o próprio Teatro Municipal de Uberlândia posteriormente.”
A geógrafa também ressalta que as características físicas da região favoreceram para a expansão, uma vez que o sítio urbano é mais plano, sem uma barreira física como uma montanha, por exemplo. Também cabe destacar que o processo de urbanização da cidade contribuiu para o distanciamento de certas populações do centro da cidade, com a construção de conjuntos de casas populares distantes do centro.
Inevitavelmente, uma tendência para o espaço urbano uberlandense é o policentrismo: se você visitar os bairros Santa Luzia e Luizote, vai perceber que há avenidas com comércio variados, áreas de lazer e até centros médicos. A professora acredita que a descentralização da cidade pode acontecer com bairros como Pequis e Monte Hebron.
Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.
Palavras-chave: Uberlândia história Cidade
sábado, dezembro 03, 2022
Pantanal
Pantanal é um dos menores biomas brasileiros, presente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É conhecido como a maior planície alagada do mundo.
domingo, março 14, 2021
RIO UBERABINHA
https://www.uberlandia.mg.gov.br/prefeitura/secretarias/meio-ambiente/rio-uberabinha/
O rio Uberabinha é a vida da nossa cidade, conhecê-lo e preservá-lo agora é um compromisso com o futuro e a certeza da garantia de uma melhor qualidade de vida para os habitantes de Uberlândia.
Nascente do Rio Uberabinha
O rio Uberabinha é o principal manancial utilizado para o abastecimento de água de Uberlândia. Suas nascentes estão localizadas no município de Uberaba, a cerca de 96 km ao sul da cidade, próximo ao distrito de Tapuirama.
A área total da bacia hidrográfica é de 2000 km², possuindo 49 afluentes, sendo os mais importantes os ribeirões Beija-Flor, Bom Jardim e Rio das Pedras.
As matas ciliares
A região das nascentes é um chapadão, a cerca de 900 metros de altitude, onde a vegetação natural é o campo cerrado. Ocorrem também extensas áreas de brejo, constituídas de solos úmidos, com espessos horizontes de argila branca recoberta de turfa. É neste ambiente que aparecem os covais, um ecossistema importante para a manutenção do regime hídrico do rio, além de ser um refúgio para a fauna silvestre.
No médio curso as águas mansas correm por vales abertos com amplas planícies de inundação onde ocorrem capões de mata e lagoas temporárias.
Na descida rumo à cidade, o rio Uberabinha percorre áreas de lavouras, pastagens e reflorestamento. Acompanhando o curso do rio, encontramos longos trechos de matas ciliares que, com sua vegetação rica e variada, oferecem alimento para a fauna, ajudam a preservar a qualidade da água e protegem as margens dos processos erosivos evitando o assoreamento da calha do rio. Em algumas áreas em que a mata ciliar foi suprimida, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, num esforço conjunto com os proprietários rurais, vem desenvolvendo o projeto de recomposição da mata ciliar com essências nativas ou adaptadas ao cerrado mineiro.
Nesta parte do rio são encontrados locais de antigas lavras de cascalho que, após desativadas, tornaram-se lagoas de águas cristalinas.
A partir do médio curso começam aparecer diversas corredeiras e cachoeiras de grande beleza paisagística, propiciando potencial turístico e lazer. A cachoeira mais importante é a de Sucupira, onde está localizada uma das Estações de Captação e Tratamento de Água que abastece a cidade.
Cachoeira dos Dias
É a primeira cachoeira do baixo curso e está localizada próximo à usina de triagem e compostagem de lixo.
Cachoeira dos Martins
Situada junto à Usina dos Martins, que até hoje contribui com geração de energia.
Cachoeira Miné
Fica próxima ao Distrito de Martinésia, com grande beleza natural.
Cachoeira de Malagone
Última cachoeira do rio Uberabinha, possui aproximadamente oito metros de queda e um grande volume de água.
sexta-feira, fevereiro 21, 2020
Funcionamento: Terça a domingo – das 8h às 16h, com permanência até às 17h
Entrada gratuita!













