quinta-feira, janeiro 18, 2018

Dinossauro 'arco-íris' chinês tinha penas como as de beija-flores  https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=14852578#editor/target=post;postID=8219862386362526798 
Representação de como seria o dinossauro Caihong
WILL DUNHAM DA REUTERS, EM WASHINGTON   18/01/2018  02h00
Cientistas anunciaram na segunda (15) a descoberta de um dinossauro do tamanho de uma gralha e semelhante a um pássaro, com penas iridescentes, que viveu há 161 milhões de anos, no período Jurássico, na China.
Os cientistas deram ao dino o nome Caihong, que significa arco-íris em mandarim.
Estruturas microscópicas no fóssil, bem preservado e quase completo, escavado na província de Hebei, indicam que ele dispunha de penas iridescentes, especialmente na cabeça, peito e pescoço, com cores que oscilavam e mudavam dependendo da luz, como ocorre nos beija-flores.
A descoberta "indica que o mundo Jurássico talvez tenha sido mais colorido do que imaginávamos anteriormente", disse Chad Eliason, biólogo evolutivo do Museu Field de História Natural, em Chicago, nos EUA, e um dos pesquisadores envolvidos no estudo publicado na revista "Nature Communications".
Usando microscópios, os cientistas detectaram nas penas resíduos de organelas chamadas melanossomas, responsáveis pela pigmentação. A forma dos melanossomas determina sua cor. As penas de Caihong tinham melanossomas em forma de panqueca, semelhantes aos dos beija-flores de penas iridescentes.
Embora o animal tenha muitas características em comum com os pássaros, os pesquisadores duvidam que pudesse voar. A plumagem talvez servisse para atrair parceiros e para fornecer isolamento térmico.

Caihong juji, nome científico que significa "arco-íris com grande crista", provavelmente caçava pequenos mamíferos e lagartos. O dino era um predador bípede com crânio semelhante ao de um velociraptor e dentes afiados. Ele tinha cristas por sobre os olhos que se assemelhavam a sobrancelhas ósseas.
Muitos dinossauros tinham penas. Os pássaros evoluíram de pequenos dinossauros plumados, perto do final do Jurássico.
Caihong tinha tanto plumas quanto penas penáceas, como as usadas para escrita. Ele é o exemplar mais antigo de criatura com penas assimétricas já identificado, um traço que os pássaros empregam para mudar de direção quando em voo. As penas penáceas de Caihong ficavam na cauda, sugerindo que penas de cauda e não penas nos braços foram usadas inicialmente para locomoção aerodinâmica.
"É bem parecido com alguns dos primeiros pássaros, como o arqueoptérix", disse o paleontologista Xing Ju, da Academia Chinesa de Ciência, se referindo ao primeiro pássaro conhecido, que viveu 150 milhões de anos atrás. "Seus membros anteriores eram configurados como asas. Para ser honesto, não sei bem que função as penas tinham, e não creio que seja possível excluir completamente a possibilidade de que elas o ajudassem a subir ao ar."
Perguntada sobre o que alguém diria ao ver Caihong, Julia Clarke, paleontologista da Universidade do Texas, respondeu: "'Uau!' E se a pessoa fosse parecida comigo, ia querer um desses como bichinho de estimação. Mas não seria um bom bicho para as crianças".                                                                                                                              

quarta-feira, janeiro 10, 2018

Fungos em fezes dão pistas sobre fim de bichos gigantes.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2018/01/1949260-fungos-em-fezes-dao-pistas-sobre-fim-de-bichos-gigantes.shtml                                                        
Gliptodonte (parente extinto dos tatus)
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA 
10/01/2018  02h02
Um dos maiores mistérios da pré-história brasileira ficou um pouco mais claro graças à análise meticulosa de fungos que crescem no cocô de herbívoros de grande porte. O declínio desses fungos a partir de 18 mil anos atrás sugere que a megafauna do Pleistoceno (ou seja, os mamíferos gigantes que existiam por aqui na Era do Gelo) começou a desaparecer antes que os seres humanos chegassem ao atual Brasil.
Esse dado, contudo, talvez não seja suficiente para demonstrar a inocência dos primeiros habitantes do país no fim da megafauna. É que a extinção dos bichos só ocorreu de vez há uns 11,5 mil anos –época em que o Homo sapiensjá estava instalado por aqui.
Faz sentido imaginar, portanto, que tenha havido uma interação entre a causa inicial do declínio (provavelmente a mudança climática) e a ação humana para que o desaparecimento dos animais se consumasse.
Tais conclusões estão num estudo publicado na revista científica "Quaternary Research" por um trio de pesquisadores: Marco Felipe Raczka, brasileiro que faz pós-doutorado no Instituto de Tecnologia da Flórida (EUA), Paulo Eduardo de Oliveira, do Instituto de Geociências da USP, e Mark Bush, também do instituto da Flórida.
LAGOA SANTA
O trio estudou um dos mais importantes complexos pré-históricos do Brasil, a região de Lagoa Santa (MG), perto de Belo Horizonte.
Fósseis de grandes mamíferos extintos e de seres humanos têm sido encontrados por cientistas nas cavernas calcárias de Lagoa Santa desde o começo do século 19.
A megafauna mineira, a exemplo da de outros locais do continente, incluía feras como preguiças-gigantes, parentes dos tatus do tamanho de um Fusca, gonfotérios (primos dos elefantes, também com tromba e grandes presas), ursos, cavalos e dentes-de-sabre (que não eram tigres, como se costumava dizer –eram parentes distantes dos felinos atuais).
Para reconstruir a história populacional desses bichos e a da vegetação que existia ao redor deles, os pesquisadores recolheram e dataram camadas de sedimentos de duas lagoas, conhecidas como Mares e Olhos D'Água.
A ideia é que, ao longo dos milênios, grãos de poeira e de pólen, pedacinhos de carvão e outros resquícios do ambiente circundante foram afundando e chegando ao leito das lagoas, formando uma espécie de biblioteca do que havia na região em cada período.
As datas obtidas pelos cientistas nos dois corpos d'água vão de 23 mil anos atrás até épocas recentes. Uma constatação importante derivada da análise é que o ambiente na região de Lagoa Santa era bem diferente do atual.
Hoje, a vegetação nativa da área é uma mistura de mata atlântica e cerrado, mas durante o Pleistoceno parecem ter sido comuns por ali as espécies de árvores típicas de regiões mais frias e/ou mais elevadas do país, como as araucárias (não por acaso, também conhecidas como pinheiros-do-paraná) e os podocarpos. Esse tipo de cobertura vegetal bate com a estimativa de que, naquela época, a temperatura média do Sudeste brasileiro era uns 5 graus Celsius mais fria do que a de hoje.

A outra pista crucial veio da abundância relativa dos esporos de fungos do gênero Sporormiella, que costumam estar presentes em grande quantidade, por exemplo, em lagos em cujas vizinhanças o gado pasta com frequência –o fungo nas fezes dos bichos acaba sendo carreado para a água.
Em estudos feitos na América do Norte, por enquanto o lugar onde o desaparecimento da megafauna foi estudado de forma mais completa, os últimos registros de fósseis dos bichões mais ou menos coincidem com a diminuição de Sporormiella nos sedimentos, e o mesmo vale, grosso modo, para os Andes.
Em ambas as lagoas do interior mineiro, os registros mais antigos são de abundância dos esporos fúngicos (na lagoa Olhos D'Água, por exemplo, chega a haver mais de 4.000 esporos por centímetro cúbico de sedimento). No entanto, a partir de 18 mil anos atrás, os restos de Sporormiella vão ficando paulatinamente mais raros, até desaparecer totalmente entre 12 mil e 11,5 mil anos atrás.
GOLPE DE MISERICÓRDIA
Dois detalhes cruciais precisam ser levados em consideração para tentar entender o que aconteceu.
Primeiro, de fato, o início desse processo, provavelmente ligado à extinção da megafauna, coincide com uma fase mais quente e úmida do clima, perturbando o habitat tradicional dos bichos e afetando a população deles. Nesse momento, ainda não havia seres humanos nas imediações de Lagoa Santa –nem, pelo que sabemos, no resto do Brasil.
O segundo ponto, porém, é que as condições climáticas voltaram a ficar mais frias por alguns milênios na região –e mesmo assim as perdas populacionais da megafauna continuaram, e isso numa fase em que o Homo sapiens já estava colonizando o interior mineiro. Esse conjunto de dados é que leva os pesquisadores a postular que a ação humana pode ter sido o golpe de misericórdia em espécies que já não andavam muito bem das pernas.
O que falta para encerrar o caso, então? Além de confirmar o quadro geral em sedimentos de outros locais do país, seria importante achar evidências diretas de que os primeiros brasileiros caçavam mesmo a megafauna.
Em Lagoa Santa, curiosamente, isso não existe: as escavações mais intensas feitas até hoje na região sugerem que os moradores originais capturavam mamíferos de porte mais modesto, como veados e porcos-do-mato. Nada que se compare, portanto, aos grandes sítios de abate de mamutes encontrados nos EUA no século passado.
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FALTOU CLIMA OU FOI O HOMEM?

Entenda o estudo sobre o fim da megafauna no Brasil
A MEGAFAUNA
Até cerca de 10 mil anos atrás, a região era habitada por uma conjunto impressionante de mamíferos de grande porte, hoje extintos. Veja exemplos de espécies da região de Lagoa Santa
                                                  Gliptodonte (parente extinto dos tatus
                                                  Dente-de-sabre Smilodon populator
                                                Preguiça-gigante Catonyx cuvieri
A ANÁLISE
Os cientistas recolheram, dataram e analisaram sedimentos do fundo de duas lagoas da região, conhecidas como Marés e Olhos D'Água. Eles procuraram, entre outras coisas, esporos de um fungo que só nasce em fezes de grandes mamíferos

A proporção dos esporos do fungo nos sedimentos começa a cair por volta de 18 mil anos atrás, antes da chegada dos seres humanos à região, chegando a níveis próximos de zero por volta de 11 mil anos atrás, quando já há humanos em Lagoa SantaOS RESULTADOS
CONCLUSÃO
O declínio da megafauna na área começou antes da interferência humana, talvez por razões climáticas, mas pode ter se intensificado por causa da caça

terça-feira, dezembro 19, 2017

   Estudo sugere considerar guepardo como 'em perigo' 13/12/2017 DE SÃO PAULO   http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2017/12/1942820-estudo-sugere-considerar-guepardo-como-em-perigo.shtml

Guepardo no Parque Nacional de Serengeti, na Tanzânia
Um estudo sobre as populações de guepardo na África Austral sugere que a espécie encontra-se em perigo.
Os pesquisadores, que tiveram o apoio da "National Geographic Society", apresentaram evidências de que a baixa estimativa populacional do felino aliada a um declínio da quantidade de espécimes justifica a entrada do guepardo na lista de animais ameaçados da União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN).
A equipe internacional analisou, de 2010 a 2016, uma área de quase 800 mil quilômetros quadrados entre Namíbia, Botswana, África do Sul e Zimbábue

O estudo estimou que apenas 3.577 guepardos vivem nessa área, pouco menor que a soma dos Estados de Minas Gerais e de São Paulo, e que a maioria deles vive dentro de apenas dois habitats.
A estimativa dos pesquisadores é 19% menor do que a avaliação da UICN, o que sustentaria o apelo para que o felino passasse do status de "vulnerável" para o de "em perigo de extinção".
Os pesquisadores descobriram também que apenas 18,4% da faixa de presença de guepardos está dentro de áreas protegidas internacionalmente reconhecidas.
Um aspecto inovador da pesquisa foi o uso de observações do público para realizar a estimativa. "Para uma espécie altamente fotogênica, como o guepardo, o uso de fotografias e vídeos feitos por turistas é uma abordagem inovadora e econômica, especialmente em áreas protegidas bem visitadas", disse Florian Weise, líder da pesquisa. 

terça-feira, dezembro 12, 2017

Fotógrafa compartilha imagem de urso polar abatido e comove internautas

Em imagem feita pela fotógrafa Cristina Mittermeier um urso polar cambaleia de fome no Canadá - Cristina Mittermeier/Instagram
O quão triste você fica ao ver um bichinho doente? E se esse bichinho for um urso polar, que está morrendo de fome? A fotógrafa Cristina Mittermeier, ativista ambiental da organização SeaLegacy, ficou tão horrorizada com a cena que decidiu compartilhá-la com seus seguidores.
A imagem, feita na ilha de Baffin, no Canadá, mostra um urso cambaleando, extremamente magro. "Meu coração quebra quando vejo essa foto. Nós choramos enquanto filmávamos esse urso morrendo", escreveu ela na legenda.
No instagram, Mittermeier aproveitou para comentar que aquele não era um caso isolado. "Viajamos para o ártico com a SeaLegacy em agosto e encontramos tanto ursos saudáveis quanto famintos. Com a aceleração das mudanças climáticas a tendência é que vejamos menos do primeiro e mais do segundo", disse ela. 
"É uma realidade de partir o coração que vem com os modos de vida modernos", diz ela. Na imagem, que já ultrapassa as 70 mil curtidas, internautas comentam entristecidos: "E assim, a dolorosos e cansados passos, a natureza vai sucumbindo a destruição que os seres humanos provocam, com tanta ganância, indiferença, ilusão, superioridade... Meus coração está partido, meu choro contido", escreveu um deles. 
Outros seguidores, no entanto, criticaram o fato da fotógrava e da organização não terem providenciado comida para o animal. Alguns ativistas que entraram na discussão e reclamaram que o dinheiro que as pessoas doam é para que, justamente, animais como esses sejam auxiliados. Internautas envolvidas na discussão argumentaram que não se deve interferir na vida selvagem sem que haja uma autorização governamental. 

sexta-feira, novembro 10, 2017

O tubarão 'pré-histórico' com 300 dentes capturado por acidente. DA BBC BRASIL 10/11/2017  11h37
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2017/11/1934358-o-tubarao-pre-historico-com-300-dentes-capturado-por-acidente.shtml
Dentes do tubarão-enguia (Chlamydoselachus anguineus

Quando os biólogos marinhos se depararam com ele na rede de pesca, viram de cara que não se tratava de um animal comum.
Não se parecia com nada que haviam visto antes. Tinha uma cabeça redonda e uma longa fileira de 300 dentes finos e afiados, típicos de um predador.
Em pouco tempo, constataram que estavam diante do Chlamydoselachus anguineus, chamado popularmente de tubarão-enguia, uma espécie pré-histórica pouco conhecida.
O animal foi capturado, em agosto, próximo a Algarve, no sul de Portugal.
'FÓSSIL VIVO'
Embora seja considerado um "fóssil vivo", o tubarão-enguia é uma espécie que se encontra bem distribuída geograficamente. Está presente de Angola ao Chile, da Guiana à Nova Zelândia, da Espanha ao Japão.
Mas pouco se sabe sobre seus hábitos e o tamanho da sua população. Eles costumam viver a muitos metros de profundidade, o que torna difícil encontrá-los e monitorá-los.
Diferentemente da maioria dos tubarões, esta espécie tem uma cabeça redonda, e não achatada              No caso do tubarão capturado em Portugal, o animal foi apanhado por uma rede lançada a 700 metros de profundidade.
Mas o que o torna tão especial?
SOBREVIVENTE
"Esse tubarão pertence à única espécie sobrevivente de uma família de tubarões em que todos os outros foram extintos", disse à BBC Margarida Castro, professora e pesquisadora do Centro de Ciências Marinhas da Universidade de Algarve.
"Alguns acreditam que essa espécie remonta ao período jurássico tardio. Pode ser um pouco mais recente, mas, de qualquer jeito, estamos falando de dezenas de milhões de anos. Por isso, é muito antigo em termos evolutivos. Está na Terra certamente antes do homem", acrescenta.
Castro faz parte do projeto MINOUW, uma iniciativa para minimizar o desperdício de animais que são descartados nos navios de pesca europeus, o que explica a presença de pesquisadores em um barco de pesca comercial.
PREDADOR
Embora a maioria dos tubarões tenha uma cabeça chata, e a do tubarão-enguia seja redonda, as barbatanas e toda parte inferior do corpo não deixam dúvidas de que se trata de um tubarão, e não de uma espécie de enguia.
Mas, segundo a pesquisadora, o que é realmente único neste animal são os dentes.

As barbatanas e a parte inferior do corpo permitem identificar que se trata de um tubarão.                       "Ele tem uma grande fileira de dentes perpendiculares à mandíbula. São muito afiados, finos e apontam para dentro. Isso permite a ele pegar presas grandes e não deixá-las escapar, os dentes as impedem de sair", explica Castro.
"Claramente se trata de um predador muito agressivo", completa.
A espécie capturada em Portugal era um macho adulto de 1,5 metro de comprimento. Quando o animal foi retirado do mar, já estava morto.
"A partir dessa profundidade, a maioria dos peixes chega morta. A rede sobe muito rápido, e eles não sobrevivem à súbita mudança de pressão", esclarece.
RISCO DE EXTINÇÃO?
A escassez de informação sobre a espécie dificulta saber, inclusive, se ela corre risco de extinção.
A União Internacional para a Conservação da Natureza (UICN, na sigla em inglês) classifica o tubarão-enguia como uma espécie "quase ameaçada", devido ao receio de que a expansão da pesca em águas profundas aumente os casos de captura acidental.
Para Castro, no entanto, ainda é muito difícil responder se é realmente uma espécie ameaçada.
"Não sabemos qual é a proporção de captura. Se a taxa de pesca é proporcional ao quão rara é sua presença no oceano, então estamos diante de uma espécie ameaçada de extinção, mas não temos essa informação neste momento", aponta.                                                             

quarta-feira, novembro 01, 2017

Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros é reaberto após ser atingido pelo maior incêndio da história Por Murillo Velasco, G1 GO 01/11/2017 08h00 
https://www.youtube.com/watch?v=wiL6odVKTMc&t=168s
Visitação na reserva foi retomada às 8h desta quarta-feira (1º) após ficar 21 dias fechada; expectativa da administração do local é que frequentadores aqueçam o turismo na região.
Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi reaberto ao público na manhã desta quarta-feira (1º), depois de 21 dias fechado por conta do incêndio que devastou 28% da área da reserva e foi considerado por especialistas o maior da história da reserva. De acordo com o chefe do parque, Fernando Tatagiba, as visitações devem reaquecer o turismo na região, que foi diretamente afetado durante o fechamento.
“É muito feliz e importante esta reabertura. As visitações já voltam e, por dia 2 de novembro [quinta-feira] ser feriado, é mais um fator para dar aquele fôlego para as pousadas, para quem vive do turismo na região, já que o parque acaba se tornando uma excelente opção”, disse ao G1.
Segundo o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o espaço foi aberto para os turistas às 8h. Os visitantes tem até 12h para entrar no parque, e devem sair da reserva até as 18h. O parque fica aberto de terça-feira a domingo. Nos meses de janeiro e julho o parque fica aberto todos os dias, por se tratar de férias escolares.

A visitação ao parque é limitada de acordo com a capacidade das trilhas. A Trilha dos Saltos pode receber até 250 visitantes por dia. Já a Trilha dos Cânions, 200. Para quem pretende visitar a Trilha da Seriema, é importante ficar atento pois são liberados apenas 30 visitantes por dia. Por último, a Travessia das Sete Quedas, que permite até 20 pessoas acampadas durante a noite.
Vale da Lua é uma das principais atrações da Chapada dos Veadeiros em Alto Paraíso de Goías (Foto: Vitor Santana/G1)

Incêndio
Os primeiros focos do incêndio que levaram ao fechamento do parque começaram no dia 10 de outubro e as chamas foram controladas, mas novos focos surgiram no dia 17 do mesmo mês. Bombeiros, brigadistas do ICMBio e do Ibama e voluntários atuaram no combate ao fogo que destruiu 66 mil hectares da Chapada. A Força Aérea Brasileira (FAB) também contribuiu cedendo aviões.
Uma chuva intensa na região da Chapada dos Veadeiros que começou no sábado (28) ajudou as equipes a terminarem de apagar o fogo. Mesmo após o controle das chamas, grupos seguiram na região para fazer o rescaldo e evitar novos focos do incêndio.
Antes da reabertura da reserva, a região sofreu com expressiva queda no número de visitantes. No entanto, mesmo com o Parque Nacional fechado, várias atrações da região continuaram abertas.
Polícia Civil acredita que incêndio na Chapada dos Veadeiros tenha sido criminoso (Foto: Vitor Santana/G1)

Fogo histórico
O incêndio foi considerado pelo ICMBio o maior da história do Parque. O grupo que combatia as chamas chegou a trabalhar 20h por dia e enfrentar sensações térmicas de 40ºC durante o trabalho.
A Polícia Civil suspeita que o incêndio seja criminoso. "A parte mais rasteira da vegetação, as áreas de campo limpo, campo sujo, já começam a se regenerar seis meses após as primeiras chuvas. Cerca de 80% dessa parte já volta ao normal nesse período. Dentre de um ano e meio, o restante se regenera", explicou ao G1 Christian Berlinck.
O Ministério Público Federal (MPF) também abriu inquérito civil para apurar as causas do incêndio.
Brigadistas voluntários ajudaram a combater o incêndio no Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros (Foto: Vitor Santana/G1)

Impacto ambiental
O ICMBio estima que algumas partes da vegetação do parque vão demorar mais de um ano para poder se recuperar do incêndio. "A parte mais rasteira da vegetação, as áreas de campo limpo, campo sujo, já começam a se regenerar seis meses após as primeiras chuvas. Cerca de 80% dessa parte já volta ao normal nesse período. Dentre de um ano e meio, o restante se regenera", explicou ao G1 Christian Berlinck.
Além disso, apesar de não terem sido encontrados animais silvestres mortos, os danos às próximas gerações dos bichos preocupam as autoridades ambientais.
               Chapada dos Veadeiros é um dos principais destinos turísticos de Goiás (Foto: Vitor Santana/G1)
Turismo
Com a queimada no parque e, consequentemente o seu fechamento para visitação, muitas pessoas desistiram de visitar a região. Entretanto existem outros pontos de turismo abertos ao público.
A secretária de Turismo da cidade explica que a queimada no parque trouxe um impacto que ainda não pode ser medido com precisão. "Tem o impacto ambiental, acima de tudo, danos patrimoniais com casas atingidas pelo fogo e também a queda no movimento. Porém, esse último só vai poder ser medido com precisão durante o feriado", relatou.

Ela conta ainda que a secretaria tem alertado os turistas de que não há risco de se visitar a região da Chapada dos Veadeiros e que existem várias atrações.
POR BRASIL. 01/11/2017  07:10
POR MARCELO TOLEDO, EM FOZ DO IGUAÇU (PR)
Considerado patrimônio mundial natural, o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu, deve bater recorde histórico de visitação neste ano. E, a partir desta quarta-feira (1), os ingressos ficarão mais baratos.
De 1º de janeiro até a última segunda-feira (30), o parque já recebeu 1,44 milhão de visitantes, média diária de 4.774 turistas.

O recorde pertence a 2015, com 1,64 milhão de visitantes. A expectativa é que, mantido o ritmo atual, mais de 1,7 milhão de pessoas visitem o parque até o fim do ano, principalmente por causa das cataratas.
                              Cataratas atraíram 1,44 milhão de visitantes em 2017 – Crédito: Parque Nacional do Iguaçu
Com altura de até 80 m, elas são formadas pelas quedas do rio Iguaçu, 18 quilômetros antes de ele juntar-se ao rio Paraná. De outubro a março, as cataratas apresentam o maior volume de água e o total de saltos pode ultrapassar uma centena.
Diretor institucional do Grupo Cataratas, empresa responsável pelos serviços de visitação turística do parque, Fernando Sousa disse que entre os motivos para o recorde de visitação estão a promoção do espaço no país e fora dele e parcerias para a atração de novos voos para Foz do Iguaçu.
O parque apresentava aumento crescente no fluxo até o revés de 2016, devido à crise na economia nacional. No ano passado, o total de visitantes foi de 1,56 milhão.
O indício de que 2017 seria um ano positivo ocorreu já em julho, quando o parque atingiu 1 milhão de visitas 19 dias antes do recorde de 2015.
            Vista aérea do parque, que abriga espécies ameaçadas de extinção – Crédito: Parque Nacional do Iguaçu

ATRAÇÃO
No lado brasileiro, as cataratas têm cerca de 800 m de largura e, no lado argentino, 1.900 m. Há 19 principais saltos, cinco dos quais no lado brasileiro.
A melhor vista para observar as cataratas é a partir do Brasil, já que a maior parte dos saltos que estão na Argentina estão voltados para o Brasil.
O parque, criado em 1939 e declarado patrimônio mundial natural pela Unesco em 1986, abriga espécies de animais ameaçados de extinção, como onça-pintada, jacaré-de-papo-amarelo, gavião-real, puma e papagaio-de-peito-roxo.
MAIS BARATOS

A partir desta quarta-feira (1), os ingressos para visitar o parque ficarão 1,72% mais baratos.
Com isso, visitantes brasileiros pagarão R$ 37,30. Para estrangeiros dos países membros do Mercosul, o valor será de R$ 50,30 e, para turistas dos demais países, R$ 63,30.
A correção dos valores foi autorizada pelo ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodervisidade) e também é válida para todos os outros parques nacionais.
A atualização do preço ocorre exatamente um ano após a última alteração e a queda ocorreu devido à variação do IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) entre agosto de 2016 e o mesmo mês deste ano, que foi negativa em 1,72%.
Também a partir desta quarta, começará a venda conjunta de ingressos para três atrativos turísticos na região: o parque, Itaipu  e o marco das três fronteiras (Brasil, Argentina e Paraguai).

segunda-feira, outubro 02, 2017

Após 20 anos, presença do raro gavião-real é registrada em São Paulo; ouça.                                                    FERNANDO TADEU MORAES
DE SÃO PAULO
28/09/2017  02h00
Gavião-real, também conhecido como harpia, se aproxima de ninho em Alta Floresta, no Mato Grosso.            A presença de um gavião-real, uma das maiores aves de rapina do mundo, foi documentada no Estado de São Paulo pela primeira vez em ao menos 20 anos.
O canto da harpia –a outra denominação do pássaro–, foi registrado pelo biólogo Bruno Lima em 2012, na região do rio Preto, em Itanhaém, e depositado na semana passada na plataforma Wikiaves, fórum utilizado para divulgação prévia de resultados da área.
O artigo em que é descrito o raro achado acaba de ser enviado para a revista científica "Atualidades Ornitológicas" e aguarda a aceitação. Mas especialistas que ouviram o áudio a pedido da Folha creem que se trata mesmo de uma harpia, animal considerado criticamente ameaçado em SP.
Para Felipe Bittioli Gomes, professor da Universidade Federal do Pará, não há dúvida de que se trata do canto de um gavião-real. "É um registro indiscutível. Dentre os vários tipos de canto do gavião-real, o mais característico é o territorial, justamente o que foi registrado."
Tânia Sanaiotti, pesquisadora do Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia) e coordenadora do Projeto Harpia, é um pouco mais cautelosa. "Ele de fato parece o canto de uma harpia, embora seja curto."
Já o biólogo Marco Antonio Granzinolli, especialista em aves de rapina, é enfático: "É o canto de uma harpia".
Além disso, entre os 20 comentários no Wikiaves a respeito do áudio registrado por Lima, não há nenhuma contestação de sua veracidade.
Embora avistamentos de harpias tenham sido reportados em São Paulo nos últimos anos, os registros documentados são raros. Os últimos são de um espécime capturado supostamente no início dos anos 1970, pertencente ao museu de zoologia da Unesp de São José do Rio Preto, e outro, realizado em 1993, no município de Cananeia, no litoral paulista.
"É um registro bastante importante", diz Sanaiotti, "e só reforça a urgência de proteção dessa espécie." A especialista em ecologia de aves Martha Argel afirma que se trata de um achado relevante, já que a harpia pode ter desaparecido da maior parte de São Paulo. 
     
Argel explica ainda que, na ornitologia, registros sonoros são equivalentes aos fotográficos. "Algumas espécies são até mais registradas pela voz do que por fotografias."
A harpia habita sobretudo a Amazônia e é considerada a ave mais poderosa do mundo devido ao seu incrível poder de tração, que lhe possibilita, por exemplo, arrancar um bicho-preguiça de uma árvore.
É, ademais, aquilo que na ecologia é chamado de um predador de topo de cadeia, ou seja, tem no seu habitat a mesma importância que uma onça ou um tubarão têm em seus respectivos ecossistemas.
"A presença de uma harpia indica que o ambiente está equilibrado, pois um predador de topo só irá existir se a floresta estiver saudável e conseguir sustentar as presas. Ou seja, se contiver todos os elementos biológicos para a manutenção do ecossistema como um todo ", diz Gomes.
Estima-se que um casal da espécie necessite de uma área de ao menos 100 km2 para sobreviver.
TERMELÉTRICA
Em outubro de 2012, Lima caminhava numa trilha na mata de Itanhaém quando ouviu uma gralha-azul cerca de 25 metros acima de sua cabeça. "Ela fazia um chamado de alarme, como se houvesse algum predador por perto."
"Escutei então o grito inconfundível de uma ave de rapina. Liguei o gravador e vi a cabeça da harpia em meio à folhagem de uma árvore."
Lima conta que guardou o registro por cinco anos por receio de que a divulgação pudesse ameaçar a vida da ave. "Anteriormente, quando divulguei a existência dos papagaios-de-cara-roxa, que poucos sabiam existir naquela área, queimaram o ninho com os filhotes dentro dele. Fiquei com medo de que o mesmo pudesse acontecer à harpia."
A motivação para a publicação do registro agora é a possibilidade de um complexo termelétrico ser instalado em Peruíbe, segundo explica Lima. De acordo com o projeto –em processo de licenciamento ambiental–, torres de transmissão passarão pela região onde a harpia foi encontrada.
"Se as torres forem instaladas, há um risco enorme de que essa ave, que há décadas não víamos em SP, morra ao colidir com elas, como ocorre com os Tuiuiús no Pantanal."
Procurada, a Gastrading, empresa responsável pelo empreendimento, diz que o Estudo de Impacto Ambiental aponta o potencial impacto sobre as aves da região devido ao aumento do risco de colisão com as torres e cabos.
Devido a isso, foram propostas "medidas de controle e monitoramento, considerando a implantação de sinalizadores nos cabos da linha de transmissão, a diminuição da distância entre cabos, o que minimiza o risco de colisão, além de monitoramento de potenciais acidentes".
O GAVIÃO-REAL
HABITAT
Vive em florestas de planície e altitudes de até 2.000 m acima do nível do mar
DISTRIBUIÇÃO
Pode ser encontrada na região amazônica e em alguns pequenos trechos da mata atlântica, especialmente no sul da Bahia e no norte do Espírito Santo
TAMANHO
Mede de 90 a 105 cm de comprimento e pode atingir até 2 metros de envergadura
PESO
Machos pesam de 4 kg a 5 kg, e fêmeas de 7,6 kg a 9 kg
ALIMENTAÇÃO
É constituída principalmente de mamíferos como preguiças, veados, quatis e tatus. Também captura aves como seriemas e araras. Suas garras de até 7 cm permitem ao gavião-real capturar presas com mais de 6 kg
REPRODUÇÃO
É monogâmico e constrói o ninho em formato de plataforma no alto de árvores
STATUS DE PRESERVAÇÃO
A espécie é considerada criticamente ameaçada em toda a região Sul e nos nos Estados de SP, MG, ES
Fonte: Aves de Rapina Brasil