segunda-feira, janeiro 12, 2026

Gavião-real: a maior ave de rapina do mundo, vive no Brasil e consegue carregar crianças de até 4 anos

Gavião-real força: os segredos biológicos da maior ave de rapina do Brasil

07/01/2026 15:46
Gavião-real força impressiona pesquisadores por permitir que essa ave de rapina carregue presas com quase o dobro do seu próprio peso corporal. Também conhecida como Harpia, ela utiliza garras monumentais para dominar o topo da cadeia alimentar nas densas florestas tropicais brasileiras. Esse poder biológico transforma o animal em um predador implacável capaz de realizar manobras aéreas complexas com cargas pesadas.
  • Poder de esmagamento das garras superiores a 400kg.
  • Envergadura de asas adaptada para voos em ambientes fechados.
  • Biologia muscular focada em explosão e sustentação de carga.
  • Capacidade de capturar mamíferos de grande porte no dossel.
As garras da Harpia medem cerca de treze centímetros, superando proporcionalmente o tamanho das garras de um urso-pardo

Como a Gavião-real força é exercida através de suas garras monumentais?

As garras da Harpia medem cerca de treze centímetros, superando proporcionalmente o tamanho das garras de um urso-pardo. Além disso, a musculatura das patas gera uma pressão de esmagamento capaz de perfurar ossos cranianos de primatas e preguiças instantaneamente durante o impacto inicial do ataque.

A ave utiliza esse mecanismo de trava mecânica para garantir que a presa não escape durante o transporte até o ninho. Nesse sentido, os tendões agem como cabos de aço que mantêm a pressão constante sem exigir um esforço muscular exaustivo do animal durante o voo de retorno.

Qual é a biologia que permite o levantamento de presas tão pesadas?

O design das asas curtas e largas oferece a sustentação necessária para decolagens verticais potentes mesmo com o peso extra de um animal capturado. Dessa forma, o Gavião-real consegue manobrar entre os galhos da mata fechada sem perder a estabilidade ou a altitude necessária para a segurança.

O coração de grandes proporções e o sistema respiratório otimizado garantem o fluxo de oxigênio necessário para o esforço físico extremo de carregar presas pesadas. Consequentemente, o metabolismo da ave sustenta picos de energia que poucas outras aves de rapina no mundo conseguem igualar em eficiência.

Abaixo você confere um vídeo do canal @smartfox97 do TikTok, mostrando a comparação impressionante entre o tamanho das garras da Harpia e uma mão humana:

Estudos científicos indicam que uma Harpia fêmea, que é maior que o macho, consegue levantar animais com até nove quilos em condições ideais de caça. Considerando que esse peso equivale ao de uma criança de quatro anos, a comparação ajuda a ilustrar o poder destrutivo e a resistência dessa espécie.

Embora a ave não veja seres humanos como presas naturais, sua capacidade biomecânica permite que ela domine animais que pesam quase o mesmo que ela. Além disso, essa força excepcional é fundamental para garantir a alimentação dos filhotes, que exigem grandes quantidades de proteína diariamente.

  • Ossos pneumáticos que aliam leveza e resistência estrutural.
  • Visão binocular para cálculo preciso de distância e peso.
  • Penas rêmiges ultra-resistentes para suporte de carga aerodinâmica.

As garras da Harpia medem cerca de treze centímetros, superando proporcionalmente o tamanho das garras de um urso-pardo

Por que esta ave é a rainha absoluta das florestas brasileiras?

A Harpia desempenha um papel crucial no equilíbrio ambiental ao controlar as populações de macacos e preguiças nas copas das árvores. Por outro lado, sua presença no ecossistema serve como um indicador biológico de que a floresta está saudável e devidamente preservada contra degradações.

Proteger o habitat dessa ave magnífica assegura que a biodiversidade local continue prosperando sob a vigilância do seu maior predador aéreo. Assim, a conservação do Gavião-real representa a manutenção de toda a estrutura ecológica das nossas matas tropicais mais profundas.

quarta-feira, janeiro 07, 2026

       Fantástico, A Chapada dos Veadeiros

O Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros fica no estado de Goiás, no centro do Brasil. É conhecido pelos deslumbrantes desfiladeiros e formações de cristais de quartzo. O rio Preto tem piscinas rochosas e quedas de água, algumas delas com mais de 100 metros de altura. O parque de biodiversidade alberga várias espécies de orquídeas e de vida selvagem, incluindo tatus, jaguares e tucanos. O acesso ao parque faz-se através das cidades vizinhas do Alto Paraíso de Goiás ou de São Jorge; Chapada dos

sexta-feira, janeiro 02, 2026

 

Essas zebras raras dependem dos humanos – ao menos por agora

Não é recomendado alimentar animais selvagens, mas essa pode ser a única forma de ajudar a zebra-de-grevy, ameaçada de extinção, a sobreviver à seca.

PUBLICADO 25 DE JAN. DE 2020, 09:00 BRTATUALIZADO 5 DE NOV. DE 2020, 03:22 BRT

Zebras-de-grevy em risco de extinção se movimentam pelas planícies no norte do Quênia. Existem apenas 2,4 mil animais na natureza.

FOTO DE HEATH HOLDEN

Zebras-de-grevy comem o feno deixado para elas pelo Grevy’s Zebra Trust. A seca reduziu a disponibilidade de pasto, então o Trust está fornecendo alimento para ajudar na época da seca.

FOTO DE HEATH HOLDEN

As zebras-de-grevy — ou loiborkoram em samburu — são enormes. Com quase 450 quilos, são os maiores animais selvagens da família dos cavalos. Suas orelhas protuberantes parecem arredondadas quando vistas de longe e suas listras são mais finas que as das já conhecidas zebras-comuns. “São animais absolutamente maravilhosos”, diz Belinda Low Mackey, cofundadora do Grevy’s Zebra Trust, em Nairóbi.

Elas também estão em grave risco de extinção. Existem apenas dois mil indivíduos adultos na natureza e sua ocorrência foi reduzida de uma grande faixa no Chifre da África para alguns poucos lugares no norte do Quênia e em uma região após a fronteira com a Etiópia.

O número de animais foi reduzido devido à caça no século 20 e à constante competição por alimentos com o gado, que também pasta em seu árido habitat. Desde 2009, a região também passa por secas constantes, o que reduz o pasto, fonte de alimento das zebras. O fotógrafo Heath Holden acompanhou alguns dos guardas-florestais do Trust no município de Samburu, no Quênia, em outubro. A terra estava “espantosamente seca,” ele conta. “Todos os rios estavam secos.”

Combinados ao esgotamento das pastagens causado pelo gado, esses eventos podem matar muitas zebras-de-grevy. Então o Grevy’s Zebra Trust optou por alimentá-las. Foram deixados fardos de feno durante as épocas de seca em 2011, 2014, 2017 e novamente no ano passado, em todo o caminho percorrido pelas zebras com destino aos lagos. O feno vem de uma província vizinha que apresenta maior incidência de chuvas e é transportado por caminhão ou motocicleta. Em 2017, na pior seca da última década, o Trust distribuiu mais de 3,5 mil fardos de feno.

Lewarani Loidingae, à esquerda, e Lenengetai Lmantoros são embaixadores do Grevy’s Zebra Trust. Treinados em segurança e vigilância, eles ajudam o Serviço de Vida Selvagem do Quênia com esforços contra a caça ilegal e projetos de engajamento da comunidade.
FOTO DE HEATH HOLDEN

Mas é correto alimentar animais selvagens? Em muitos casos, a resposta é não. A filósofa Clare Palmer, que estuda ética entre humanos e animais na Universidade Texas A&M, explica que é possível alegar que alimentar as zebras reduz sua característica selvagem tornando-as dependentes dos humanos na obtenção de alimento. E que se tornar dependente das pessoas, sem dúvida, as deixa menos livres.

“Reduzir a liberdade dos animais nesse sentido pode ser percebido como um tipo de húbris, a arrogância humana de tentar controlar tudo o que acontece no mundo,” ela diz.

Os humanos que alimentam animais selvagens sem um planejamento criterioso podem torná-los perigosamente habituados aos humanos e causar mudanças em seu comportamento. Em alguns casos, animais migratórios mudaram ou desistiram de suas migrações anuais; em outros casos, animais habituados às pessoas podem se aproximar demais e assustá-las ou até mesmo danificar suas fazendas e propriedades, podendo resultar em matanças como forma de vingança. Nesse caso, as zebras comem o feno durante a noite, quando os humanos já se recolheram, para que nem sequer vejam os motoristas que trazem seu alimento.

E quando a alternativa é morrer de fome, uma pequena redução na população de algum animal selvagem é considerada, pelos gestores de vida selvagem no Quênia, um preço aceitável a ser pago pela sobrevivência. Além disso, Palmer explica que a vida das zebras foi modificada pela convivência com animais que pastam há milênios e pelas mudanças climáticas que ocorrem, no mínimo, há várias décadas. “Não é como se essas zebras tivessem uma opção de vida isenta do impacto humano,” explica Palmer.

Evitando uma ‘tragédia dos comuns’

Low Mackey afirma que esse não é o objetivo. O objetivo é que os humanos, o gado e as zebras-de-grevy coexistam. Ela espera que o fornecimento de alimento seja uma “intervenção de curto prazo”, enquanto trabalham para recuperar a terra para que seja suficiente para todos os animais pastarem, os selvagens e os domésticos.

O trabalho de recuperação inclui o corte de acácias que os animais não conseguem comer e a utilização de seus galhos para preencher valas e assim controlar a erosão, a plantação de gramíneas e trabalhos com as comunidades donas das terras para ajuste das práticas de pastagem, para que sejam mais condizentes com o estilo de vida que já não é mais nômade. “Iniciamos um processo de mudança de perspectiva,” diz Low Mackey, “que está sendo uma inspiração para eles, pois sabem que podem ser proativos em relação ao próprio futuro”.

De certa forma, essa situação é uma versão real de um famoso experimento mental proposto pelo ecologista Garrett Hardin: a tragédia dos comuns, que sugere que um recurso comum, como uma área de pastagem, é inevitavelmente utilizado em excesso por não haver incentivo para que cada pessoa impeça a outra de colocar cada vez mais animais no pasto.

Se os criadores de gado donos da terra chegarem a um acordo sobre o manejo da área para haver pasto suficiente para zebras e gado, será outro caso em que a previsão pessimista de Hardin não se confirmará. Elinor Ostrom, vencedora do prêmio Nobel de economia em 2009, estuda esses casos de sucesso — lugares onde os recursos em comum foram gerenciados de forma justa e sensata por grupos. Na Suíça, por exemplo, pastores que compartilhavam pradarias alpinas concordaram em colocar na terra compartilhada, no verão, apenas a quantidade de vacas que, de acordo com sua condição financeira, conseguiriam alimentar nos estábulos durante o inverno.

Por fim, o caso da zebra-de-grevy é uma metáfora clara sobre a conservação das espécies. As espécies podem ser salvas, em curto prazo, por meio da introdução direta de recursos — sejam eles aporte financeiro, atenção política ou feno. Mas em longo prazo, a diversidade da vida na Terra será preservada de forma mais eficaz com o manejo de regiões inteiras para que as pessoas e os animais prosperem juntos.

sexta-feira, dezembro 26, 2025

 Urso

Ursos são animais pertencentes à família Ursidae. Existem atualmente oito espécies de       

ursos, e essas apresentam algumas caraterísticas distintas e habitam diversos ambientes.

Por Helivania Sardinha dos Santos

Urso é a denominação utilizada para as espécies pertencentes à família Ursidae, uma das famílias mais estudadas e mais ameaçadas entre os animais carnívoros. Seus membros pertencem à classe Mammalia e à ordem Carnivora.

A família Ursidae apresenta espécies distribuídas em diversas regiões do planeta, como Europa, Ásia, América do Sul, América do Norte e África, habitando desde regiões de florestas a regiões polares. A seguir descrevemos algumas características desse grupo de animais e algumas de suas espécies.

O urso-de-óculos apresenta um padrão de coloração diferente dos demais ursos, com manchas brancas que circundam os olhos e estendem-se pelo peitoral.

Características gerais dos ursos

Os ursos são mamíferos pertencentes à família Ursidae. Atualmente, existem oito espécies deles, essas apresentam algumas características em comum mas também suas peculiaridades. A seguir destacamos algumas características gerais desse animais:

  • Como os demais animais da classe, apresentam o corpo coberto de pelos. Estes são longos e a sua coloração varia de acordo com cada espécie, podendo ser totalmente brancos, marrons e pretos. Havendo algumas exceções, como o urso-de-óculos e o panda-gigante que apresentam, respectivamente, manchas brancas em torno dos olhos e na região peitoral e um padrão preto e branco.

  • Apresentam cinco dedos em cada membro e unhas fortes.

  • Apresentam caudas curtas e orelhas pequenas e arredondadas.

  • São excelentes nadadores.

  • Medem, geralmente, entre 1 m e 2,8 m, com registro de indivíduos de uma subespécie, Ursus arctos (urso-pardo), medindo mais de 3 m. Os machos geralmente são maiores que as fêmeas.

  • Podem pesar entre 27 kg e 780 kg, com registros de indivíduos da espécie Ursus maritimus (urso-polar) pesando uma tonelada.

  • São em sua maioria onívoros. O panda-gigante e o urso-polar são exceções disso, como veremos adiante.

  • Geralmente vivem sozinhos. Após o nascimento, os filhotes permanecem junto às mães por um período de dois a três anos.

  • Apresentam uma longevidade que varia de 25 a 40 anos.

Acesse também: Hibernação: entenda melhor esse processo

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Espécies de ursos

Como dito, os ursos pertencem à família Ursidae. Essa família é constituída por três subfamílias que englobam oito espécies.

Na família Ursidae, podemos encontrar as subfamílias: Tremarctinae, na qual está presente a espécie Tremarctos ornatus (urso-de-óculos); Ailuropodinae, na qual encontramos a Ailuropoda melanoleuca (panda-gigante); e Ursinae, na qual encontramos o maior número de espécies — Ursus arctos (urso-pardo), Ursus americanus (urso-negro-americano), Ursus maritimus (urso-polar), Ursus thibetanus (urso-negro-asiático), Melursus ursinus (urso-beiçudo) e Helarctos malayanus (urso-malaio).

A seguir falaremos mais sobre algumas dessas espécies.

Panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca)

O panda-gigante diferencia-se dos demais ursos, entre outras características, pelo fato de sua alimentação ter origem, principalmente, vegetal.

O urso-panda habita as florestas de algumas regiões da China. Ele mede cerca 1,5 m e pesa cerca de 100 kg. O panda-gigante apresenta uma característica bem distinta dos demais animais da ordem Carnivora, pois, embora apresente um sistema digestório semelhante aos demais, a sua alimentação é constituída principalmente de bambu, com apenas 1% de seu alimento sendo de origem animal, como insetos e ovos.

Como o seu sistema digestório não permite uma digestão eficiente desse alimento e o bambu é um alimento pobre em nutrientes, para suprir suas necessidades, ele consome grandes quantidades desse alimento (cerca de 12 kg por dia).

A reprodução do panda-gigante é um processo complicado, pois o período reprodutivo da fêmea ocorre apenas uma vez ao ano e dura entre 24 e 72 horas. O tempo de gestação pode durar até nove meses e gerar, na maioria das vezes, apenas um filhote. Atualmente, o panda-gigante está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como vulnerável.

Saiba também: O que são animais herbívoros?

  • Urso-polar (Ursus maritimus

O urso-polar habita as regiões geladas do Círculo Polar Ártico, e, em sua gestação, a fêmea pode dar origem a dois filhotes

O urso-polar habita o Círculo Polar Ártico, como no Alasca, sendo encontrado, principalmente, nas regiões cobertas de gelo ligadas à plataforma continental. O urso-polar pode medir cerca de 2,5 m e pesar até cerca de 800 kg, tendo sido reportado caso de indivíduo pesando uma tonelada.

Adaptado a viver em ambiente marinho, é um ótimo nadador e seu pelo é oleoso. Como vive em locais de temperaturas extremamente baixas, seus longos pelos e uma camada espessa de gordura atuam como isolante térmicos. Diferentemente dos demais ursos, ele é o único estritamente carnívoro, alimentando-se principalmente de focas.

Sua gestação pode durar até 265 dias, e as fêmeas dão origem, geralmente, a dois filhotes, no entanto, a taxa de mortalidade é alta no primeiro ano de vida. Atualmente, o urso-polar está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como vulnerável.

Veja também: Habitat e nicho ecológico: importantes conceitos da ecologia

  • Urso-pardo (Ursus arctos)

O urso-pardo é uma das maiores espécies de ursos, podendo medir 3 m, e apresenta ampla distribuição.

O urso-pardo apresenta grande distribuição, habitando desde regiões do Ártico a regiões de florestas tropicais temperadas. Essa espécie pode medir cerca de 3 m e pesar entre 90 kg e 800 kg. Ele apresenta uma alimentação diversificada de acordo com a região onde vive, podendo alimentar-se de gramínias, raízes, salmão, mamíferos de pequeno e médio porte, entre outros.

A idade em que atingem a maturidade sexual e o tempo entre uma gestação e outra variam entre os ursos que habitam diferentes regiões. A fêmea geralmente produz ninhadas com até três filhotes por gestação. Atualmente, o urso-pardo está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como pouco preocupante.

sábado, dezembro 20, 2025

Inquilinas de baleias, cracas dão pistas sobre caminho da água nas jubarte

Pesquisa inédita une 24 anos de registros para entender o padrão de fixação dos crustáceos no corpo das baleias-jubarte, que se alimentam ao filtrar água

Publicado: 16/12/2025 às 8:00     Atualizado: 18/12/2025 às 13:54
Texto: Theo Schwan* Arte: Daniela Gonçalves**
       As cracas Coronula diadema são epibiontes de baleias-jubarte – Foto: Wikimedia Commons

As baleias-jubarte não viajam sozinhas. Ao longo de suas rotas 

migratórias, carregam um passageiro. Seus inquilinos, crustáceos 

conhecidos como cracas, se fixam nesses animais como ostras o

 fazem em rochedos.

Um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP relaciona o tamanho, a forma e a posição das cracas no corpo das baleias com o fluxo de água que passa pelos cetáceos. Pesquisadoras descobriram que os crustáceos da espécie Coronula diadema são diversos ao longo do corpo de um mesmo animal.

Teresa de Filippo – Foto: LinkedIn

“Cracas mudam de forma a depender de onde elas estão na baleia,” afirma Teresa de Filippo, pesquisadora que primeiro assina o estudo. As autoras apontam que as pressões da circulação da água podem moldar a morfologia dos epibiontes — animais que se fixam em outros animais. Quanto maior a turbulência, menor a craca. 

Os resultados foram publicados na revista científica Evolutionary Ecology como produto da iniciação científica de Filippo.

        Os crustáceos vivem sobre o corpo das baleias – Foto: Wikimedia Commons

A parte que habitam

“Uma de nossas primeiras hipóteses era que o comportamento das baleias mudaria o formato da craca”, conta Teresa de Filippo. Isso indicaria que a agressividade dos machos durante o período reprodutivo definiria o formato e a robustez dos crustáceos associados — pelo menos, dos que permanecessem fixados.

“Mas isso não aconteceu”, continuou. As análises conduzidas pela equipe não mostram diferenças significativas entre as cracas de cetáceos machos e fêmeas. “Talvez o comportamento não seja tão diferente assim”, sugere Teresa.

As cracas estudadas foram coletadas entre 2000 e 2024 em baleias-jubarte encalhadas entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Sul. As pesquisadoras fizeram medições morfométricas para as 136 amostras. Cada crustáceo foi fotografado e teve sua geometria analisada, o que possibilitou a comparação de diferenças de forma e tamanho entre os indivíduos.Cracas

                  Cracas são animais sésseis, ou seja, fixos, e hermafroditas – Foto: Wikimedia Commons 

Os resultados mostram um padrão claro: cracas fixadas na região genital, próxima ao pedúnculo caudal, são menores, mais grossas e com base mais larga. O artigo sugere que a turbulência gerada pela cauda pode estar associada ao tamanho reduzido e ao aumento da robustez dos crustáceos — o movimento da natação, mais intenso na parte posterior da baleia, promoveria o desenvolvimento de crustáceos mais resistentes. 

                                          Tammy Arai – Foto: LinkedIn

Já aquelas fixadas nas mandíbulas, nas nadadeiras peitorais e no ventre tendem a ser maiores e mais alongadas. Nessas regiões, as cracas são beneficiadas por um fluxo de água mais suave e eficiente no transporte de nutrientes, o que possibilita um desenvolvimento maior.

“É um resultado muito interessante”, afirma Tammy Arai, orientadora de Teresa. Ela destaca que a descoberta da variabilidade das cracas dentro de um mesmo indivíduo “é um fato inédito”. Até agora, se imaginava que as disparidades seriam maiores entre indivíduos diferentes.

Tammy Arai afirma que o artigo é pioneiro ao sugerir mais um componente no estudo dos epibiontes de animais marinhos. “Não existe nenhum outro estudo que tenha medido o quanto a hidrodinâmica afeta as cracas de baleias e golfinhos.”

As pesquisadoras apontam que as cracas são hermafroditas — possuem órgãos sexuais masculinos e femininos. Portanto, não há dimorfismo sexual: todas as cracas são, a princípio, semelhantes. Fatores ambientais, como alimentação e hidrodinâmica, moldam cada indivíduo.

Baleias-jubarte se alimentam ao filtrar a água – Foto: Wikimedia Commons

Fora da caixa

“Precisamos de estudos para entender melhor como as cracas conseguem se adaptar às baleias”, afirma Teresa de Filippo. Para isso, ela vê na integração de áreas dentro da biologia uma solução.

“Os animais crescem na interseção. Eles não crescem na caixinha”, afirma a bióloga. Não se pode bater martelo nas causas pelas quais as cracas se desenvolvem de formas diferentes ainda. Para isso, são necessários estudos que contemplem diferentes áreas. “Por que isso está acontecendo? Por causa da genética? Por não receberem comida direito? Tem a ver com a hidrodinâmica?”, questiona.

As cracas mudam de características a depender da sua posição no corpo da jubarte –          

Foto: Wikimedia Commons                        

O artigo Phenotypic plasticity in shell morphometrics of the barnacle Coronula diadema (Linnaeus, 1767) reflects cetacean hydrodynamics está disponível neste link.

Mais informações: tedefilippo@usp.br ou tefilippo11@gmail.com, com Teresa de Filippo, e iwasa-arai@usp.br, com Tammy Arai.

*Estagiário com orientação de Fabiana Mariz

*Estagiária sob orientação de Moisés Dorado