terça-feira, dezembro 02, 2025

O menor felino da América pesa só 3 kg e domina florestas inteiras sem ser visto

Espécie pequena e selvagem vive em áreas densas e enfrenta ameaças crescentes no Chile e na Argentina


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Apesar do porte diminuto, o kodkod apresenta um conjunto de características marcantes / Wikimedia Commons/Mauro Tammone

O menor felino selvagem de todo o continente americano vive escondido entre árvores fechadas, galhos baixos e sombras que quase nunca deixam espaço para a luz. O kodkod, conhecido na ciência como Leopardus guigna, é discreto por natureza e pesa no máximo 3 quilos, mas mantém estratégias de sobrevivência que chamam a atenção de pesquisadores pela eficiência e pela capacidade de adaptação.

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Originário de áreas florestais do Chile e de uma pequena porção da Argentina, o animal circula em territórios cada vez mais fragmentados pela presença humana, o que torna sua observação – e sua conservação – ainda mais delicadas. 

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Mesmo assim, segue caçando, vocalizando e se movendo de forma quase invisível entre as matas temperadas da região.

Características físicas e particularidades raras

Apesar do porte diminuto, o kodkod apresenta um conjunto de características marcantes. Suas pernas curtas garantem agilidade em terrenos irregulares, enquanto a pelagem exibe tons acastanhados com ventre claro e cauda curta marcada por anéis escuros. 

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Há ainda indivíduos totalmente pretos, resultado de melanismo, fenômeno já registrado no habitat natural da espécie.

Pesquisadores registraram recentemente, pela primeira vez, as vocalizações do felino, revelando um repertório sonoro variado e pouco conhecido. O estudo ampliou o entendimento sobre sua comunicação e sobre como o animal se relaciona com o ambiente ao redor. Veja o kodkod em seu habitat no vídeo abaixo:

Habitat reduzido

A distribuição do Leopardus guigna é a menor entre todos os felinos das Américas. Além do Chile continental, a espécie ocupa a Ilha de Chiloé, onde encontra proteção nas florestas densas. 

Esse ambiente garante abrigo e a camuflagem necessária durante a caça, que ocorre quase sempre à noite. Roedores formam a base da alimentação, complementada por aves, répteis e, ocasionalmente, carcaças encontradas no caminho.

Embora classificado como espécie de menor preocupação pela União Internacional para Conservação da Natureza, o kodkod enfrenta riscos cada vez mais evidentes. 

A perda de habitat causada por queimadas e avanço humano, conflitos com criadores de aves domésticas e atropelamentos em estradas estreitas tornam sua sobrevivência incerta. Ataques de cães domésticos também ameaçam populações isoladas.

Ainda assim, o felino demonstra capacidade de adaptação desde que haja vegetação suficiente para se esconder. 

Pequeno no tamanho, mas imponente em suas estratégias, o kodkod permanece como uma das espécies mais singulares da fauna sul-americana – e uma das mais discretas.

sábado, novembro 22, 2025

 FERNANDO DE NORONHA: EXPLORE O PARAÍSO

Você já imaginou se perder numa ilha paradisíaca, onde o mar azul-turquesa encontra praias de areia dourada sob um céu eternamente azul?

Bem, esse lugar não é apenas um sonho — ele existe e chama-se Fernando de Noronha.


Praia da Conceição - Fernando de Noronha / Fonte: iStock

Onde fica Fernando de Noronha

Fernando de Noronha é um arquipélago brasileiro que fica no estado de Pernambuco, formado por 21 ilhas, ilhotas e rochedos de origem vulcânica.

Como chegar em Fernando de Noronha

A maneira mais comum de chegar a Fernando de Noronha é por avião. Há voos diários partindo de Recife e Natal.

A viagem de Recife leva cerca de uma hora e meia, enquanto de Natal leva aproximadamente uma hora.

Se você não for da região, pode procurar passagens de ônibus para Recife ou ônibus para Natal, únicos pontos de partida diretos para Noronha. De lá, você pode comprar seu bilhete de avião para o arquipélago.

                   Voo para Fernando de Noronha / Fonte: iStock

Taxa para entrar em Fernando de Noronha

Fernando de Noronha tem um controle ambiental rigoroso, e todos os visitantes precisam pagar uma Taxa de Preservação Ambiental (TPA).

valor dessa taxa varia de acordo com a duração da estadia do visitante na ilha. O cálculo da TPA é feito por dia de permanência e aumenta progressivamente a cada dia adicional.

Além da TPA, os visitantes também devem pagar uma taxa de acesso ao Parque Nacional Marinho, que abrange grande parte do arquipélago e inclui várias de suas praias mais famosas e áreas de preservação. Essa taxa é cobrada separadamente e é usada para manutenção e conservação do parque.

Isso pode ser feito online antes da sua chegada ou no aeroporto quando você chegar.

Melhores praias de Noronha

Fernando de Noronha é famoso mundialmente por suas praias espetaculares, que são frequentemente listadas entre as praias mais bonitas do Brasil e do mundo.

Praia do Sancho

                 Praia do Sancho - Fernando de Noronha / Fonte: iStock

Frequentemente aclamada como a melhor praia do Brasil e até do mundo, a Praia do Sancho é acessível por barco ou através de escadas encravadas na rocha.

Com águas cristalinas e rica vida marinha, é ideal para snorkeling e mergulho.

Baía dos Porcos

Esta pequena praia é conhecida por suas impressionantes formações rochosas e piscinas naturais claras, perfeitas para nadar e fazer snorkel. A vista do Morro Dois Irmãos ao fundo é icônica.

Praia do Leão

Uma das maiores praias da ilha, a Praia do Leão é um importante local de desova para a tartaruga verde. É um excelente local para quem busca um contato mais tranquilo com a natureza.

Praia da Cacimba do Padre

Famosa por suas grandes ondas, é um ponto de encontro de surfistas. A praia oferece uma das vistas mais impressionantes do Morro Dois Irmãos.

Praia da Atalaia

Esta praia é conhecida por suas piscinas naturais, onde é possível observar uma variedade de vida marinha em águas rasas e cristalinas. O acesso é controlado para proteger o ambiente marinho, requerendo agendamento prévio e acompanhamento de um guia.

Praia do Sueste

Um ótimo local para snorkeling, a Praia do Sueste é frequentemente visitada por tartarugas marinhas e, ocasionalmente, por tubarões de pequeno porte. A área é protegida e oferece facilidades como passarelas para minimizar o impacto ambiental.

Cada uma dessas praias tem suas características únicas, mas todas compartilham a água azul-turquesa e a vida marinha abundante que faz de Noronha um destino de classe mundial para amantes da natureza e entusiastas de atividades ao ar livre.

Mergulho com vida marinha

                       Mergulho em Noronha / Fonte: iStock

O mergulho é uma das atividades imperdíveis em Fernando de Noronha.

As águas claras oferecem visibilidade impressionante, o que o torna ideal tanto para mergulhadores novatos quanto para os mais experientes.

Você se surpreenderá com a diversidade de peixes, corais, tubarões e, com sorte, até golfinhos.

Passeio de barco

Para aqueles que preferem uma experiência menos intensa, o passeio de barco ao redor das ilhas é uma opção.

Esses passeios oferecem vistas espetaculares da ilha e frequentemente incluem paradas para snorkeling.

Dica: fique atento aos golfinhos rotadores, famosos por seus saltos e acrobacias na área conhecida como Baía dos Golfinhos.

                        Baía dos Golfinhos - Fernando de Noronha / Fonte: iStock

Trilhas e mirantes

Além das praias e do mergulho, Fernando de Noronha é repleto de trilhas que atravessam a ilha, oferecendo vistas estonteantes e a oportunidade de conhecer mais sobre a fauna e flora locais.

Uma das trilhas mais populares é a do Atalaia, que leva os visitantes a uma piscina natural formada por recifes de corais, onde é possível nadar junto a peixes e, ocasionalmente, pequenos tubarões.

Para aqueles que buscam uma experiência mais desafiadora, a Trilha do Pico promete vistas panorâmicas da ilha a partir do ponto mais alto de Noronha.

É importante mencionar que, para a conservação do ecossistema único de Noronha, muitas destas trilhas requerem a companhia de um guia credenciado, além de uma autorização específica do Parque Nacional Marinho.

Projeto Tamar e Museu do Tubarão

Quer aprender mais sobre a fauna local?

O Projeto Tamar, focado na conservação das tartarugas marinhas, e o Museu do Tubarão são paradas obrigatórias.

Nestes locais, você terá a oportunidade de conhecer mais sobre o trabalho de conservação realizado na ilha e sobre as espécies marinhas que habitam suas águas.

Gastronomia local

Após um dia cheio de aventuras, nada melhor do que desfrutar dos sabores locais em um dos muitos restaurantes da ilha.

Frutos do mar, claro, dominam o cardápio, sempre frescos e preparados de formas que encantam o paladar.

Pôr do sol no Forte dos Remédios

   
                          Pôr do Sol - Fernando de Noronha / Fonte: iStock

Para um fim de tarde inesquecível, assista ao pôr do sol no Forte dos Remédios. A vista panorâmica do sol se pondo no horizonte é simplesmente mágica, um daqueles momentos que ficam gravados na memória para sempre.

O que fazer em Fernando de Noronha vai além de simples atividades turísticas; trata-se de se permitir viver plenamente cada momento neste paraíso.

E agora, munido com este guia, espero que você esteja tão ansioso quanto eu para descobrir os mistérios e as belezas que essa ilha tem a oferecer.

Fernando de Noronha espera por você, pronto para transformar sua visão de mundo e tocar seu coração de maneira irreversível. Quem vem?

quarta-feira, novembro 12, 2025

Por Madu Porto*, g1 Triângulo — Uberlândia

 

Parque Estadual do Pau Furado reabre neste sábado com programação especial em Uberlândia — Foto: Associação Angá/Reprodução


Após mais de um mês fechado devido à escassez de água, o Parque Estadual do Pau Furado, entre Uberlândia e Araguarivoltou a receber visitantes neste sábado (8). A reabertura ocorreu após a normalização do abastecimento de água, comprometido pela baixa do lençol freático.


Com as chuvas recentes, o sistema voltou a funcionar e o parque retomou as atividades com uma programação especial.


Atrações culturais e contato com a natureza


O público que foi ao parque pela manhã aproveitou uma série de atividades culturais e recreativas, como feirinhas de produtores rurais, teatro de bolso, contação de histórias e jogos de tabuleiro. As trilhas e o mirante também foram liberados para caminhada, oferecendo aos visitantes a chance de explorar os cenários naturais do cerrado mineiro.

Durante a tarde o parque segue com o funcionamento normal, aberto até as 16h.

O que aproveitar


Criado em 2007, o Pau Furado é o primeiro Parque Estadual do Triângulo Mineiro e abriga cerca de 2,2 mil hectares de vegetação nativa. Administrado pelo Instituto Estadual de Florestas (IEF), o espaço é considerado essencial para a conservação da biodiversidade regional, com espécies ameaçadas como o lobo-guará, a onça-parda e a arara-canindé.

Para quem deseja visitar, não é necessário agendamento e a entrada é gratuita. O parque conta com trilhas de diferentes níveis e distâncias, como o Mirante (200 m), a Cachoeira Marimbondo (1,9 km), a Terra Branca (4 km), o Curral de Pedras (3,6 km) e a Prainha (8 km). Cada uma tem horário limite para entrada, variando entre 12h e 15h, conforme a trilha.

Os visitantes devem assinar o livro de presença na sede, respeitar o limite de velocidade de 20 km/h dentro da área do parque e levar de volta todo o lixo produzido, já que não há coletores nas trilhas.

sexta-feira, novembro 07, 2025

Causas da Crise Hídrica II

  
7 m
inutos de leitura
 

Por Alcides Faria, biólogo, diretor-executivo da Ecoa, Ecologia e Ação.

 – Na bacia do rio Paraná estão 57 grandes hidrelétricas, as quias geram 54% da energia elétrica consumida no País.

– Florestas e Cerrado eram as coberturas vegetais originais da maior parte da unidade ambiental “Bacia do rio Paraná”.

– A retirada de grandes extensões de vegetação nativa afeta o regime de chuvas ao provocar mudanças no clima regional, como amplamente demonstrado.

– A contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do Paraná, por exemplo, chega a 50% e, mais, cerca de 50% da energia consumida no Brasil é gerada com as águas do Cerrado.

– As Florestas, apesar de devastadas, ainda são grandes ‘produtoras’ de água para abastecer cidades.

O desmatamento altera os processos naturais da água em cada microbacia hidrográfica. A vegetação nativa, adaptada, tem o papel de manutenção da umidade e controle da velocidade e volume das águas que chegam até os cursos d’água, tanto das águas que escorrem na superfície, como das águas que infiltram no solo, alcançando os lençóis subterrâneos. Estes lençóis, por seu turno, são os ‘armazenadores’ de água que abastecem gradativamente os córregos e rios ao longo do tempo, mesmo nos períodos mais secos.

– Menos vegetação nativa menor abastecimento dos lençóis e menos água para córregos e rios.

Outro processo a ter em conta é a perda do papel que tem a vegetação nativa na contenção do transporte de sedimentos pelas águas das chuvas para os pontos mais baixos, reduzindo o assoreamento. Bacias hidrográficas com pouca vegetação nativa facilitam o enchimento de reservatórios com sedimentos, diminuindo a capacidade de armazenamento de água, e, consequentemente, ao longo do tempo, reduz o potencial de geração de energia pelas turbinas de hidrelétricas.

As Florestas e o Cerrado são os 2 principais biomas que originalmente cobriam a bacia do rio Paraná. Estes biomas foram devastados aceleradamente ao longo dos últimos 60 anos e, vale registrar, o período em que se construiu a maior parte das represas existentes nos rios formadores da bacia.

– Na bacia do Paraná foram desmatados mais de 4,2 milhões de hectares entre 1985 e 2019 (Mapbiomas).

O Cerrado ocupa quase 25% do território brasileiro, com uma área de 20 milhões de hectares. É um espaço crítico para a produção de água no Brasil, como mostra a Rede Cerrado: o bioma “abriga oito das 12 regiões hidrográficas brasileiras e abastece seis das oito grandes bacias hidrográficas do país: Amazônica, Araguaia/Tocantins, Atlântico Norte/Nordeste, São Francisco, Atlântico Leste e Paraná/Paraguai”. A Rede Cerrado destaca também que a cobertura vegetal do Bioma é fundamental para garantir os

fluxos hídricos entre as diversas regiões do Brasil. Além disso, é nele onde estão três dos principais aquíferos brasileiros: Bambuí, Urucuia e Guarani.

Imagem: WWF/Wikipedia.

– A bacia do rio Paraná, o Cerrado e as represas.

A contribuição hídrica do Cerrado para a vazão da bacia do Paraná chega a 50% e cerca de 50% da energia consumida no Brasil é gerada com as águas do Bioma, o qual tem 57 grandes hidrelétricas responsáveis, por seu turno, por 54 % da energia consumida no País.


As sub-bacias da bacia do rio da Prata. Em verde a sub-bacia do rio Paraná e sua distribuição por Brasil, Paraguai e Argentina.

A crise de água está centrada na parte do País em que está a maior parte da economia – mais de 50% do Produto Interno Bruto PIB) -, fato que multiplica efeitos.  A bacia do rio Paraná tem 87,98 milhões de hectares e uma população de mais de 60 milhões de habitantes, predominantemente urbana (93% do total). Essa unidade ambiental abarca estados populosos e de peso na economia brasileira nas áreas de serviços, indústrias e agricultura. São eles: São Paulo com 25% da bacia; o Paraná 21%; Mato Grosso do Sul 20%; Minas Gerais 18%; Goiás 14%; Santa Catarina 1,5% e o Distrito Federal 0,5%.

Uma ‘aproximação’ de São Paulo ajuda a entender a repercussão ampla da crise hídrica para várias atividades. Com cerca de 22% da população brasileira e produzindo quase de 34% do PIB brasileiro, concentra o maior parque industrial do país. O Estado, banhado por 2 bacias, a do Paraná e do Atlântico Sudeste, tem apenas 12,06% de seu território com vegetação nativa. Dos 15% originalmente ocupados pelo Cerrado resta cerca de 1%.  Já quanto a ocupação do território se tem o seguinte: 38,74% de sua área com lavouras, 44,66% com pastagens, e 4,53% como mancha urbana (governo de SP). No estado do Paraná, usando mais um caso para exemplificar, já em 1980 restavam 22,5% da cobertura vegetal original – hoje ela é menos de 10%.

sexta-feira, outubro 31, 2025

 Cientistas descobrem pegadas de dinossauros gigantes escondidas na Amazônia por mais de 100 milhões de anos

Pesquisadores da UFRR identificam centenas de rastros fossilizados de dinossauros em rochas em Roraima

29 outubro 2025
Bem abaixo dos nossos pés, podem existir tesouros escondidos que não fazemos ideia. E um desses tesouros foi encontrado bem pertinho dos brasileiros, na floresta Amazônica. Pesquisadores da Universidade Federal de Roraima (UFRR) revelaram a descoberta de centenas de pegadas fossilizadas de dinossauros em uma área conhecida como Formação Serra do Tucano, próxima ao município de Bonfim, em Roraima.

As marcas, preservadas em rochas há mais de 100 milhões de anos, ajudam a contar uma parte pouco conhecida da história da Amazônia e confirmam que gigantes pré-históricos viveram na região. O trabalho envolveu alunos e especialistas em icnologia, área da ciência que estuda pegadas e rastros fósseis, e teve apoio da Capes e da própria UFRR. 

Pesquisadores brasileiros encontram pegadas de dinossauro na Amazônia

Essa descoberta paleontológica incrível começou em 2011, quando o geólogo Vladimir de Souza, professor da UFRR, observou formas incomuns em grandes lajes de arenito durante um mapeamento geológico no município de Bonfim. As marcas chamaram atenção pela disposição e tamanho, levantando a hipótese de que poderiam ser pegadas de dinossauros.

Nos anos seguintes, a equipe realizou expedições de campo e coletas sistemáticas, somando mais de 80 amostras. As pegadas foram limpas, fotografadas e digitalizadas em 3D por fotogrametria, técnica que cria modelos tridimensionais com alta precisão. Isso permitiu analisar detalhes como formato, profundidade e direção das marcas, confirmando que se tratavam de rastros deixados por dinossauros em solo úmido há milhões de anos.

O estudo é liderado por Lucas Barros, mestre em Ciências Biológicas pela UFRR, que iniciou a pesquisa durante sua iniciação científica em 2021. O artigo com os resultados foi submetido à revista científica Cretaceous Research e está em fase de revisão por especialistas internacionais.

Antes dos tiranossauros existiam os "dragões": nova espécie de dinossauro é identificada na Mongólia

Estudo revela que dinossauros habitaram a região amazônica há cerca de 110 milhões de anos

Com base na análise das rochas e dos fósseis, os pesquisadores estimam que as pegadas tenham entre 103 e 127 milhões de anos. As marcas revelam a presença de quatro grandes grupos de dinossauros: 

  • Saurópodes
  • Ornitópodes
  • Terópodes 
  • Tireóforos 

As pegadas também indicam comportamentos coletivos, com marcas de herbívoros concentradas no centro e pegadas de carnívoros nas bordas, como se os predadores seguissem as manadas. Além das pegadas, os pesquisadores encontraram fósseis vegetais da mesma época, mostrando que o ambiente era repleto de samambaias, coníferas e plantas com flor, antepassadas da vegetação típica do lavrado roraimense.

Essas descobertas fazem de Roraima um dos principais pontos de estudo paleontológico da Amazônia, e os pesquisadores já defendem a criação de um parque geológico na área para preservar o sítio e incentivar o turismo científico.

segunda-feira, outubro 27, 2025

 FSP – Sentença de morte para o cerrado

Por José Sarney Filho, Folha S. Paulo.

Dentre os incontáveis retrocessos promovidos pelo governo Jair Bolsonaro e seus asseclas, a ameaça à sobrevivência do bioma cerrado está ganhando corpo de forma acelerada no Congresso Nacional. O projeto de decreto legislativo 338/2021, apresentado à Câmara no início do mês pelo deputado Delegado Waldir (PSL-GO), busca sustar decreto presidencial de 2017 que ampliou em quase quatro vezes a área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.

No Dia Mundial do Meio Ambiente daquele ano (5 de junho), com o Palácio do Planalto repleto de ambientalistas, políticos e jornalistas, tive a honra de anunciar, como ministro do Meio Ambiente do presidente Michel Temer (MDB), a expansão do parque.

Via aquela ação como uma das prioridades da gestão ambiental, a ser realizada com máxima urgência. Não foi fácil: a pressão por parte de setores atrasados do ruralismo e pela especulação imobiliária sobre o governo de Goiás nos tomaram mais de um ano de intensas negociações.

O cerrado, que abriga a Chapada dos Veadeiros, é a savana mais biodiversa do planeta e comporta 30% da biodiversidade brasileira. Ocupa um quarto do território nacional, fazendo a conexão de todos os demais biomas, e é o berço das águas do país, pois suas nascentes abastecem 6 de nossas 8 principais bacias hidrográficas, com imensos aquíferos subterrâneos.

Entretanto, o cerrado é também uma das ecorregiões mais ameaçadas do mundo. O bioma teve quase 50% de sua cobertura vegetal degradada nas últimas cinco décadas, em grande parte devido à monocultura da soja. Os efeitos disso para o clima e a segurança hídrica são dramáticos. Precisamos reverter esse processo de degradação e fragmentação e, como sabemos, as unidades de conservação são vetores da integridade ecossistêmica.

No coração do bioma, o parque nacional foi incluído em 2001, pela Unesco, entre os sítios do Patrimônio Natural da Humanidade devido à sua relevância como ecossistema singular, refúgio de espécies ameaçadas e endêmicas. É também zona núcleo da Reserva da Biosfera do Cerrado e faz parte do Corredor Ecológico Paranã-Pirineus.

A ampliação do parque visou o restabelecimento de áreas protegidas, de modo a contribuir para a conservação de dezenas de espécies da fauna e da flora ameaçadas de extinção. Com ela, demos um passo significativo no âmbito da Convenção sobre Diversidade Biológica, da qual o Brasil é signatário.

Parte fundamental do projeto de destruição que impõe ao país um de seus momentos mais dramáticos —destruição da saúde, da educação, da cultura, das relações exteriores, das instituições garantidoras da estabilidade nacional e da própria democracia—, o desmonte ambiental, assim como as centenas de milhares de vidas consumidas pela crise pandêmica, está entre as mais graves, por trazer consequências, muitas vezes, definitivas.

O tempo do homem é maleável e relativo, mas o tempo da natureza é absoluto e implacável. A demora, em certos casos, pode levar a perdas irreversíveis. E quando a natureza perde, perdemos todos.

Nestes tempos tão funestos, nosso Parlamento não pode permitir que se dê ao cerrado, com nova redução da área do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, uma sentença de morte.

Imagem de capa: Rafael Hoffmann.