Nasce primeiro filhote de kākāpō após quatro anos e reacende esperança contra extinção.
Por Bruno Sznajderman11/05/2026 às 16:16
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Os kākāpō não voam,
possuem hábitos noturnos, sua reprodução ocorre a cada dois a quatro anos e são
monitorados pelo Departamento de Conservação da Nova Zelândia. (Foto: Wikimedia Commons)
O primeiro filhote de
kākāpō, papagaio
da Nova Zelândia considerado uma das aves mais raras do mundo,
nasceu após quatro anos sem registros de reprodução. O animal, batizado de
Tiwhiri, nasceu em 14 de fevereiro, e se junta aos outros cerca de 230
indivíduos da espécie.
Os kākāpō não voam, possuem hábitos noturnos, sua reprodução ocorre a cada dois a quatro anos e são monitorados pelo Departamento de Conservação da Nova Zelândia, órgão também responsável pelo programa de recuperação da ave
kākāpō, papagaio em extinção na Nova Zelândia. (Foto:
Wikimedia Commons )
A principal
condição para o sucesso reprodutivo do animal é a frutificação de árvores
nativas, como o rimu (Dacrydium cupressinum), encontradas por todo o país.
Além da demora da reprodução, a taxa de
eclosão (percentual de ovos que efetivamente chocam) da espécie é considerada
baixa; nesta temporada, dos 187 ovos encontrados, apenas 74 são férteis.
Desses, nem todos eclodem ou sobrevivem até a fase da emplumação.
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Kākāpō: programa de conservação faz
população da ave rara voltar a crescer
Por mais que os principais órgãos
governamentais tenham sucesso no auxílio à reprodução da espécie, o kākāpō ainda é considerado um animal
criticamente ameaçado de extinção, embora a situação já
tenha estado pior no passado.
Nos anos 70, por exemplo, havia somente
cerca de 50 animais da espécie. O número foi crescendo, principalmente após a
criação do Programa de Recuperação do Kākāpō, em 1995.
Hoje, o Departamento de Conservação da Nova Zelândia monitora 236 kākāpō adultos vivos. Esse monitoramento é realizado por meio de um pequeno transmissor presente em cada ave, como uma “pequena mochila”, que permite o o rastreamento dos indivíduos.
kākāpō, uma das aves mais raras que estava em extinção na Nova
Zelândia. (Foto: Wikimedia Commons )
O Programa de Recuperação da
espécie, além de evitar a extinção, visa garantir condições seguras para os
kākāpō se reproduzirem e prosperarem em seu habitat natural.
O local de maior
foco é a Ilha Âncora de Pukenui, local de nascimento de Tiwhiri.
Livre de predadores, a ilha é repleta de câmeras instaladas em ninhos, que
permitem a transmissão em tempo real do nascimento dos filhotes e, segundo as
lideranças dos grupos de preservação da espécie, ajudam na arrecadação de donativos e
na conscientização pública sobre a extinção animal.
“A câmera kākāpō é uma ótima maneira de
as pessoas verem a conservação em tempo real e fazerem sua própria contribuição
para a natureza a partir de casa, do escritório ou de qualquer lugar do mundo”,
afirma Tãne Davis, representante do Grupo de Recuperação kākāpō.
Reprodução assistida
ajuda a salvar uma das aves mais raras do planeta
Da mesma forma que cada passo é
monitorado pelos especialistas, todo o processo de reprodução é
assistido, acompanhado e intervencionado. Isto não ocorre
apenas para a garantia do sucesso reprodutivo mas também para a preservação da diversidade genética.
Esse processo ocorreu com Tiwhiri, que
foi incubado pela fêmea Yasmin. Seu ovo havia sido retirado do ninho da mãe
biológica, que já tinha quatro ovos férteis, e transferido para o de Yasmin,
que não possuía nenhum ovo viável.
O processo de manejo, segundo o
Departamento de Conservação, prioriza ovos e filhotes com menor
representatividade genética e é essencial para evitar o enfraquecimento da
espécie no longo prazo.
Após o acasalamento, o macho
não participa da criação, e cerca de uma semana depois a fêmea dá início à
postura (processo de colocação dos ovos). Elas podem colocar até cinco,
intercalados em um período de três dias. Em seguida, o processo de incubação
dura aproximadamente um mês.
Com plumagem verde, olhos posicionados para a frente e bico cinza, a espécie tem um peso maior do que os papagaios mais comuns e tem uma expectativa de vida que chega aos 100 anos.
Papagaio kākāpō. (Foto: Wikimedia Commons )
“É preciso um
esforço coletivo para reverter a situação e trazer o kākāpō de volta da beira
da extinção. Somos gratos por todo o apoio demonstrado ao longo dos anos por
pessoas interessadas em fazer a sua parte pela natureza”, completa Tãne.




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