quinta-feira, março 26, 2026

Especialistas apontam como onça-pintada cruza fronteiras e norteia saúde ambiental

Animal foi tema de discussão na COP15, em Campo Grande

Thais Libni eJúlia Ortega

26/03/2026 09:44Atualizado em 26/03/2026 10:12

A onça-pintada, considerada como o maior felino das Américas e por atravessar dezenas de quilômetros em poucos dias, foi destaque na Conferência das Partes da Convenção sobre Espécies Migratórias (COP15), que acontece em Campo Grande.

                       Onças-pintadas são destaque na COP15. (Foto: Bruno Sartori)

Um dos principais motivos para o debate internacional sobre a espécie é a capacidade de atravessar fronteiras entre países sem reconhecer limites territoriais.

O comportamento da espécie foi discutido no painel “Um continente, uma onça-pintada: construindo conectividade transfronteiriça na América do Sul”, que reuniu pesquisadores e representantes de diferentes países da América do Sul.

De acordo com o analista de conservação do WWF-Brasil, Felipe Feliciani, o deslocamento frequente é uma das características mais marcantes da espécie.

“As onças-pintadas se deslocam muito, andam dezenas de quilômetros todos os dias, principalmente machos jovens em processos de dispersão”, explicou.

 

            Onça-pintada Jaju inicia a travessia do rio em Porto Jofre (Foto: Fábio Paschoal)

Com o potencial para deslocamento, elas atravessam por grandes áreas, muitas vezes cruzando diferentes países, como Brasil, Paraguai e Bolívia.

Os pesquisadores desta caram que entender o modo de vida da espécie é essencial para planejar ações que garantam sua sobrevivência.

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“As onças-pintadas são animais topo de cadeia, ou seja, a presença da onça-pintada num território demonstra que aquele território está saudável”, afirmou Felipe Feliciani.

Segundo o analista, quando a espécie está presente, significa que há alimento suficiente e equilíbrio ecológico na região.

Grande população está no Pantanal

O Pantanal é considerado uma das áreas mais importantes para a onça-pintada no Brasil.

O estado atual do bioma ainda não é considerado crítico, mas pesquisadores alertaram na COP15 que mudanças ambientais recentes exigem atenção.

             Pantanal, lar para grande parte das onças-pintadas do país. (Foto: Reprodução)

Segundo o biólogo Rogério Cunha de Paula, coordenador do Centro Nacional de Pesquisa e Conservação de Mamíferos Carnívoros do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), o cenário é estável, mas pode mudar caso os impactos ambientais continuem.

“Ele ainda não chegou no ponto crítico, mas se a gente deixar descontrolado pode vir a ser um problema”, afirmou.

Fatores como alterações no fluxo natural de água e o aumento de incêndios podem afetar diretamente o habitat das onças, conta o pesquisador.

“O Pantanal é simbólico para esse debate, porque concentra populações importantes de onça-pintada e está próximo de fronteiras com outros países”, afirmou Carlos Eduardo Marinello, chefe de gabinete da Secretaria Nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima.

Animal cruza países sem cruzar fronteiras

O comportamento da onça-pintada de não reconhecer fronteiras políticas também foi centro do debate. O mesmo animal pode circular entre diferentes países ao longo da vida.

O representante do Ministério do Ambiente do Paraguai, Ramon Torres, explica que o comportamento natural da espécie exige grandes áreas para sobreviver.

“É importante, um elemento tão importante como o jaguar, que não reconhece limites fronterísticos políticos, mas só requer espacios naturais para poder se mover”, afirmou.

Símbolo regional e destaque na COP15

A onça-pintada é considerada um dos principais símbolos naturais do Pantanal e da biodiversidade brasileira, além da importância ecológica.

         Onça-pintada no Pantanal Mato-grossense | Foto: Mayke Toscano

De acordo com Felipe Feliciani, o animal representa equilíbrio ambiental e deve ser valorizado pela população local, por isso teve destaque na COP15.

“A presença de onças-pintadas é motivo de orgulho para o território e deve ser motivo de orgulho para o estado do Mato Grosso do Sul e para o Pantanal”, disse.

 


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