quinta-feira, setembro 28, 2023

UBERLÂNDIA

O início de uma cidade

Na primeira reportagem da série sobre Uberlândia, abordamos alguns momentos históricos importantes
Por: Jhonatan Dias
Publicado em 26/08/2020 às 15:46 - Atualizado em 22/08/2023 às 16:52
       Praça Tubal Vilela, registro sem data. (Foto: Coleção João Quituba - Acervo CDHIS)

Os primeiros moradores

Para reconstruir a trajetória de uma cidade, os historiadores recorrem a diversas fontes, como documentos oficiais, atas da Câmara Municipal, fotografias, relatos orais e até mesmo à imprensa. Também é importante considerar as contribuições de várias áreas do conhecimento para conhecer o nosso passado. Por esses motivos, o Comunica UFU conversou com os professores Jean Neves Abreu, do Instituto de História da Universidade Federal de Uberlândia (Inhis/UFU), e Beatriz Ribeiro Soares, do Instituto de Geografia (IG/UFU), sobre a formação e o desenvolvimento urbano da cidade.

Segundo o Atlas Educacional de Uberlândia, os primeiros indícios de ocupação urbana da cidade correspondem aos indígenas do grupo étnico Caiapós. A primeira pessoa de origem europeia a conhecer a região foi o bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva Filho, de acordo com Neves. O historiador complementa que paira sobre o imaginário social a figura dos bandeirantes como “heróis” nacionais e desbravadores, porém, essa percepção gera muitos debates e revisões nos estudos sobre a história nacional.

“A mitologia em torno dos bandeirantes está presente em livros como Vida e morte do bandeirante, de Alcântara Machado, em 1929. Este livro foi apropriado como obra que enaltece um determinado passado da história paulista. Porém, é interessante observar que outras publicações foram desconstruindo essa imagem, a exemplo de Caminhos e Fronteiras, de Sérgio Buarque de Holanda, e vários estudos publicados que procuraram desmistificar a imagem de heróis e desbravadores atribuída a esses indivíduos”, explica.

Essa interação entre os indígenas e os bandeirantes pode parecer ter sido totalmente pacífica. Entretanto, Neves ressalta que as populações que deram origem a São Pedro de Uberabinha (futura Uberlândia) “colaboraram no desenvolvimento das relações com outras regiões, mas também tiveram um impacto sobre as populações indígenas e também quilombolas. Impactos culturais e sociais na desarticulação de seus modos de vida, hibridismos de forma de vida, além de impactos na dizimação dessa população.”

Manter a memória dos povos indígenas da região de Uberlândia requer esforços. É por isso que a Universidade Federal de Uberlândia mantém o Museu do Índio - criado em 1987. Apesar das visitações presenciais estarem suspensas, você pode conferir a história indígena de Uberlândia por meio dos vídeos do canal do museu no  YOUTUBE . 

A constituição de Uberlândia

Uberlândia está situada na região de planejamento do estado Triângulo Mineiro. Essa área, então conhecida como ‘sertão da farinha podre’, pertenceu à província de Goiás até o ano 1816, quando o Triângulo foi incorporado a Minas Gerais. No ano seguinte, 1817, as primeiras posses de terra começaram a acontecer.

De acordo com o Atlas Educacional, em 31 de agosto de 1888, São Pedro de Uberabinha passou a ser um município, com duas ocorrências históricas importantes para o desenvolvimento da cidade: a criação da 1ª Câmara Municipal, em 1892, e a construção de uma ferrovia pela companhia Mogiana para fazer ligações com as cidades mais desenvolvidas. Em 1929, por meio de um plebiscito, o nome do município passou a ser Uberlândia, que significa ‘Terra Fértil’.

“O contato entre a antiga região de Uberlândia e os estados de São Paulo e Goiás foi estabelecido nas rotas abertas desde os séculos XVIII e XIX. Além disso, a estrada de ferro Mogiana (que se estendeu por aqui em 1895) colaborou também para comércio regional e entre São Paulo e Uberlândia. No início do século XX é que as rodovias assumiram uma fundamental importância para a região. Essa 'opção' pelo transporte rodoviário, feita por Uberlândia, veio garantir sua inserção comercial, já que não era 'ponta de linha' da Mogiana”, explica Neves.

A docente Soares graduou-se em Geografia pela UFU, no ano de 1974, e pesquisou os projetos urbanísticos e planos diretores de Uberlândia no mestrado e doutorado na Universidade de São Paulo (USP). Ela afirma que a cidade teve vários planos diretores e o primeiro veio em 1905, para o planejamento das cinco avenidas principais: Cipriano Del Favero, João Pinheiro, Floriano Peixoto, Afonso Pena e Cesário Alvim. Da próxima vez que você passar por alguma dessas avenidas, lembre-se: elas foram inspiradas pelo urbanista francês Haussmann, que remodelou o projeto urbano de Paris.

“Quando eu ainda estudava esses primeiros planos diretores, que foram o tema da minha tese de doutorado, vi que muita coisa ainda estava sendo construída no final dos anos 90. Por exemplo, a área cultural projetada por volta de 1954 tornou-se o próprio Teatro  Municipal de Uberlândia posteriormente.”

A geógrafa também ressalta que as características físicas da região favoreceram para a expansão, uma vez que o sítio urbano é mais plano, sem uma barreira física como uma montanha, por exemplo. Também cabe destacar que o processo de urbanização da cidade contribuiu para o distanciamento de certas populações do centro da cidade, com a construção de conjuntos de casas populares distantes do centro.

Inevitavelmente, uma tendência para o espaço urbano uberlandense é o policentrismo: se você visitar os bairros Santa Luzia e Luizote, vai perceber que há avenidas com comércio variados, áreas de lazer e até centros médicos. A professora acredita que a descentralização da cidade pode acontecer com bairros como Pequis e Monte Hebron.

 

Política de uso: A reprodução de textos, fotografias e outros conteúdos publicados pela Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia (Dirco/UFU) é livre; porém, solicitamos que seja(m) citado(s) o(s) autor(es) e o Portal Comunica UFU.

Palavras-chave: Uberlândia história Cidade

sábado, dezembro 03, 2022

 

Pantanal

Pantanal é um dos menores biomas brasileiros, presente no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. É conhecido como a maior planície alagada do mundo.

"O Pantanal é um dos menores biomas existentes no Brasil. Sua localização está na região Centro-Oeste, nos estados do Mato Grosso (no sul do estado) e do Mato Grosso do Sul (no noroeste do estado), além de poder ser encontrado no Paraguai e na Bolívia.

É um bioma extremamente rico quando o assunto é fauna brasileira, pois abriga grande parte dos animais existentes no Brasil. Sua preservação ambiental é alta, sendo considerado o bioma mais preservado do país de acordo com os órgãos governamentais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística.

Leia também: Regiões do Brasil – agrupamentos de estados com características semelhantes

Tópicos deste artigo
1 - Características do Pantanal
2 - Aspectos econômicos do Pantanal
3 - Impactos ambientais no Pantanal
4 - Curiosidades do Pantanal
Características do Pantanal
O Pantanal apresenta grande integração de outros biomas, podendo ter áreas de ocorrência com o Cerrado, a Caatinga, e florestas tropicais. Entretanto, a principal característica desse bioma é sua planície inundada, sua marca registrada no Brasil.

Localização do Pantanal
Esse bioma pode ser encontrado em 22 cidades brasileiras, nos estados do Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Sua área de ocorrência limita-se ao oeste desses estados, nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia. Com isso, o Pantanal também pode ser encontrado nesses dois países."

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm
"Área de ocorrência do Pantanal.
A área que abrange esse bioma chega a 220 mil km², sendo 120 mil km² em solo brasileiro. No Brasil, a área pantaneira ocupa, aproximadamente, 2% do território do país. É o menor bioma brasileiro.

Solo do Pantanal
Grande parte dos solos pantaneiros é de planície inundável, característica natural da região. Isso é uma dádiva, mas, ao mesmo tempo, é prejudicial do ponto de vista agrícola, pois, com essa inundação, muitas áreas possuem baixa fertilidade, o que leva ao uso de agrotóxicos e insumos químicos, os agroquímicos, para o cultivo de soja e afins.

A inundação faz com que a matéria orgânica decomponha-se de forma lenta, por isso é um solo pouco fértil. Esse solo é oriundo de processos erosivos das terras mais altas, os planaltos do Pantanal, comuns nas áreas mais ao leste do bioma. Nessas áreas, o terreno é arenoso e ácido, também com baixa fertilidade."

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm
"Vegetação do Pantanal
Por ser um bioma com ligações próximas à Floresta Amazônica e ao Cerrado, a paisagem pantaneira é bem diversificada, com árvores de médio e grande porte, típicas da Amazônia, mas também conta com a presença de árvores tortuosas de baixo e médio porte, muito comuns no Cerrado.

Nas matas ciliares, próximas dos rios, é comum encontrarmos jenipapos de 20 metros de altura, árvore amazônica. Nessa área, a vegetação é densa e exuberante, com figueiras, ingazeiros, e outras árvores altas.

As planícies inundadas do Pantanal possuem uma vegetação típica dessa localidade, como os vegetais aquáticos: aguapé, erva-de-santa-luzia, utriculária e cabomba, muitos deles utilizados para fins medicinais.

Nas áreas não tão alagadas, a presença de árvores do Cerrado é frequente, como os ipês e buritis.

Clima do Pantanal
O Pantanal está localizado em uma área de ocorrência do clima tropical, com duas estações bem definidas: o verão chuvoso e o inverno seco. Esse fato é essencial para a atividade turística da região, uma das grandes impulsionadoras da economia.

As chuvas concentram-se de outubro a março, período em que o turismo é limitado e a pesca é proibida entre novembro e fevereiro, pois coincide com a reprodução dos peixes. Nessa época, a temperatura ultrapassa os 30 ºC.

Entre abril e setembro, a ausência de chuvas é marcada por belíssimas paisagens que atraem turistas de todos os cantos, tanto brasileiros quanto estrangeiros. A temperatura amena, entre os 20 ºC e 25 ºC, contribui para as atividades econômicas locais, como passeio de barco, comércio e práticas agropecuárias.

Leia também: Qual a diferença entre tempo e clima?

Relevo do Pantanal
O Pantanal está situado em uma área circundada por planaltos que atingem, em média, 700 metros de altitude. Essa elevação ao redor do bioma é a responsável pelas nascentes dos vários rios pantaneiros. Entretanto, o Pantanal propriamente dito possui altitudes que não ultrapassam 120 metros. Com isso, mais de 80% do bioma ficam alagados no verão, época de intensas chuvas.

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm
"Com o relevo plano, áreas alagadas são comuns no Pantanal.
Dos planaltos ao redor, o mais famoso é o maciço Urucum, no Mato Grosso do Sul, com um pico culminante de 1065 metros de altitude. Nessa unidade de relevo, encontramos uma das maiores reservas de manganês do Brasil, mineral bastante utilizado em indústrias siderúrgicas.

Hidrografia do Pantana
A água no Pantanal é um fator decisivo no equilíbrio da fauna e da flora. Durante as cheias no verão, estima-se que 180 milhões de litros d’água atinjam a planície do bioma.

Toda essa água acumula-se na planície, formando as áreas inundadas: pântanos, brejos, lagoas e baías que se interligam aos rios. O relevo contribui para essa ligação devido a sua baixa declividade.

Dentre os inúmeros rios da região, podemos destacar o rio Cuiabá, rio Taquari, rio Itiquira, rio Aquidauana, além do rio Paraguai, um dos maiores da localidade.

Fauna do Pantanal
A fauna presente no Pantanal é riquíssima, concentrando quase todos os animais que vivem no Brasil. Esse fato ocorre porque tal bioma sofre uma influência direta de três grandes biomas brasileiros: Floresta Amazônica, Cerrado e Mata Atlântica, além de ter algumas áreas com resquícios da Caatinga.

De acordo com a Agência de Notícias do IBGE, o Pantanal contém:

132 espécies de mamíferos: anta, capivara, veado, onça-pintada, morcego;

85 espécies de répteis, sendo os jacarés com a maior variedade;

463 espécies de aves: tucano, arara, tuiuiú, carão;

35 espécies de anfíbios, como a rã verde;

263 espécies de peixes: pacu, pintado, bagre, traíra, dourado, piau, jaú (o maior da região)."

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm
"Tuiuiú, ave símbolo do Pantanal.
Com toda essa riqueza, o Pantanal sofre com a caça e a pesca que ocorrem de forma ilegal. Um dos grandes alvos dos caçadores é o jacaré, animal bastante comum nessa região. Além disso, o peixe-dourado também está na lista de animais ameaçados pelos pescadores, o que levou à proibição da sua pesca. No entanto, mesmo com o rigor da lei, falta fiscalização, levando a ataques ilegais constantes.

Acesse também: Consequências das ações antrópicas no meio ambiente

Aspectos econômicos do Pantanal
A economia pantaneira gira em torno das atividades pesqueiras e do turismo. Entretanto, recentemente foi incluída nas atividades da região a pecuária bovina, principalmente no estado do Mato Grosso.

Nas cidades de Cáceres (MT) e Corumbá (MS), existem pousadas que abrigam turistas durante a alta temporada, que vai de junho a setembro. Essas pousadas são chamadas de barcos-hotéis, pois muitos moradores da região transformam seus barcos em hotéis e viram guias para pescadores de todos os cantos do Brasil e também de outros países. Durante os meses de novembro a fevereiro, a pesca nas áreas pantaneiras é proibida, pois é o período da piracema, época em que os peixes migram e reproduzem-se.

A pecuária atrai muitos fazendeiros mato-grossenses que utilizam as áreas planas da região para criar seus gados. Além disso, a boa umidade do local garante bastante comida para os animais. Para atravessar as áreas alagadas, grande parte dos criadores de gado causa ferimento em um boi. Este, ao sangrar, atrai as piranhas, bastante comuns em alguns rios. Com isso, a atenção desses peixes volta-se para esse boi, fazendo com que o restante do rebanho atravesse em segurança.

A criação de gado consegue desenvolver-se de forma sustentável, gerando emprego e renda. Entretanto, nas últimas décadas, o cultivo da soja no Mato Grosso adentrou o Pantanal, o que pode ser um ato perigoso, pois esse cultivo usa uma quantidade expressiva de agrotóxicos, gerando problemas para todo o ecossistema pantaneiro.

No turismo, é bastante comum o passeio de chalana, uma grande embarcação de fundo plano, típica dessa região e usada para transporte de pessoas pelos rios do Pantanal.

Impactos ambientais no Pantanal
Na região pantaneira, e em quase todo o estado do Mato Grosso do Sul e no Mato Grosso, as atividades agropecuárias são extremamente importantes para a economia. Entretanto, quando essas atividades são feitas de maneira exagerada quanto ao uso do solo e de adubos químicos, graves impactos surgem no meio ambiente, e em alguns casos são irreversíveis.

Em relação ao Pantanal, a agricultura com o cultivo da soja tem causado preocupação para a população local e regional, pois os impactos ambientais não são restritos a sua área de ocorrência.

Um dos casos que mais preocupam a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), é a contaminação da bacia hidrográfica do rio Taquari, com graves ameaças à fauna e à flora local.

O rio Taquari nasce no extremo sul de Mato Grosso e corre no sentido leste–oeste, em direção ao Mato Grosso do Sul, sendo um dos afluentes do rio Paraguai, um dos principais rios da bacia Platina.

Esse rio pantaneiro sofre com um grave problema de assoreamento causado pela retirada de parte da mata na sua parte alta para a inserção de pastagens e lavouras de soja. Além disso, a monocultura da soja utiliza agroquímicos e pesticidas que contaminam o solo e prejudicam todo o ecossistema regional, causando sérios problemas para o bioma.

Quando acontece a remoção da vegetação natural para práticas agropecuárias, o processo erosivo é acentuado, gerando o assoreamento tão preocupante entre as entidades ambientais.

Outro fator que preocupa a preservação do Pantanal está associado às práticas ilegais de caça e pesca na região. Devido a sua grande área inundada, o bioma tem uma rica fauna aquática, mas alguns peixes são proibidos, como o dourado. A caça aos jacarés de determinadas espécies também é proibida, mas isso não impede que pescadores e caçadores aventurem-se no Pantanal em busca desses animais. Entretanto essa busca prejudica a cadeia alimentar da região, gerando um desequilíbrio ecológico, que, com o passar do tempo, agrava a reprodução de espécies e a preservação dos recursos naturais.

Nos planaltos do Pantanal, a Embrapa investiga a exploração da mineração de ouro e diamantes feita de maneira não sustentável, contaminando rios e solos com mercúrio, o que acarreta na contaminação direta dos animais que ali vivem.

Tais problemas mostram que falta um grande projeto ambiental que possa garantir o uso sustentável do Pantanal, com planejamento e sustentabilidade, garantindo a continuidade e o status de ser o bioma mais preservado do país.

Leia também: Impactos ambientais causados pela mineração

Curiosidades do Pantanal
Um bioma tão rico possui também várias curiosidades, desde geográficas até as relacionadas à fauna presente nele. Vejamos algumas.

65% do Pantanal brasileiro estão no estado do Mato Grosso do Sul, e o restante (35%), no Mato Grosso.

Na Bolívia e no Paraguai, o Pantanal recebe o nome de Chaco.

A ave símbolo do Pantanal é o Tuiuiú.

Na época da cheia, até 80% da planície pantaneira fica inundada. É a maior planície inundada do mundo.

É bem comum no Pantanal a presença da segunda maior cobra do mundo, a sucuri, que pode medir até nove metros de comprimento.

Os jacarés são comuns no Pantanal, mas só agridem humanos se forem ameaçados."

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm
"Jacaré-caiman, animal comum no Pantanal.
A Unesco considera o Pantanal como Patrimônio Natural e Reserva da Biosfera Mundial.

O dia 12 de novembro é considerado o Dia do Pantanal, em memória ao ambientalista Francisco Anselmo de Barros, ícone importante para as questões ambientais pantaneiras.

Há mais peixes no Pantanal do que em todos os rios europeus juntos.

Veja mais sobre "Pantanal" em: https://brasilescola.uol.com.br/brasil/o-pantanal.htm

domingo, março 14, 2021

 RIO UBERABINHA

https://www.uberlandia.mg.gov.br/prefeitura/secretarias/meio-ambiente/rio-uberabinha/

O rio Uberabinha é a vida da nossa cidade, conhecê-lo e preservá-lo agora é um compromisso com o futuro e a certeza da garantia de uma melhor qualidade de vida para os habitantes de Uberlândia.

Nascente do Rio Uberabinha

O rio Uberabinha é o principal manancial utilizado para o abastecimento de água de Uberlândia. Suas nascentes estão localizadas no município de Uberaba, a cerca de 96 km ao sul da cidade, próximo ao distrito de Tapuirama.

A área total da bacia hidrográfica é de 2000 km², possuindo 49 afluentes, sendo os mais importantes os ribeirões Beija-Flor, Bom Jardim e Rio das Pedras.

As matas ciliares

A região das nascentes é um chapadão, a cerca de 900 metros de altitude, onde a vegetação natural é o campo cerrado. Ocorrem também extensas áreas de brejo, constituídas de solos úmidos, com espessos horizontes de argila branca recoberta de turfa. É neste ambiente que aparecem os covais, um ecossistema importante para a manutenção do regime hídrico do rio, além de ser um refúgio para a fauna silvestre.

No médio curso as águas mansas correm por vales abertos com amplas planícies de inundação onde ocorrem capões de mata e lagoas temporárias.

Na descida rumo à cidade, o rio Uberabinha percorre áreas de lavouras, pastagens e reflorestamento. Acompanhando o curso do rio, encontramos longos trechos de matas ciliares que, com sua vegetação rica e variada, oferecem alimento para a fauna, ajudam a preservar a qualidade da água e protegem as margens dos processos erosivos evitando o assoreamento da calha do rio. Em algumas áreas em que a mata ciliar foi suprimida, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente, num esforço conjunto com os proprietários rurais, vem desenvolvendo o projeto de recomposição da mata ciliar com essências nativas ou adaptadas ao cerrado mineiro.

Nesta parte do rio são encontrados locais de antigas lavras de cascalho que, após desativadas, tornaram-se lagoas de águas cristalinas.

A partir do médio curso começam aparecer diversas corredeiras e cachoeiras de grande beleza paisagística, propiciando potencial turístico e lazer. A cachoeira mais importante é a de Sucupira, onde está localizada uma das Estações de Captação e Tratamento de Água que abastece a cidade.

Cachoeira dos Dias

É a primeira cachoeira do baixo curso e está localizada próximo à usina de triagem e compostagem de lixo.

Cachoeira dos Martins

Situada junto à Usina dos Martins, que até hoje contribui com geração de energia.

Cachoeira Miné

Fica próxima ao Distrito de Martinésia, com grande beleza natural.

Cachoeira de Malagone

Última cachoeira do rio Uberabinha, possui aproximadamente oito metros de queda e um grande volume de água.

sexta-feira, fevereiro 21, 2020

Zoológico Municipal elabora cardápio especial para estimular animais
TÉCNICA CONHECIDA COMO ENRIQUECIMENTO AMBIENTAL OFERECE UM AMBIENTE DE BEM-ESTAR ÀS ESPÉCIES
6 DE FEVEREIRO DE 2020 - UBERLÂNDIA-MG
Araípedes Luz/Secretaria Municipal de Governo e Comunicação
Imagine um picolé de peixe ou de carne. Opções assim podem não soar muito atrativas para humanos, mas certamente agradam algumas espécies de animais que habitam o Zoológico Municipal nesta época do ano. Semanalmente, os técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Serviços Urbanos elaboram novas e criativas opções de nutrição do plantel, considerando principalmente a temperatura ambiente. Os alimentos são acompanhados de outras iniciativas capazes de simular o habitat natural e otimizar a qualidade de vida das espécies, em um processo conhecido como enriquecimento ambiental.  
As dietas levam em consideração os 150 animais do espaço e são elaboradas por um zootecnista, com apoio de um veterinário e de um biólogo. Os alimentos são adquiridos com empresas selecionadas por meio de licitação.
Araípedes Luz/Secretaria Municipal de Governo e Comunicação
O diretor do Zoológico, Evandro Canelo, explica que o enriquecimento ambiental segue um planejamento conforme necessidades específicas de cada espécie, com adaptações constantes, levando em consideração a época do ano. Para as altas temperaturas do verão, o cardápio é dominado por folhas, frutos e flores. Além de picolés, a ingestão de água é incrementada com outros alimentos, como gelatinas.
 “Em épocas onde temos calor em excesso, aumentamos a quantidade de alimentos mais ricos em líquido. Junto a isso, criamos estímulos nos ambientes, fazendo com que esse alimento mais saudável torne-se também mais atrativo. Assim, o animal consegue ingerir a quantidade de nutrientes e calorias necessárias para o seu bem-estar, independentemente da temperatura
Araípedes Luz/Secretaria Municipal de Governo e Comunicação
Foco ambiental
O trabalho abrange ainda exercícios que exploram características sociais, alimentares, físicas, sensoriais e ocupacionais dos animais. O diretor acrescenta que os resultados extrapolam os recintos e contribuem para a conscientização dos visitantes acerca da fauna e do meio ambiente.
“O nosso foco principal é a conservação e a educação ambiental em fazer com que os visitantes saiam pessoas melhores e esse enriquecimento favorece a conservação. Esses animais ficam cativos, então o que fazemos é melhorar o dia a dia com a oferta de alimentos e enriquecimento diário”, explicou.
Zoológico Municipal
Local: complexo do Parque do Sabiá – bairro Tibery
Funcionamento: Terça a domingo – das 8h às 16h, com permanência até às 17h
Entrada gratuita!

sexta-feira, abril 05, 2019

Expedição a índios isolados teve 'contato pacífico e emoção no reencontro de parentes', diz Funai
Por Matheus Leitão
05/04/2019 09h56 atualizado há 5 horas
Índios Korubo permaneciam isolados até a expedição — Foto: Bernardo Silva/Funai

A maior expedição da Fundação Nacional do Indio (Funai) dos últimos 20 anos para fazer contato com índios isolados resultou, até o momento, em um encontro pacífico e acabou marcada pelo reencontro de parentes indígenas que estavam afastados. Também houve diálogos para evitar conflitos por terras.

Como o blog informou no início de março, a Funai preparou a maior expedição das últimas décadas para entrar em contato com um grupo de índios Korubo, na Terra Indígena (TI) Vale do Javari, no extremo oeste do Amazonas, que permanecia totalmente isolado.

A expedição, que começou a ser organizada no governo anterior, tinha dois objetivos principais: reaproximar parentes que se afastaram em 2015 e, também, evitar novos conflitos entre eles e os Matis, outra etnia indígena da região, pelas terras próximas ao Rio Coari.

Reencontro de parentes Korubo foi celebrado entre os índios — Foto: Bernardo Silva/Funai


Havia o risco de extinção física de uma das etnias, segundo a Funai, no caso de um contato inadvertido, porque existem muitas desavenças entre os dois grupos. Daí, a necessidade da expedição que fez a fundação abrir mão da política de "zero contato” com índios isolados, que vinha sendo adotada desde 1987.

Atualmente, a Funai evita ao máximo o contato com grupos indígenas para preservar a decisão dos índios de se isolar. Depois de aproximadamente 32 dias, o chefe da expedição e coordenador-geral de índios isolados e recém contatados da Funai, Bruno Pereira, conversou com o blog sobre os resultados da missão que, segundo ele, foi um sucesso.
                                                                     
Bruno Pereira lembra que a equipe da expedição era composta por 30 pessoas, entre profissionais de saúde, servidores da Funai, da Secretaria de Saúde Índigena (Sesai) e índios já contatados da região. Além da equipe que trabalhou efetivamente nas matas, a expedição teve o apoio da Polícia Militar, do Exército Brasileiro e da Polícia Federal.

Inicialmente, a equipe de trabalho passou por uma quarentena de 11 dias para se livrar de gripes e evitar a contaminação dos índios com doenças. Depois do período em quarentena, a equipe permaneceu oito dias na mata em busca dos Korubo isolados.

Bruno relata que a equipe usou como intérpretes índios Korubo já contatados, parentes que tinham se perdido do grupo dos Korubo isolados em 2015. Ao chegar nas roças mapeadas pela Funai, a equipe não encontrou imediatamente os índios isolados, que tinham saído em busca de alimento. Ao procurar pelos caminhos abertos pelos indígenas, a equipe conseguiu realizar o encontro.

Segundo a Funai, na manhã do dia 19 de março a equipe encontrou com dois indígenas isolados que caçavam. “Foi um encontro bastante emocionante, pois logo descobrimos que um dos dois Korubo que vieram em nossa direção era irmão consanguíneo de um Korubo que compunha a expedição. Eles não se viam desde 2015. Foi uma situação de bastante emoção e choro entre eles, que acreditavam que seu parente estava morto” conta o coordenador de Índios Isolados.

“Num primeiro momento, eles não estavam com suas armas, suas bordunas, e a gente também não. Nossos intérpretes Korubo são familiares que foram separados, então houve bastante emoção nesse momento, foi um contato bem pacífico e ele foi sendo construído”, explica Bruno Pereira.

De acordo com ele, no dia seguinte chegaram outros 22 indígenas que estavam nas proximidades. Duas famílias, compostas por 10 indígenas, se aproximaram nos três dias seguintes. Ao todo foram contabilizados 34 Korubos. Quatorze deles com idade aproximada entre 20 e 48 anos, sendo oito homens e seis mulheres, duas delas grávidas. O grupo conta, ainda, com 21 crianças e jovens de até 16 anos, sendo nove meninos e 12 meninas. Dessas, três bebês de menos de um ano de idade.

O chefe da expedição relata que não há registros de doenças que tenham sido passadas da equipe para os índios até o momento. Bruno explica que os Korubo estavam com uma malária “suave”, mas que não foi adquirida pelo contato com a equipe. Segundo ele, os índios “podem ter adquirido [a doença] nas visitas aos Matis ou pelos próprios caçadores ilegais que andam próximo ao Rio Coari”.

Questionado sobre o diálogo para evitar confrontos entre os Korubo do Coari e os Matis, Bruno Pereira revela que os índios entenderam que não devem se aproximar da região onde estão os Matis. No entanto, segundo o chefe da expedição, o contato ainda é muito inicial e precisa ser monitorado.

“Houve um entendimento, a gente conseguiu dialogar nesse sentido com eles. Disseram que não iam mais andar para lá e é fundamental entender que os intérpretes nossos são parentes deles, então a coisa pôde fluir um pouco mais. Mas está muito inicial, o processo é estável. São as primeiras informações de campo e a gente ainda tem que monitorar”, explica Bruno.

Bruno Pereira ressalta que a expedição não terminou. A ação vai diminuindo gradualmente até que a situação seja considerada segura e o contato esteja consolidado com os índios. Segundo ele, é preciso estar “alerta” por causa do histórico de conflitos na região.

“Agora ela [a missão] vai reduzindo um pouco conforme vamos ganhando segurança e estabilidade nessa relação. Leva um tempo. Não é algo feito em 10 dias, 15 dias. A gente não vira as costas e vai embora. Voltamos a repetir um monte de informações para eles com o intuito de que a gente não tenha dissabores após o contato”, explica.


segunda-feira, julho 16, 2018

New York Times
Com 10 mil pessoas, resgate na Tailândia teve inundação, tensão e sorte
'Ainda não consigo acreditar que deu certo' diz militar que participou da operação
MAE SAI (TAILÂNDIA)
Contras as probabilidades, a maioria dos meninos foi resgatada sem erros.
Mas na viagem número 11, para salvar um dos últimos meninos de um time de futebol juvenil que estavam bloqueados havia 18 dias nas profundezas de uma caverna, alguma coisa deu perigosamente errado.
equipe de resgate no interior de uma câmara subterrânea sentiu um puxão na corda guia —sinal de que um dos 12 garotos e seu técnico iria emergir em breve dos túneis inundados.
“Continuem”, disseram os socorristas, recordou o major da Força Aérea americana Charles Hodges, comandante de missão da equipe americana no local.
Passaram-se 15 minutos. Depois 60. Depois 90.
Enquanto os socorristas aguardavam ansiosamente, um mergulhador que estava conduzindo o 11º menino pelo labirinto inundado soltou a corda guia. Com visibilidade quase zero, não conseguiu reencontrá-la. Ele então retrocedeu lentamente, voltando para trás na caverna para localizar a corda guia. Só assim o resgate pôde seguir adiante. Finalmente o menino sobrevivente saiu em segurança.

Foi um momento assustador em uma operação até então surpreendentemente sem falhas para resgatar os membros do time de futebol Javalis Selvagens, que haviam sobrevivido à escuridão impenetrável do complexo de cavernas Tham Luang, na Tailândia, às vezes lambendo água das paredes geladas de calcário da caverna para se hidratarem.

“O mundo inteiro estava acompanhando tudo, então tínhamos que conseguir”, disse Kaew, SEAL da Marinha tailandesa que abanou a cabeça de espanto ao refletir sobre como cada um dos resgates deu certo. “Acho que não tínhamos outra escolha.”
Entrevistas com militares e autoridades responsáveis forneceram detalhes sobre uma operação de resgate montada com a contribuição física e intelectual de pessoas de todo o mundo. Dez mil pessoas participaram da operação, incluindo 2.000 soldados, 200 mergulhadores e representantes de cem agências governamentais.
Foram usados casulos plásticos, macas flutuantes e uma corda guia que içou os garotos e o técnico para que suas macas passassem sobre trechos de elevação rochosa. Os garotos ficaram isolados numa encosta rochosa a mais de 1.500 metros abaixo da superfície. Para retirá-los foi preciso atravessar longos trechos totalmente debaixo d’água de baixíssima temperatura, mantendo-os os submersos por cerca da 40 minutos cada vez. Os garotos chegaram a ser sedados para evitar ataques de pânico.
“O elemento mais importante do resgate foi a sorte”, disse o general Chalongchai Chaiyakham, vice-comandante da 3ª região do Exército tailândes, que cooperou com a operação. “Tantas coisas poderiam ter dado errado, mas de alguma maneira conseguimos tirar os meninos de lá. Ainda não consigo acreditar que deu certo.”
Os riscos foram enfatizados na sexta-feira (6) passada, quando Samarn Kunan, mergulhador aposentado dos SEALs tailandeses, morreu em um dos trechos debaixo d’água. Três mergulhadores SEALs foram hospitalizados depois de seus cilindros de ar comprimido quase se esgotarem. As correntezas fortes desviaram os mergulhadores do caminho durante horas a cada vez, às vezes arrancando suas máscaras de mergulho.
Usando equipamentos improvisados, em alguns casos remendados com fita adesiva, mais de 150 mergulhadores da Marinha tailandesa ajudaram a criar a rota de retirada. Mergulhadores internacionais e tailandeses correram risco de vida cada vez que penetraram nas cavernas estreitas de Tham Luang. Equipes militares estrangeiras trouxeram equipamentos de busca e resgate. Os americanos forneceram a logística, e mergulhadores britânicos cobriram os trechos mais perigosos.
O novo rei da Tailândia doou suprimentos. Pessoas de todo o país cooperaram voluntariamente como podiam, preparando refeições para a equipe de resgate, operando bombas para sugar água da caverna e procurando fendas ocultas nas formações de calcário pelas quais os Javalis Selvagens talvez pudessem ser içados para fora da caverna.
Mas, segundo mergulhadores e líderes da operação, o elemento mais imprescindível na operação para salvar o time de garotos de 11 a 16 anos e seu técnico foi a coragem.
“Não tenho conhecimento de nenhum outro resgate que tenha colocado socorristas e resgatados em tanto perigo por um período de tempo tão prolongado, exceto algo como os bombeiros que entraram no World Trade Center cientes de que o edifício estava em chamas e prestes a desabar”, disse Hodges.
Finalmente o menino sobrevivente saiu em segurança.

COMEÇOU COMO UMA COMEMORAÇÃO DE ANIVERSÁRIO

Havia previsão de chuva no dia 23 de junho, quando os Javalis Selvagens fizeram sua excursão a Tham Luang, mas os garotos já tinham se aventurado na caverna em ocasiões anteriores. Eles deixaram suas bicicletas e chuteiras na entrada e entraram na caverna levando faroletes, água e lanches comprados para comemorar o aniversário de um dos meninos.

O último dos meninos só sairia da caverna no dia 10 de julho, mais de 15 dias depois.

Ao final da primeira noite, seus pais estavam em pânico. Um contingente de SEALs tailandeses começou a penetrar na caverna inundada às 4h do dia seguinte.
Mas eles estavam acostumados a mergulhar em águas tropicais abertas, não na correnteza barrenta e gelada que percorria as cavernas. Não tinham os equipamentos e muito menos os conhecimentos necessários para mergulhar em cavernas, onde não é possível simplesmente voltar para a superfície quando alguma coisa dá errado.
Ruengrit Changkawanuyen, gerente regional tailandês da General Motors, foi um dos primeiros mergulhadores voluntários a comparecer ao local, no dia 25 de junho. Dezenas viriam a seguir, chegando de países que incluíram a Finlândia, Reino Unido, China, Austrália e Estados Unidos.
A força da água em Tham Luang pegou desprevenido mesmo um mergulhador em cavernas experiente como Ruengrit, arrancando sua máscara quando ele não se posicionou corretamente, diretamente de frente para a corrente.
“Era como entrar em uma cachoeira muito forte e sentir a água se lançando contra você”, ele contou. “Era uma escalada horizontal contra a água a cada passo.”
Os SEALs e os mergulhadores voluntários penetraram a caverna com grande cuidado, fixando cordas guias às paredes para garantir sua segurança. Eles encontraram pegadas que davam indícios do caminho seguido pelos garotos. Mas as chuvas das monções foram inundando a área, e as cavernas, feitas de calcáreo poroso, absorviam a água como uma esponja. Cavernas antes acessíveis ficaram completamente inundadas.
“Você estendia sua mão à sua frente e ela sumia”, disse Kaew, o SEAL que escapou do dilúvio final. “Não dava para enxergar nada, nada.”
UMA TRILHA GELADA E ESCORREGADIA

Nas profundezas das cavernas a água era tão gelada que os dentes dos mergulhadores tailandeses batiam quando eles faziam descansos durante seus turnos de 12 horas. Sem contar com capacetes apropriados, eles prendiam diversos tipos de faroletes a seus capacetes improvisados, usando fita adesiva.
No décimo dia da operação, 2 de julho, com poucas esperanças de encontrar qualquer coisa exceto corpos, dois mergulhadores britânicos que trabalhavam para estender uma rede de cordas guias vieram à superfície perto de uma saliência rochosa estreita.
De repente, viram 13 pessoas sentadas no escuro. Os Javalis Selvagens tinham ficado sem comida e sem luz, mas haviam sobrevivido lambendo a condensação das paredes da caverna.
Mas o júbilo com a descoberta em pouco tempo deu lugar à ansiedade. O capitão Anand Surawan, vice-comandante dos SEALs tailandeses que comandava um centro operacional em Tham Luang, sugeriu que os garotos e seu técnico talvez tivessem que permanecer na caverna por quatro meses, até a estação das chuvas chegar ao fim.
Três SEALs tailandeses ficaram desaparecidos por 23 horas, e, quando finalmente reapareceram, estavam tão enfraquecidos por falta de oxigênio que foram levados ao hospital às pressas.
Quatro dias depois de os garotos terem sido localizados, Saman Kunan, o SEAL aposentado que deixou seu emprego de segurança em um aeroporto para se oferecer como voluntário para participar do resgate, morreu quando estava colocando cilindros de ar numa rota de suprimento debaixo da água. Sua família não autorizou uma autópsia, mas algumas autoridades tailandesas dizem que ele ficou sem ar em seus cilindros. Outros acreditam que ele tenha morrido por hipotermia.
“Tenho orgulho enorme dele”, disse seu pai, Wichai Gunan, mecânico de automóveis. “Meu filho é um herói que fez tudo que pôde para ajudar os garotos.”
Enquanto isso, os esforços para drenar a caverna, usando bombas de água e um dique improvisado, começaram a surtir efeito. Saliências rochosas começaram a elevar-se da água turva. O trecho mais inundado, que levara cinco horas para ser percorrido no início da operação, agora podia ser atravessado em duas horas, com a ajuda das cordas guias.
UMA CORRIDA CONTRA A CHUVA PARA DAR INÍCIO AO RESGATE
No último fim de semana, os socorristas estavam ansiosos por retirar os meninos. A previsão meteorológica voltava a apontar para chuva. O nível de oxigênio no local onde os garotos estavam havia caído para 15%. Quando chegasse a 12%, o ar se tornaria letal.
A operação mudava constantemente de figura, de acordo com cada variável: a água, o ar, a lama, até mesmo o estado mental e físico dos garotos. Como eles não sabiam nadar, precisavam de máscaras de mergulho que cobrissem o rosto inteiro, dentro do qual seria bombeado ar com forte teor de oxigênio.
Mas as máscaras trazidas pela equipe americana eram feitas para adultos. Então a equipe as testou com crianças voluntárias numa piscina local e descobriu que, puxando as cinco correias ao máximo, elas poderiam funcionar.
A equipe americana, composta de 30 pessoas e que foi crucial para o planejamento da operação, recomendou que cada menino fosse confinado dentro de um casulo de plástico flexível, conhecido como um Sked, que é descrito como maca de resgates e faz parte dos equipamentos padronizados da equipe da Força Aérea.
Mergulhadores britânicos especializados conduziram os meninos pelos trechos submersos mais complicados, de olho em bolhas de ar que comprovassem que eles estavam respirando.
O primeiro-ministro da Tailândia, Prayuth Chan-ocha, disse que os garotos receberam tranquilizantes.
“Eles só precisavam ficar deitados ali”, disse Hodges, líder da equipe americana. 
Quando os meninos completaram a parte do trajeto feita debaixo d’água, que levou cerca de duas horas, o resto do percurso foi mais fácil, se bem que não deixou de trazer desafios. Os SEALs formaram equipes de revezamento para carregar os garotos na descida de encostas íngremes em que cada passo era escorregadio.
Em um ponto, os casulos plásticos contendo os meninos foram colocados sobre as mangueiras das bombas d’água, que foram usadas como um escorregador improvisado. Cordas içaram os garotos ao alto para que pudessem passar por cima das partes especialmente acidentadas. Em um trecho, os casulos foram colocados em cima de macas flutuantes e empurrados pelos mergulhadores tailandeses.
PROTEÇÃO DIVINA
O Seal tailandês Kaew estava parado no meio da água gelada da caverna na noite de terça-feira, engolindo a última mordida de uma pizza de abacaxi e frutos do mar, quando ouviu um grito de aviso: havia mais água vindo. Era preciso sair já.
Durante três dias exaustivos, ele e seus colegas tinham carregado os 12 garotos e o técnico, um a um, por uma série de cavernas escorregadias e íngremes, entregando-os em segurança.
Minutos antes do aviso, ele tinha dado as boas-vindas de volta à equipe de SEALs que permaneceu com os garotos durante oito dias na encosta onde estavam refugiados nas profundezas do labirinto inundado de Tham Luang.
“Os meninos estavam em segurança, meus amigos estavam em segurança”, disse Kaew, que não foi autorizado a dar seu nome completo. “Pensei que a missão tinha sido um sucesso, finalmente.”
E então, quando parecia que tudo estava terminado, uma das bombas de drenagem usada para reduzir o nível de água nas cavernas deixou de funcionar. A água, que antes estava ao nível da cintura do mergulhador, subiu rapidamente para a altura de seu peito, jorrando com grande força no lugar onde Kaew se encontrava, a cerca de 800 metros da boca da caverna. Sem nenhum equipamento de mergulho à mão, o SEAL teve que correr para procurar um lugar mais elevado. Ele escapou por um triz da inundação final.
Foi um final caótico da operação de resgate. Muitos dos mergulhadores e moradores da cidade próxima de Mae Sai encararam a inundação de último minuto como sinal de que a proteção divina só tinha sido retirada depois que todos haviam sido resgatados.
Kaew passou a missão inteira com um amuleto de Buda pendurado de seu pescoço com fita adesiva à prova d’água. “A caverna é sagrada”, ele disse. “Ela recebeu proteção até o final.”

Hannah Beech , Richard C. Paddock e Muktita SuhartonoTHE NEW YORK TIMES
Tradução de Clara Allain