domingo, janeiro 18, 2026

Pressionado pela pesca ilegal e pela alta demanda global, peixe brasileiro entrou na mira da ciência, teve o DNA decifrado por pesquisadores brasileiros, passou a ser rastreado até fora do país, ganhou reprodução controlada e virou símbolo de uma corrida para salvar peixes amazônicos antes do colapso definitivo

Publicado em

18/01/2026 às 17:22 

Peixe brasileiro teve genoma decifrado para combater pesca ilegal, criar rastreabilidade genética, fortalecer piscicultura sustentável e proteger espécies da Amazônia

Com demanda crescente e pesca predatória, o peixe brasileiro virou prioridade científica em Belém, no Pará: pesquisadores sequenciaram o genoma do pirarucu e do filhote, criaram rastreabilidade capaz de identificar origem até no exterior, avançaram em hormônios e nutrição da piscicultura e reforçaram políticas de conservação na Amazônia até 2030.

Em Belém (PA), o peixe brasileiro entrou no centro de uma estratégia científica direta contra a pesca ilegal e a exploração predatória: a Universidade Federal do Pará (UFPA) decifrou o DNA de duas espécies amazônicas muito visadas, o pirarucu (Arapaima gigas) e o filhote (Brachyplatystoma filamentosum), unindo genética, rastreabilidade e piscicultura para reduzir a pressão sobre a natureza.

A iniciativa, conduzida por uma equipe do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas, nasceu do aumento da demanda e da dificuldade de reproduzir essas espécies em criação controlada. O objetivo é transformar informação genética em conservação prática, com capacidade de rastrear origem, orientar reprodução e sustentar políticas públicas para evitar perdas definitivas na biodiversidade amazônica.

Por que o peixe brasileiro virou prioridade da ciência na Amazônia

O pirarucu e o filhote compartilham o mesmo bioma de origem e dois pontos que os tornam especialmente sensíveis à pressão humana: alta demanda pela gastronomia e barreiras técnicas para reprodução em piscicultura

Quando a procura cresce e a oferta legal não acompanha, abre-se espaço para exploração predatória, e foi exatamente esse cenário que empurrou o peixe brasileiro para o centro do debate.

Segundo o pesquisador Sidney Santos, que liderou a equipe, a motivação foi clara: conter impactos provocados pelo avanço da exploração predatória diante do aumento da demanda.

A lógica defendida no projeto é reduzir a retirada direta do ambiente natural por meio de produção sustentável, com base em conhecimento profundo do organismo.

O que significa decifrar o DNA do peixe brasileiro

Para proteger o peixe brasileiro com mais precisão, a equipe partiu para a camada mais completa de informação biológica: o DNA (ácido desoxirribonucleico).

Essa molécula funciona como um conjunto de instruções e é composta por quatro tipos de nucleotídeos: Adenina (A), Timina (T), Citosina (C) e Guanina (G)A ordem desses nucleotídeos guarda informações detalhadas sobre traços físicos, saúde e ancestralidade.

No estudo, os cientistas coletaram amostras de mais de 100 peixes. Depois, os DNAs foram lidos por um sequenciador genético capaz de identificar a ordem dos nucleotídeos.

Cada sequência, ao ser organizada e interpretada, forma o genoma da espécie, um tipo de manual completo que descreve o conjunto de características do grupo.

Esse salto é decisivo porque muda o patamar de controle e conhecimento: com o genoma, torna-se possível confirmar origem, mapear variações, diferenciar indivíduos e construir bases para reprodução e manejo em ambientes artificiais, com foco em sustentabilidade.

Rastreabilidade: quando o peixe brasileiro passa a “carregar” a própria origem

Um dos ganhos mais estratégicos foi a rastreabilidade genética. Com a “história” armazenada no genoma, o peixe brasileiro pode ter a origem testada com muito mais rigor.

O diretor do Instituto Sócio Ambiental e dos Recursos Hídricos da Universidade Federal Rural da Amazônia, Igor Hamoy, destacou que o genoma permite rastreabilidade genética, ou seja, localizar a procedência do animal a partir de sua assinatura biológica.

Na prática, o recurso permite diferenciar duas situações críticas para fiscalização e mercado: se o peixe é descendente de matrizes de piscicultura ou se foi retirado diretamente da natureza e entrou em rota de comercialização, inclusive internacional.

O próprio exemplo deixa isso evidente: é possível identificar se um pirarucu vendido fora do país foi oriundo da Amazônia.

Além do uso imediato, toda a informação gerada foi registrada em um banco genético público, o que permite que outros pesquisadores avancem em novas investigações, ampliando o entendimento sobre o peixe brasileiro e outras espécies amazônicas.

Piscicultura: como o genoma destrava hormônios, nutrição e reprodução controlada

O estudo também avançou sobre entraves que travam a piscicultura de espécies amazônicas muito valorizadas.

A partir do conhecimento genético, os pesquisadores passaram a mirar pontos críticos para permitir produção sustentada: indução do hormônio sexualdesenvolvimento de nutrição adequada para ambientes artificiais e rastreabilidade para evitar que espécies amazônicas sejam comercializadas de forma ilegal.

O raciocínio é direto: se o peixe brasileiro puder ser produzido de maneira equilibrada e direcionada, com controle técnico e rastreio, a pressão sobre a natureza tende a diminuir, porque parte relevante da demanda migra do ambiente natural para uma cadeia produtiva mais controlada.

Onde isso aconteceu e quem liderou o avanço

A pesquisa foi conduzida na Universidade Federal do Pará (UFPA), em Belém (PA), com liderança do pesquisador Sidney Santos, do Laboratório de Genética Humana e Médica do Instituto de Ciências Biológicas.

Em 16/01/2026, em Belém, o pesquisador destacou que a ampliação de estudos genômicos tende a avançar no Brasil e no mundo, principalmente porque os custos de sequenciamento vêm caindo com a evolução das máquinas.

Ele também detalhou um contraste que mostra o tamanho da transformação tecnológica: o genoma humano, o primeiro a ser sequenciado, demorou 10 anos e custou de US$ 2,5 a 3 bilhões.

Hoje, com o equipamento MGI usado no estudo, é possível fazer 48 genomas humanos em 3 horas, com custo estimado de US$ 1,5 mil a US$ 2 mil por genoma, com expectativa de queda adicional.

Esse salto tecnológico ajuda a explicar por que o peixe brasileiro entrou na mira da genética agora: com maior capacidade de processamento, a ciência consegue transformar o sequenciamento em ferramenta recorrente, não em exceção.

O “custo Amazônia” e por que fazer ciência na região é mais difícil

Mesmo com a evolução tecnológica, o cenário amazônico impõe desafios próprios.

Hamoy destacou que a região enfrenta obstáculos maiores do que outras áreas do país, e Santos reforçou o ponto com um dado estrutural: o equipamento da UFPA é o único sequenciador genético do setor público da Amazônia.

A isso se soma o chamado “custo Amazônia”, ligado a dificuldades logísticas e operacionais.

Mesmo quando o custo global cai, a pesquisa ainda depende de insumos e financiamento, porque a estrutura para coletar amostras, processar dados e manter linhas aplicadas exige sustentação contínua.

Santos também deixou claro o limite: o custo diminuiu, mas ainda não é acessível para qualquer pesquisador ou universidade, e o trabalho exige parque tecnológico capaz de executar todas as etapas, do sequenciamento ao processamento.

Políticas públicas: como o peixe brasileiro entra no planejamento até 2030

Os avanços do peixe brasileiro na genética não ficam restritos ao laboratório.

A secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Rita Mesquita, afirmou que esses avanços funcionam como orientadores para políticas de conservação.

Ela citou o planejamento até 2030, previsto na Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb), pensado com base no que a ciência aponta como necessário para reduzir perdas e regenerar biomas brasileiros.

A secretária também apontou políticas que dependem diretamente de informação genética robusta, como a elaboração de listas de espécies exóticas invasoras e a Lista Nacional de Espécies Ameaçadas de Extinção.

Outro exemplo foi o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), lançado em 2024.

Nesse contexto, a genética vira uma espécie de biblioteca para ações futuras: em processos de refaunação e restauração, a informação genética ajuda a devolver espécies aos lugares certos, reduzindo erro, dúvida e improviso.

O que está em jogo: salvar o peixe brasileiro antes do colapso

Ao unir genoma, rastreabilidade e reprodução controlada, a ciência tenta construir uma linha de defesa antes que a exploração predatória imponha perdas irreversíveis.

Rita Mesquita lembrou que o desafio acompanha o tamanho da biodiversidade nacional, a maior do mundo, e reforçou a importância de trabalhar com ciência para aprimorar informação sobre áreas prioritárias e proteger territórios, sobretudo para as espécies mais ameaçadas.

No ponto rge é um caminho de manejo que busca equilíbrio: produzir de forma sustentável, rastrear para coibir ilegalidade e orientar políticas públicas com precisão.

Para o peixe brasileiro, isso significa chance concreta de escapar da pressão que transforma demanda em risco de colapso.

você acha que a rastreabilidade genética e a reprodução controlada vão reduzir a pesca ilegal do peixe brasileiro na Amazônia ou a demanda ainda vai continuar puxando o mercado clandestino?mais prático, o que eme

sábado, janeiro 17, 2026

Leões da Namíbia deixaram o deserto, passaram a andar na praia, aprenderam a caçar aves e lobos marinhos, dependem do oceano para sobreviver e mostram como a adaptação pode salvar uma espécie em um dos lugares mais extremos do planeta

Publicado em

13/01/2026 às 22:30 

Leões da Namíbia saem do deserto da Namíbia, exploram a Costa dos Esqueletos e caçam aves marinhas e lobos marinhos na praia.

Leões na costa da Namíbia trocam o interior do deserto por praias da Costa dos Esqueletos, caçam aves e lobos marinhos, e sobrevivem do oceano em condições extremas.

Na costa da Namíbia, especialmente na Costa dos Esqueletos, um pequeno grupo de Leões passou a caminhar pela areia com o oceano ao lado e o deserto da Namíbia às costas, usando o mar como fonte real de alimento.

Essa mudança nasceu da escassez no interior: Leões do deserto, já adaptados a uma região hiperárida, passaram a explorar a faixa costeira e aprenderam a caçar aves e lobos marinhos, criando um caso raro de adaptação comportamental em um dos ambientes mais extremos do planeta.

Onde isso acontece e por que esse lugar é tão extremo


Os Leões desta história vivem na Namíbia, no sudoeste da África, entre o deserto da Namíbia e o Atlântico, com presença marcante na Costa dos Esqueletos, faixa costeira no noroeste da Namíbia que se estende ao sul de Angola.

O deserto da Namíbia não é um cenário comum. É uma faixa hiperárida ao longo da costa sudoeste africana, considerada uma das regiões mais antigas e inóspitas do planeta, formada entre 55 e 80 milhões de anos atrás.

Em muitos pontos, a média anual de chuva não passa de 50 milímetros, e há anos em que simplesmente não chove nada.

A paisagem é dominada por dunas, planícies de cascalho, montanhas rochosas e rios que não correm o tempo todo. São os chamados rios efêmeros, que podem passar anos completamente secos e só voltam a correr depois de chuvas raras no interior do continente.

É ao longo desses rios secos que a vida se concentra, porque ali ainda existe alguma vegetação, sombra e, ocasionalmente, água.

Leões do deserto não são outra espécie, mas vivem de outro jeito

Os Leões do deserto da Namíbia não formam uma subespécie diferente. O que muda é o comportamento, moldado por um lugar onde a comida é escassa e imprevisível.

Enquanto Leões de savana podem viver em grupos maiores e em territórios relativamente menores, no deserto a regra se inverte.

Eles vivem em grupos menores e ocupam áreas gigantescas, porque as presas mudam de lugar conforme a disponibilidade de água.

Há registros de grupos familiares com áreas superiores a 5 mil quilômetros quadrados, os maiores territórios já observados entre Leões. Em um ambiente assim, a sobrevivência depende de movimento constante, e também de uma capacidade impressionante de atravessar longas distâncias sob temperaturas extremas, muitas vezes durante a noite, quando o calor diminui.

A água é outro ponto crítico. Leões do deserto conseguem sobreviver com pouquíssima água direta, obtendo grande parte da hidratação a partir da carne das presas consumidas.

Tudo funciona como um equilíbrio delicado: basta uma sequência de anos mais secos para que populações de presas entrem em colapso e o sistema fique sem margem.

Quando o deserto falha, os Leões fizeram a escolha mais improvável: o oceano

Quando a oferta de alimento no interior caiu, alguns Leões seguiram na direção do lugar mais improvável: o litoral.

A Costa dos Esqueletos, na costa da Namíbia, é descrita como uma região marcada por ossos de baleias e destroços de embarcações naufragadas, e passou a ser frequentada por esses Leões como uma extensão do território.

Há registros históricos de que, nas décadas de 1970 e 1980, alguns Leões viviam ao longo da Costa dos Esqueletos e ocasionalmente se alimentavam de animais marinhos.

Mas isso não se sustentou. A região enfrentou conflito intenso entre humanos e Leões, com comunidades dependentes da criação de gado em um ambiente hostil e ataques frequentes aos rebanhos.

A resposta foi descrita como dura: perseguições, envenenamentos e abates diretos.

Em poucos anos, praticamente todos os Leões que utilizavam a faixa costeira desapareceram, e no início da década de 1990 os Leões haviam sumido completamente da Costa dos Esqueletos.

A recuperação e o retorno ao litoral na Namíbia

A mudança começou a partir do fim dos anos 1990, quando a Namíbia passou por transformações importantes na forma de lidar com a vida selvagem, com projetos de conservação e áreas protegidas ganhando força e o turismo de natureza crescendo, aumentando o valor econômico e estratégico da fauna para populações locais.

Com menos perseguição direta e alguns períodos de chuvas mais favoráveis, a população de Leões do deserto iniciou uma recuperação lenta. Pequenos grupos voltaram a ocupar antigas áreas, inclusive regiões próximas ao litoral.

Nos anos 2000, pesquisadores passaram a registrar visitas ocasionais de Leões à costa: caminhavam pela praia, seguiam rios efêmeros até a foz e exploravam o ambiente costeiro, ainda sem caçar de forma sistemática.

A virada veio com uma nova crise no interior. Por volta de 2017, o norte da Namíbia enfrentou mais uma sequência de anos extremamente secos, e as populações de presas terrestres começaram a entrar em colapso.

Foi nesse cenário que alguns grupos passaram a ir à costa com mais frequência e, dessa vez, começaram a experimentar o litoral como fonte real de alimento.

Um grupo pequeno, uma estratégia radical: Leões que dependem do mar


Hoje, a população descrita de Leões marítimos na costa da Namíbia é pequena, cerca de 12 indivíduos, mas com um traço decisivo: eles dependem do oceano para se alimentar.

Essa dependência não significa que os Leões viraram animais do mar no sentido físico. Eles não ganharam nadadeiras nem mudaram a anatomia.

O que mudou foi o comportamento, a capacidade de aprender, testar e transformar recursos costeiros em sobrevivência cotidiana.

Essa mudança também alterou rotina e deslocamentos. Leões passaram a caminhar pela praia, explorar áreas onde rios efêmeros encontram o mar e usar o litoral como um corredor de oportunidade, um lugar onde alimento pode aparecer de formas diferentes do interior do deserto.

As primeiras presas foram aves, não lobos marinhos

O início foi mais simples e estrategicamente inteligente.

Em áreas onde rios efêmeros encontram o oceano, formam-se lagoas rasas e bancos de lama usados por bandos de aves marinhas para descansar.

Algumas leoas jovens descobriram que esses bandos poderiam ser presas relativamente fáceis, principalmente à noite, quando as aves ficam mais vulneráveis.

A eficiência nasceu do detalhe: as leoas ajustaram horários, usaram a escuridão como aliada e aprenderam padrões.

Onde as aves pousavam, quando ficavam mais expostas e como capturá-las com menor gasto de energia.

Esse tipo de aprendizagem mostra por que Leões conseguem se adaptar rápido sem mudar o corpo: eles mudam a estratégia.

E foi esse caminho, de tentativa, observação e repetição, que abriu espaço para o próximo passo.

Do oportunismo à caça: Leões aprendem a lidar com lobos marinhos

Ao explorar a costa da Namíbia, os Leões começaram a encontrar carcaças de lobos marinhos levadas pelas ondas ou roubadas de hienas-marrons.

No começo, o consumo foi oportunista, baseado em carniça.

Mas, à medida que os Leões passaram mais tempo na Costa dos Esqueletos, a relação mudou.

Eles começaram a entender o comportamento dos lobos marinhos: onde descansam, quais indivíduos são mais vulneráveis e quais horários oferecem menos risco.

A caça de lobos marinhos representou um salto enorme na complexidade. Lobos marinhos são presas grandes, fortes e rápidas.

Em muitos casos, podem ser mais pesados do que uma leoa adulta. As primeiras presas ativas foram lobos marinhos jovens, com menos força e coordenação para escapar rapidamente, sobretudo à noite. Com o aumento da experiência, os Leões passaram a selecionar indivíduos maiores.
Há o registro de que, depois de algum tempo, leoas já estavam abatendo lobos marinhos com mais de 50 quilos.

O custo energético é alto, mas o retorno é enorme: um único lobo marinho pode alimentar o grupo por dias e reduzir a necessidade de longas caminhadas no deserto em busca de presas terrestres.

O que os dados sugerem sobre a dieta desses Leões na Namíbia

O acompanhamento descrito deixa a mudança nítida.

Durante um período de 18 meses, três leoas jovens consumiram quase 90 presas diferentes, e cerca de 80% dessas presas eram de origem marinha.

Na prática, isso significa que, por um ano e meio, a sobrevivência foi majoritariamente sustentada pelo mar.

É esse padrão repetido que muda o peso da história. Não se trata de um evento isolado, nem de uma carcaça encontrada por acaso. Trata-se de uma estratégia alimentar incorporada, mantida ao longo do tempo e transmitida pelo aprendizado.

Por que isso é adaptação e não “evolução instantânea”

Muita gente associa evolução a mudanças lentas, de milhares ou milhões de anos. Aqui, o que aparece é outro tipo de adaptação: a plasticidade comportamental, quando um animal muda o modo de agir para sobreviver em novas pressões ambientais.

Os Leões costeiros da Namíbia foram classificados como “mamíferos marinhos” não porque vivem no mar, mas porque dependem dele para sobreviver.

E essa dependência é o ponto-chave: um mamífero que depende do oceano para sua sobrevivência.

Eles não mudaram o corpo, mas mudaram o repertório. Em poucas gerações, sob pressão extrema, o comportamento pode se transformar rapidamente.

E no deserto da Namíbia, com chuva mínima, anos sem precipitação e rios efêmeros que desaparecem por longos períodos, a pressão não é leve. Ela é total.

Uma adaptação impressionante, mas frágil

O fato de ser extraordinário não significa que seja estável.

Essa é uma população pequena, altamente especializada e inserida numa região onde conflitos com humanos ainda existem.

A própria história da Costa dos Esqueletos mostra que, quando a perseguição aumentou, os Leões desapareceram da faixa costeira por décadas.

Se a proteção falhar, o comportamento pode desaparecer de novo, porque o conhecimento que sustenta a estratégia depende de continuidade: tentativa, observação e transmissão aos filhotes, que crescem vendo o oceano como parte do território e aprendem que a praia pode ser caminho e o mar pode ser alimento.

No limite, a história dos Leões costeiros da Namíbia é uma aula sobre sobrevivência: quando o interior colapsa, alguns grupos encontram outra rota.

Não por magia e não por acaso, mas por aprendizagem em um lugar onde errar pode custar uma geração inteira.

Você acha que esses Leões da costa da Namíbia vão consolidar esse comportamento e ensinar a próxima geração, ou essa adaptação é frágil demais para durar?