quinta-feira, agosto 17, 2017
sexta-feira, julho 14, 2017
O Programa Córrego Limpo
está de volta
Córrego
despoluído após o programa Córrego Limpo, da Sabesp
Iniciativa já beneficiou 2,2 milhões de pessoas e
despoluiu 149 córregos na capital paulista
Desde que o córrego Cruzeiro do Sul, em São Miguel
Paulista, na zona leste de São Paulo, foi despoluído, houve melhora na
qualidade de vida dos moradores da região. Hoje eles frequentam um parque
linear construído à beira do córrego, uma realidade bastante diferente da que
eles estavam acostumados antes do Programa Córrego Limpo.
Hoje, os moradores se exercitam, fazem uma pausa em
suas rotinas para descansar e assistem suas crianças brincarem em frente a um
rio despoluído, em uma área de lazer com muito verde. "Você vê que foi
feito um trabalho de revitalização da área. O povo tem mantido limpinho, a
população está colaborando. Esse parque linear foi uma benção para a nossa
região", comemora Elecy, que enxerga a despoluição do córrego Cruzeiro do
Sul como um avanço para a comunidade, oferecendo cidadania para o povo.
O Cruzeiro do Sul é um dos 149 córregos da capital
paulista que foram despoluídos pelo programa Córrego Limpo, uma parceria entre
a Sabesp, o Governo do Estado e a Prefeitura de São Paulo. O projeto recebeu da
Sabesp investimentos de R$ 240 milhões, mostrando-se firme no propósito de
zelar pela qualidade da água desses rios, que influem na vida das pessoas e
beneficiam toda a Região Metropolitana de São Paulo.
Imagem
de antes e depois da recuperação do Córrego Cruzeiro do Sul, em São Miguel
Paulista
Desde seu início, em 2007, o programa Córrego Limpo retirou
1.500 litros de esgoto por segundo dos córregos. Este resultado responde
diretamente ao objetivo do projeto, de melhorar a qualidade de água dos
mananciais, rios e córregos, por meio de adequações no sistema de esgotamento
sanitário do entorno dos córregos, trabalhos de manutenção e educação
ambiental.
O
Córrego Limpo retorna agora com força total e uma grande novidade, a cláusula
de obrigatoriedade de adesão ao Programa: Sabesp e Prefeitura assumem um
compromisso e lutam pelo objetivo comum de manter ao longo do tempo suas respectivas
tarefas, garantindo assim a continuidade do projeto. Esta parceria traz
resultados positivos para a população, que será beneficiada com melhorias à
qualidade de vida por meio da despoluição dos rios da capital. A cada córrego
despoluído, damos mais um passo na despoluição do Tietê.
Dentro
do Programa Córrego Limpo, a Sabesp realiza monitoramento dos córregos, executa
obras de prolongamento de redes, coletores e ligações de esgoto. A companhia
realiza ainda a manutenção e adequação das redes existentes.
Já
a Prefeitura de São Paulo é responsável pela limpeza dos córregos, a contenção
e manutenção das margens e dos entornos, além da verificação de eventuais
interferências na rede de microdrenagem (bocas-de-lobo e galerias). Também age
na fiscalização das ligações de esgotos, notificações e multas aos imóveis que
não estiverem corretamente ligados à rede coletora e, principalmente, na
remoção e reassentamento de pessoas que residem nas faixas dos fundos de vale
requeridas à passagem das tubulações de esgotos.
A
participação da população é de extrema importância, evitando o lançamento de
lixo e entulho, denunciando irregularidades e não fazendo ligações
clandestinas.
Resultado que se vê: córregos
já recuperados
Antes e depois da recuperação do Córrego Caxingui, na zona
oeste de São Paulo pelo programa Córrego Limpo, da Sabesp
Entre os córregos já recuperados está o Mandaqui, na zona norte.
As ações foram amplas e ousadas. De início, a Sabesp promoveu a varredura em
440 km de redes coletoras de esgoto para identificar as necessidades de reparo
e promover as respectivas melhorias.
A
partir desse mapeamento e com um investimento que chegou a expressivos R$ 18
milhões, a Sabesp instalou 10 km de tubulações para coleta de esgoto, inaugurou
455 novas ligações domiciliares e promoveu a limpeza em mais de 40 km de cursos
d'água - 7,5 km do próprio Mandaqui e mais 33 km de seus afluentes.
Já
no córrego Cruzeiro do Sul, em São Miguel Paulista, zona leste da cidade,
vários pontos dos 18 km de toda a rede coletora receberam algum tipo de
melhoria. Para a despoluição do córrego, foram instalados não só 3,5 km de rede
para coleta de esgoto, como também foram executadas 596 ligações. O
investimento realizado pela Sabesp foi de R$ 3,5 milhões. Com isso, mais de 2
km de cursos d'água chegam limpos ao rio Tietê, beneficiando os 35 mil
moradores de seu entorno.
Florestas protegem a água
que abastece a Grande São Paulo
DE SÃO PAULO 14/06/2017, 16h39
Mais de 33 mil hectares conservam a água dos
Sistemas Cantareira, Alto Cotia e Rio Claro
Proteger a vegetação nativa em torno dos mananciais
é fundamental para garantir a segurança hídrica. Pensando na qualidade da água
desde a sua fonte, a Sabesp cuida e monitora mais de 33 mil hectares em áreas
protegidas na Região Metropolitana de São Paulo. Para garantir a melhoria dos
sistemas de produção de água em qualidade e quantidade, a Companhia mantém
inciativas de conservação ambiental e reflorestamento das matas, nos entornos
das represas, rios e nascentes.
São áreas importantes para a proteção dos
mananciais, a Reserva Florestal do Morro Grande, no Sistema Alto Cotia, áreas
do Sistema Rio Claro, no Parque Estadual da Serra do Mar e a Área de Proteção
Ambiental Capivari. A Companhia também colabora com a preservação e conservação
do Parque Estadual da Serra da Cantareira e do entorno das represas Jaguari,
Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro, todas incluídas na Área de
Proteção Ambiental do Cantareira.
Um Milhão de Árvores no Cantareira
Em uma iniciativa motivada pela crescente preocupação ambiental, a Sabesp
firmou uma parceria com as organizações The Nature Conservancy (TNC) e
Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPÊ), e com a empresa pública paulista
Desenvolvimento Rodoviário S.A. (Dersa). Juntas, essas quatro instituições
ultrapassaram a meta inicial do projeto Um Milhão de Árvores no Cantareira
alcançando a marca de 1 milhão e quatrocentas mil árvores entre 2007 e 2010.
O projeto tem como principal objetivo reflorestar
áreas no entorno das represas que compõe o Sistema Cantareira, preservando a
qualidade e quantidade das águas desse manancial. Isso ajuda a proteger na
totalidade a bacia hidrográfica de onde a Sabesp capta água para abastecer 60%
da Grande São Paulo.
Foram plantadas 80 espécies de árvores, todas
nativas da Mata Atlântica. Parte das mudas plantadas foram cultivadas nos
viveiros Jaguari e Alto Cotia, ambos da Sabesp.
Nascentes
A mata ciliar, que é a formação de vegetação nas margens dos rios, córregos,
lagos, represas e nascentes, desempenha uma função ambiental muito importante
para manutenção da qualidade da água, estabilidade dos solos, regularização dos
ciclos da água e conservação das espécies. Ela funciona como os cílios dos
nossos olhos, que evitam entrar sujeita em uma parte delicada e importante do
nosso corpo.
Sem esse abraço verde em torno das águas, terra,
lixo e sujeiras de todo o tipo vão para dentro dos mananciais, trazendo
prejuízos ecológicos e dificultando o tratamento de água para o abastecimento.
Para ampliar a cobertura de mata ciliar em todo o estado, o Governo de São
Paulo criou o Programa Nascentes, do qual a Sabesp faz parte.
Pensando no seu compromisso com o meio ambiente, a
Sabesp tem um programa corporativo de plantio e manutenção de 1 milhão de mudas
nos próximos anos.
Atualmente, já foram plantadas 213 mil mudas de
espécies nativas em áreas do Sistema Cantareira e, até março de 2018, serão
plantadas aproximadamente 500 mil mudas. Durante os próximos anos a Sabesp
plantará mais 330 mil mudas, alcançando mais de 1 milhão. A empresa realiza a
manutenção e monitoramento para garantir o sucesso da restauração. Além do
Sistema Cantareira, a Companhia prevê plantio no Mirante do Paranapanema, no
interior do Estado e no entorno do Rio Paraíba do Sul, que banha os estados de
São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
Adicionalmente, a Companhia também participa do
Programa Nascentes através de plantio em áreas do reservatório Taiaçubeba,
sendo que das 263 mil mudas previstas já foram plantadas 190 mil.
Além de todos os benefícios para manter a qualidade
e a quantidade da água necessária para a população, a recuperação das matas
ciliares também colabora com a redução de erosão do solo, enchentes e protege a
biodiversidade.
Esse programa atenderá aos Termos de Compromisso de
Recuperação Ambiental (TCRAs) atuais e futuros, decorrentes do licenciamento
ambiental, estando inserido no contexto do Programa Nascentes.
quarta-feira, maio 10, 2017
Atlas das caatingas mostra problemas em áreas de proteção ambiental.
Parque Nacional do Catimbau,
no Estado Pernambuco.
Ocupação irregular de terras, desmatamento, falta de estrutura e de demarcação foram alguns dos problemas encontrados, em três anos de pesquisa da Fundação Joaquim Nabuco (Fundaj), em 14 unidades de Conservação federais de proteção integral, localizadas no bioma caatinga brasileira. O Atlas das caatingas reúne em detalhes informações fundiárias e da flora de cada uma das áreas estudadas, e virou também documentário, pré-lançado nesta terça-feria (9), no Recife.
Um dos biomas brasileiros menos estudados no país, a caatinga se estende por dez estados e compreende 10% do território nacional, com 844 mil km². É o único bioma encontrado exclusivamente no Brasil e é lembrado geralmente pelo visual na época de seca, quando as árvores perdem as folhas e a mata se torna cinzenta e quebradiça. A pesquisa mapeou cerca de 1% desse território.
Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o estudo foi feito entre dezembro de 2013 e dezembro de 2016. Os pesquisadores percorreram mais de 22 mil quilômetros nas 14 unidades de conservação, todas geridas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Nelas, não é permitida qualquer atividade econômica ou mesmo o uso sustentável, exceto o turismo e a pesquisa científica.
Para montar o diagnóstico foram entrevistados todos os chefes das unidades de conservação, além de funcionários do ICMBio, moradores da região, professores que desenvolvem estudos nesses locais, entre outros. Segundo Neison Freire, pesquisador titular da Fundaj que coordenou a pesquisa, cada unidade tem problemas específicos, mas a falta de recursos humanos e financeiros é uma constante e acaba agravando as dificuldades locais.
Ele cita desde a falta de combustível para veículos de fiscalização até a indisponibilidade dos próprios carros e da falta de dinheiro para consertar uma bomba d'água, impedindo que um espaço disponível para receber alunos e professores de escolas públicas seja utilizado. "Todas têm problemas de gestão, que não é local. O problema está em nível federal, na pouca atenção dada a esse bioma, o único exclusivamente brasileiro", afirma.
A sociedade também contribui para ameaçar esses espaços protegidos. Como as unidades de conservação pesquisadas não podem ter atividade econômica, as populações que ainda residiam ou tinham alguma atividade na área, quando elas foram criadas, deveriam ser indenizadas e remanejadas. Além de comunidades de povos tradicionais, como indígenas e quilombolas, resistirem à mudança fazendeiros –incluindo pequenos proprietários– permanecem nos locais proibidos. "Alguns foram indenizados e não querem sair e outros estão especulando para ter maior valorização da terra para se retirar, o que gera muitos problemas para a gestão e fiscalização das unidades", informa Freire.
CATIMBAU E CHAPADA DIAMANTINA
O maior problema das unidades, segundo o pesquisador, está em Pernambuco, no Parque Nacional do Catimbau. Ele não tem nem mesmo um escritório do ICMBio, e a sua demarcação nunca foi feita. Além disso, há conflitos fundiários, corte de madeira e atividade econômica dentro da área. Outra unidade onde foram encontrados problemas é um dos cartões postais brasileiros: o Parque Nacional da Chapada Diamantina.
"Temos, de um lado, o agronegócio, que usa muitos fertilizantes, que vão contaminar rios e corpos d'água, e, do outro lado, uma especulação imobiliária muito forte. Em Lençóis já começam a surgir favelas. Fora uma fragmentação das áreas para a construção de pousadas, um negócio que não é feito pela comunidade local, mas por empresários da parte Sul do país".
Apesar das questões negativas, os pesquisadores também citaram "efeitos não esperados" nas expedições, como a influência do Bolsa Família na recuperação da fauna do Vale do Catimbau. É que, de acordo com o pesquisador da Fundaj, a comunidade do entorno costumava caçar as aves nativas para complementar a alimentação. Com o recurso federal, houve a redução da caça. "Outro aspecto no Vale do Catimbau são as espécies introduzidas, como a aroeira. Elas têm alto poder de fogo, lenha, então as populações passaram a cortar essa espécie, em vez de espécies endêmicas, próprias da caatinga, permitindo que essa vegetação se recuperasse".
MAIS RECURSOS E DEMARCAÇÃO DE TERRAS
O Atlas das Caatingas inclui recomendações para uma proteção efetiva às áreas estudadas. Entre as propostas estão a abertura de concurso público e mais recursos financeiros, conforme explicou Neison Freire. Além disso, há indicações específicas voltadas a cada problema encontrado nas unidades. "[É preciso fazer a] demarcação das áreas de forma urgente, a regularização fundiária para que 100% fiquem em posse da União. Mapeamentos sistemáticos com o uso de drones, torres de observação, contratação de brigadistas, principalmente no período seco para combater incêndios", diz.
O analista ambiental do Ministério do Meio Ambiente, João Seyffarth, esteve presente no pré-lançamento do filme. Atuante no combate à desertificação, problema ambiental encontrado na caatinga com alto grau de degradação, Seyffarth diz que os recursos arrecadados com a visitação das áreas protegidas podem ser usados para melhorar a gestão. "A gente sabe que as unidades de conservação brasileiras geram muitos recursos, mas, em geral, eles vão para o Tesouro Nacional. É preciso encontrar uma maneira para que os recursos gerados sejam usados na gestão das unidades", afirma.
OUTRO LADO
Em nota, o ICMBio diz que ainda não teve conhecimento da pesquisa de modo oficial, portanto não seria possível responder aos questionamentos em detalhe. "No geral, o instituto tem se esforçado para dotar as unidades de conservação federais da caatinga de todos os instrumentos de gestão, como planos de manejo, conselhos gestores e estrutura para abrigar servidores e pesquisadores e receber visitantes".
Entre as ações, o órgão cita as fiscalizações para coibir crimes ambientais, ações de educação ambiental para orientar comunidades locais e um "esforço no sentido de regularizar a situação fundiária". Sobre a realização de concurso público para reforçar o número de funcionários das unidades pesquisadas, o ICMBio respondeu que não há previsão.
FILME E PESQUISA NA INTERNET
A pesquisa completa está disponível no site da Fundaj, junto com imagens e mapas produzidos ao longo dos três anos de trabalho. O documentário, com uma hora de duração e feito com imagens amadoras captadas pela própria equipe de cientistas, deve ser disponibilizado na página nos próximo 30 dias, segundo Neison. Ele também será exibido em comunidades e locais pesquisados. As cidades já agendadas são Campina Grande (PB) e Petrolina (PE).
quarta-feira, abril 05, 2017
Desmatamento leva raposas a iniciar perigoso
'namoro'
REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA
05/04/2017 02h00
Duas espécies de raposas do Brasil, separadas há muitos milhares
de anos pela mata atlântica, estão cruzando entre si e produzindo filhotes
híbridos, talvez porque a derrubada da maior parte da floresta tenha eliminado
a principal barreira que existia entre elas.
As protagonistas desse estranho namoro são a raposinha-do-campo (Lycalopex
vetulus), típica do cerrado, e o graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus),
natural dos pampas gaúchos.
Raposinha-do-campo (Lycalopex vetulus), típica do cerrado
Graxaim-do-campo (Lycalopex gymnocercus),
natural dos pampas gaúchos
Segundo pesquisadores
da PUC-RS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), é no território
do Estado de São Paulo que as duas espécies estão se misturando, e a situação
inspira cuidados: dependendo de como o processo continuar, boa parte da riqueza
genética original dos bichos pode acabar se perdendo.
Um dos autores da
pesquisa, o doutorando maranhense Fabricio Silva Garcez, conta que a primeira
pista de que havia algo estranho acontecendo veio de um trabalho anterior (da
mestranda Marina Favarini, na PUC-RS), no qual dois bichos que tinham sido
classificados morfologicamente (ou seja, com base na aparência física) como L.
vetulus acabaram apresentando material genético de L.
gymnocercus.
PAPAI
E MAMÃE
Para ser mais exato,
os misteriosos animais tinham mtDNA (DNA mitocondrial) da espécie sulina.
Ocorre que o mtDNA, presente apenas nas mitocôndrias, as usinas de energia das
células, quase sempre é transmitido das mães para seus filhos ou filhas –em
geral, nenhum animal herda o mtDNA do pai.
O dado, portanto,
parecia indicar que ao menos uma fêmea de graxaim havia tido filhotes com um
macho de raposinha-do-campo.
Durante seu mestrado,
orientado por Eduardo Eizirik (da PUC-RS) e Ligia Tchaicka (da Universidade
Estadual do Maranhão), Garcez analisou amostras de DNA de dezenas de indivíduos
de ambas as espécies, colhidas numa área ampla, que vai do Maranhão ao Rio
Grande do Sul. (As análises genéticas foram feitas a partir do sangue colhido
de bichos capturados e de amostras da carcaça de raposas atropeladas Brasil
afora, coisa que infelizmente é comum).
Além do mtDNA, a
equipe estudou ainda trechos do DNA do núcleo das células, conhecidos como
microssatélites (que parecem uma "gagueira" de letras químicas de
DNA, com pequenos trechos que se repetem várias vezes).
Tais análises
confirmaram a suspeita inicial: seis bichos paulistas tinham toda a pinta de
ser híbridos, inclusive de segunda geração (ou seja, netos do cruzamento
original entre as duas espécies). Cinco deles tinham, de novo, mtDNA de
graxaim, enquanto o sexto indivíduo apresentou sinais de hibridização apenas no
DNA do núcleo das células.
Ou seja, por enquanto
parece que o cruzamento de machos de raposinha-do-campo com fêmeas de graxaim é
mesmo mais comum, embora não seja a única possibilidade.
"Isso é curioso
porque, em outras zonas híbridas de canídeos [o grupo dos cães, lobos e
raposas], normalmente o macho é o da espécie de maior porte, mas no nosso caso
o L. gymnocercus é maior", diz Garcez. Ainda é cedo para
dizer com exatidão o que tem levado essas fêmeas a se deslocar rumo a São Paulo
e por que o mesmo não estaria acontecendo com os machos da espécie sulina.
Agora no doutorado,
Garcez está ampliando as análises para tentar entender em detalhes o que está
acontecendo no contato entre as duas espécies, as quais formam a primeira zona
híbrida de canídeos confirmada na América do Sul (na América do Norte, há o
exemplo muito estudado da zona híbrida entre lobos e coiotes).
Os dados de DNA
também podem confirmar a hipótese de que a hibridização é culpa da ação humana
–se ela for um evento recente, cresce a possibilidade de um elo com a derrubada
da mata atlântica. Afinal, as duas espécies são típicas de ambientes abertos,
sem floresta densa. "Quando você remove essa barreira, com o aparecimento
de pastagens e plantações no lugar da mata, a tendência é que elas acabem
entrando em contato", diz Garcez.
O gênero Lycalopex,
ao qual ambas as raposas pertencem, diversificou-se há relativamente pouco
tempo em termos evolutivos (a partir de cerca de 1 milhão de anos atrás). Mesmo
assim, apesar de serem fisicamente parecidas e de conseguirem cruzar entre si,
as espécies possuem hábitos consideravelmente diferentes. A raposinha-do-campo
normalmente se alimenta de cupins e frutas do cerrado, enquanto o graxaim, como
bom gaúcho, inclui uma proporção maior de carne em sua dieta.
"Se todos se
tornarem híbridos, vai ser algo muito ruim porque, na prática, duas espécies
vão acabar desaparecendo por causa da intervenção humana", diz Garcez.
-
CASAMENTO INESPERADO
Entenda a mistura
entre as duas espécies de raposas
1 - As áreas de vegetação
aberta do Brasil abrigam duas espécies de raposas, a Lycalopex vetulus (raposinha-
do-cerrado) e a L. gymnocercus (graxaim-do-campo). A segunda
espécie costuma ser de maior porte
2 - As duas espécies
originalmente estavam separadas pelas áreas de floresta fechada da mata
atlântica...
.... mas é possível que o desmatamento tenha permitido que os
bichos, antes separados, passassem a se encontrar
3 - Pesquisadores estão achando, graças a testes de DNA, animais
híbridos das duas espécies. No Estado de São Paulo, nenhum animal estudado
mostrou ser "puro" -praticamente todos parecem ser filhos ou netos do
cruzamento dos dois animais
E DAÍ?
Se essa tendência continuar, há o risco de que boa parte da riqueza genética dessas espécies se perca, formando-se uma única grande população híbrida amalgamada |
quarta-feira, março 08, 2017
Proteção da biodiversidade é uma questão de direitos humanos, aponta relator da ONU
O mundo
caminha rumo à sexta onda de extinção global de espécies, ameaçadas cada vez
mais pela destruição de habitats naturais - Imagem: wildlifeday.org
08/03/2017 - Fonte: ONU
“Estamos indo em direção à sexta onda global de extinção de espécies na história do planeta”, mas países continuam fracassando em impedir o fim da biodiversidade, alertou nesta semana (1) o especialista da ONU em direitos humanos e meio ambiente, John Knox. Segundo relator, principais ameaças à fauna e à flora terrestres são a destruição dos habitats, a caça ilegal e as mudanças climáticas.
“As pessoas não podem gozar de seus direitos humanos sem os serviços que ecossistemas saudáveis fornecem. E proteger a biodiversidade é necessário para garantir que os ecossistemas permaneçam saudáveis e resilientes”, disse Knox em comunicado emitido às vésperas do Dia Mundial da Vida Selvagem, lembrado em 3 de março, e logo após a publicação do primeiro relatório da ONU sobre biodiversidade e direitos humanos.
A análise aponta que “a diversidade biológica e os direitos humanos estão interligados e são interdependentes”. Segundo o documento, entre os impactos negativos da extinção de espécies, está a queda na produtividade e estabilidade das atividades agrícolas e de pesca — o que é uma ameaça ao direito a alimentação.
Eliminar a biodiversidade também destrói fontes potenciais de substâncias medicamentosas e terapêuticas, além de aumentar a exposição a algumas doenças infecciosas e restringir o desenvolvimento do sistema imunológico humano. Segundo Knox, essas consequências podem violar o direito a vida e a saúde.
Ao acabar com mecanismos naturais de filtragem da água, a perda da diversidade de espécies de plantas e animais também um risco ao direito a água.
“As obrigações dos Estados para manter seus compromissos de direitos humanos incluem o dever de proteger a biodiversidade da qual esses direitos dependem”, alertou Knox.
O especialista afirmou ainda que, além dessa obrigação mais geral, países devem implementar medidas específicas envolvendo a divulgação de informações públicas sobre projetos que afetem a biodiversidade. Outra recomendação é garantir a participação dos cidadãos em processos decisórios. O relator cobra ainda que soluções satisfatórias e efetivas sejam encontradas em casos onde houve, de fato, perda da biodiversidade.
Populações mais vulneráveis
Knox lembrou que, embora a destruição da riqueza biológica afete a todos, as consequências mais duras atingem os que precisam diretamente da natureza para a sua vida cultural e material.
“Mesmo quando devastar florestas ou construir represas trazem benefícios econômicos, esses benefícios são normalmente aproveitados desproporcionalmente pelos que não dependem diretamente do recurso (envolvido) e os custos são impostos desproporcionalmente aos que dependem”, disse o relator.
O especialista acrescentou ainda que a proteção dos direitos de povos indígenas e de outras comunidades dependentes de ecossistemas naturais é, além de uma obrigação de direitos humanos, a melhor maneira para preservar a biodiversidade.
“Sobre isso, são particularmente perturbadoras as ameaças crescentes e a violência contra os que protegem a biodiversidade de caçadores, traficantes e negócios ilegais”, acrescentou Knox, que explicou que os que arriscam suas vidas pela biodiversidade “não são apenas ambientalistas, são também defensores dos direitos humanos”. Para o relator, governos devem se empenhar em proteger ativistas.
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