sexta-feira, dezembro 26, 2025

 Urso

Ursos são animais pertencentes à família Ursidae. Existem atualmente oito espécies de       

ursos, e essas apresentam algumas caraterísticas distintas e habitam diversos ambientes.

Por Helivania Sardinha dos Santos

Urso é a denominação utilizada para as espécies pertencentes à família Ursidae, uma das famílias mais estudadas e mais ameaçadas entre os animais carnívoros. Seus membros pertencem à classe Mammalia e à ordem Carnivora.

A família Ursidae apresenta espécies distribuídas em diversas regiões do planeta, como Europa, Ásia, América do Sul, América do Norte e África, habitando desde regiões de florestas a regiões polares. A seguir descrevemos algumas características desse grupo de animais e algumas de suas espécies.

O urso-de-óculos apresenta um padrão de coloração diferente dos demais ursos, com manchas brancas que circundam os olhos e estendem-se pelo peitoral.

Características gerais dos ursos

Os ursos são mamíferos pertencentes à família Ursidae. Atualmente, existem oito espécies deles, essas apresentam algumas características em comum mas também suas peculiaridades. A seguir destacamos algumas características gerais desse animais:

  • Como os demais animais da classe, apresentam o corpo coberto de pelos. Estes são longos e a sua coloração varia de acordo com cada espécie, podendo ser totalmente brancos, marrons e pretos. Havendo algumas exceções, como o urso-de-óculos e o panda-gigante que apresentam, respectivamente, manchas brancas em torno dos olhos e na região peitoral e um padrão preto e branco.

  • Apresentam cinco dedos em cada membro e unhas fortes.

  • Apresentam caudas curtas e orelhas pequenas e arredondadas.

  • São excelentes nadadores.

  • Medem, geralmente, entre 1 m e 2,8 m, com registro de indivíduos de uma subespécie, Ursus arctos (urso-pardo), medindo mais de 3 m. Os machos geralmente são maiores que as fêmeas.

  • Podem pesar entre 27 kg e 780 kg, com registros de indivíduos da espécie Ursus maritimus (urso-polar) pesando uma tonelada.

  • São em sua maioria onívoros. O panda-gigante e o urso-polar são exceções disso, como veremos adiante.

  • Geralmente vivem sozinhos. Após o nascimento, os filhotes permanecem junto às mães por um período de dois a três anos.

  • Apresentam uma longevidade que varia de 25 a 40 anos.

Acesse também: Hibernação: entenda melhor esse processo

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Espécies de ursos

Como dito, os ursos pertencem à família Ursidae. Essa família é constituída por três subfamílias que englobam oito espécies.

Na família Ursidae, podemos encontrar as subfamílias: Tremarctinae, na qual está presente a espécie Tremarctos ornatus (urso-de-óculos); Ailuropodinae, na qual encontramos a Ailuropoda melanoleuca (panda-gigante); e Ursinae, na qual encontramos o maior número de espécies — Ursus arctos (urso-pardo), Ursus americanus (urso-negro-americano), Ursus maritimus (urso-polar), Ursus thibetanus (urso-negro-asiático), Melursus ursinus (urso-beiçudo) e Helarctos malayanus (urso-malaio).

A seguir falaremos mais sobre algumas dessas espécies.

Panda-gigante (Ailuropoda melanoleuca)

O panda-gigante diferencia-se dos demais ursos, entre outras características, pelo fato de sua alimentação ter origem, principalmente, vegetal.

O urso-panda habita as florestas de algumas regiões da China. Ele mede cerca 1,5 m e pesa cerca de 100 kg. O panda-gigante apresenta uma característica bem distinta dos demais animais da ordem Carnivora, pois, embora apresente um sistema digestório semelhante aos demais, a sua alimentação é constituída principalmente de bambu, com apenas 1% de seu alimento sendo de origem animal, como insetos e ovos.

Como o seu sistema digestório não permite uma digestão eficiente desse alimento e o bambu é um alimento pobre em nutrientes, para suprir suas necessidades, ele consome grandes quantidades desse alimento (cerca de 12 kg por dia).

A reprodução do panda-gigante é um processo complicado, pois o período reprodutivo da fêmea ocorre apenas uma vez ao ano e dura entre 24 e 72 horas. O tempo de gestação pode durar até nove meses e gerar, na maioria das vezes, apenas um filhote. Atualmente, o panda-gigante está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como vulnerável.

Saiba também: O que são animais herbívoros?

  • Urso-polar (Ursus maritimus

O urso-polar habita as regiões geladas do Círculo Polar Ártico, e, em sua gestação, a fêmea pode dar origem a dois filhotes

O urso-polar habita o Círculo Polar Ártico, como no Alasca, sendo encontrado, principalmente, nas regiões cobertas de gelo ligadas à plataforma continental. O urso-polar pode medir cerca de 2,5 m e pesar até cerca de 800 kg, tendo sido reportado caso de indivíduo pesando uma tonelada.

Adaptado a viver em ambiente marinho, é um ótimo nadador e seu pelo é oleoso. Como vive em locais de temperaturas extremamente baixas, seus longos pelos e uma camada espessa de gordura atuam como isolante térmicos. Diferentemente dos demais ursos, ele é o único estritamente carnívoro, alimentando-se principalmente de focas.

Sua gestação pode durar até 265 dias, e as fêmeas dão origem, geralmente, a dois filhotes, no entanto, a taxa de mortalidade é alta no primeiro ano de vida. Atualmente, o urso-polar está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como vulnerável.

Veja também: Habitat e nicho ecológico: importantes conceitos da ecologia

  • Urso-pardo (Ursus arctos)

O urso-pardo é uma das maiores espécies de ursos, podendo medir 3 m, e apresenta ampla distribuição.

O urso-pardo apresenta grande distribuição, habitando desde regiões do Ártico a regiões de florestas tropicais temperadas. Essa espécie pode medir cerca de 3 m e pesar entre 90 kg e 800 kg. Ele apresenta uma alimentação diversificada de acordo com a região onde vive, podendo alimentar-se de gramínias, raízes, salmão, mamíferos de pequeno e médio porte, entre outros.

A idade em que atingem a maturidade sexual e o tempo entre uma gestação e outra variam entre os ursos que habitam diferentes regiões. A fêmea geralmente produz ninhadas com até três filhotes por gestação. Atualmente, o urso-pardo está classificado, segundo a Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da União Internacional Para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), como pouco preocupante.

sábado, dezembro 20, 2025

Inquilinas de baleias, cracas dão pistas sobre caminho da água nas jubarte

Pesquisa inédita une 24 anos de registros para entender o padrão de fixação dos crustáceos no corpo das baleias-jubarte, que se alimentam ao filtrar água

Publicado: 16/12/2025 às 8:00     Atualizado: 18/12/2025 às 13:54
Texto: Theo Schwan* Arte: Daniela Gonçalves**
       As cracas Coronula diadema são epibiontes de baleias-jubarte – Foto: Wikimedia Commons

As baleias-jubarte não viajam sozinhas. Ao longo de suas rotas 

migratórias, carregam um passageiro. Seus inquilinos, crustáceos 

conhecidos como cracas, se fixam nesses animais como ostras o

 fazem em rochedos.

Um estudo realizado no Instituto de Biociências (IB) da USP relaciona o tamanho, a forma e a posição das cracas no corpo das baleias com o fluxo de água que passa pelos cetáceos. Pesquisadoras descobriram que os crustáceos da espécie Coronula diadema são diversos ao longo do corpo de um mesmo animal.

Teresa de Filippo – Foto: LinkedIn

“Cracas mudam de forma a depender de onde elas estão na baleia,” afirma Teresa de Filippo, pesquisadora que primeiro assina o estudo. As autoras apontam que as pressões da circulação da água podem moldar a morfologia dos epibiontes — animais que se fixam em outros animais. Quanto maior a turbulência, menor a craca. 

Os resultados foram publicados na revista científica Evolutionary Ecology como produto da iniciação científica de Filippo.

        Os crustáceos vivem sobre o corpo das baleias – Foto: Wikimedia Commons

A parte que habitam

“Uma de nossas primeiras hipóteses era que o comportamento das baleias mudaria o formato da craca”, conta Teresa de Filippo. Isso indicaria que a agressividade dos machos durante o período reprodutivo definiria o formato e a robustez dos crustáceos associados — pelo menos, dos que permanecessem fixados.

“Mas isso não aconteceu”, continuou. As análises conduzidas pela equipe não mostram diferenças significativas entre as cracas de cetáceos machos e fêmeas. “Talvez o comportamento não seja tão diferente assim”, sugere Teresa.

As cracas estudadas foram coletadas entre 2000 e 2024 em baleias-jubarte encalhadas entre o sul da Bahia e o Rio Grande do Sul. As pesquisadoras fizeram medições morfométricas para as 136 amostras. Cada crustáceo foi fotografado e teve sua geometria analisada, o que possibilitou a comparação de diferenças de forma e tamanho entre os indivíduos.Cracas

                  Cracas são animais sésseis, ou seja, fixos, e hermafroditas – Foto: Wikimedia Commons 

Os resultados mostram um padrão claro: cracas fixadas na região genital, próxima ao pedúnculo caudal, são menores, mais grossas e com base mais larga. O artigo sugere que a turbulência gerada pela cauda pode estar associada ao tamanho reduzido e ao aumento da robustez dos crustáceos — o movimento da natação, mais intenso na parte posterior da baleia, promoveria o desenvolvimento de crustáceos mais resistentes. 

                                          Tammy Arai – Foto: LinkedIn

Já aquelas fixadas nas mandíbulas, nas nadadeiras peitorais e no ventre tendem a ser maiores e mais alongadas. Nessas regiões, as cracas são beneficiadas por um fluxo de água mais suave e eficiente no transporte de nutrientes, o que possibilita um desenvolvimento maior.

“É um resultado muito interessante”, afirma Tammy Arai, orientadora de Teresa. Ela destaca que a descoberta da variabilidade das cracas dentro de um mesmo indivíduo “é um fato inédito”. Até agora, se imaginava que as disparidades seriam maiores entre indivíduos diferentes.

Tammy Arai afirma que o artigo é pioneiro ao sugerir mais um componente no estudo dos epibiontes de animais marinhos. “Não existe nenhum outro estudo que tenha medido o quanto a hidrodinâmica afeta as cracas de baleias e golfinhos.”

As pesquisadoras apontam que as cracas são hermafroditas — possuem órgãos sexuais masculinos e femininos. Portanto, não há dimorfismo sexual: todas as cracas são, a princípio, semelhantes. Fatores ambientais, como alimentação e hidrodinâmica, moldam cada indivíduo.

Baleias-jubarte se alimentam ao filtrar a água – Foto: Wikimedia Commons

Fora da caixa

“Precisamos de estudos para entender melhor como as cracas conseguem se adaptar às baleias”, afirma Teresa de Filippo. Para isso, ela vê na integração de áreas dentro da biologia uma solução.

“Os animais crescem na interseção. Eles não crescem na caixinha”, afirma a bióloga. Não se pode bater martelo nas causas pelas quais as cracas se desenvolvem de formas diferentes ainda. Para isso, são necessários estudos que contemplem diferentes áreas. “Por que isso está acontecendo? Por causa da genética? Por não receberem comida direito? Tem a ver com a hidrodinâmica?”, questiona.

As cracas mudam de características a depender da sua posição no corpo da jubarte –          

Foto: Wikimedia Commons                        

O artigo Phenotypic plasticity in shell morphometrics of the barnacle Coronula diadema (Linnaeus, 1767) reflects cetacean hydrodynamics está disponível neste link.

Mais informações: tedefilippo@usp.br ou tefilippo11@gmail.com, com Teresa de Filippo, e iwasa-arai@usp.br, com Tammy Arai.

*Estagiário com orientação de Fabiana Mariz

*Estagiária sob orientação de Moisés Dorado

sexta-feira, dezembro 12, 2025

 Ariranha: conheça a maior lontra do mundo que habita o Pantanal

A ariranha é um animal que gera grande curiosidade, devido às suas características físicas peculiares. É um grande predador dos rios sul-americanos e é conhecida como onça dos rios. Vamos conhecer mais sobre esta espécie que pode ser avistada nos rios do Pantanal!

Onde a ariranha habita?

As ariranhas ocorrem apenas na América do Sul e provavelmente a espécie está extinta na Argentina e no Uruguai. O Brasil é o país com maior área de distribuição da espécie, ocorrendo na Amazônia, no Pantanal, no Cerrado e na Mata Atlântica.

Características da ariranha

Pertencente à subfamília Lutrinae, conhecidos como mustelídeos, é a maior dentre as 13 espécies de lontras existentes. Seu nome científico é Pteronura brasiliensis. “Ptero” significa “asa”, enquanto “nura” significa “cauda”. Este nome é devido ao formato achatado de sua cauda, que lembra uma asa ou um remo. A espécie foi identificada no Brasil e, por isso, carrega o “brasiliensis” em seu nome científico.

As ariranhas são grandes predadores e alimentam-se principalmente de peixes, podendo também consumir caranguejos, sapos, cobras, lagartos, jacarés e outros vertebrados. Um único indivíduo consome até 3 kg de peixe por dia (em torno de 10% de seu peso). Indivíduos da espécie chegam a quase 2 metros de comprimento e pesam entre 22 e 35 kg.

Os indivíduos diferenciam-se por conta das manchas brancas que possuem no pescoço, sendo únicas para cada indivíduo. Possuem membranas entre os dedos que facilitam a locomoção na água.

           A base da alimentação das ariranhas é peixe – Foto: Gustavo Figueirôa

Qual o comportamento das ariranhas?

As ariranhas vivem em grupos de até 20 indivíduos, sendo um casal e vários jovens e filhotes. São encontradas em rios de pouca correnteza e lagos, e constroem suas tocas sob raízes ou árvores caídas às margens dos rios. Estas construções também são conhecidas como “locas”.

São animais diurnos e utilizam as locas para descanso durante a noite. São excelentes nadadoras e podem se deslocar por longas distâncias também por terra, mesmo aparentando serem um pouco desajeitadas.

As ariranhas usam uma área de vida entre 12 e 32 km de rios e são bastante territorialistas, todos fazem a defesa do território. Grupos distintos se evitam, e há registros no Pantanal de encontros de grupos com onças-pintadas. Apesar de fazerem parte da dieta da onça, as ariranhas, em bando, conseguem muitas vezes espantar o grande felino com vocalizações de alarme e comportamentos agressivos.

Ariranhas costumam utilizar latrina, que é um banheiro coletivo, também com função de demarcação de território com seu cheiro característico.da alimentação das ariranhas é peixe – Foto: Gustavo Figueirôa


                 Ariranhas vivem em grupos – Foto: Gustavo Figueirôa

Reprodução

A gestação de uma ariranha é de 55 a 70 dias, gerando até três filhotes por reprodução. Os filhotes mamam até, aproximadamente, 9 meses, e permanecem com os pais até o nascimento da próxima ninhada. Os jovens nascem entre agosto e outubro, geralmente, e atingem maturidade sexual aos dois anos de idade.

Conservação e ameaças à ariranha

As ariranhas estão ameaçadas principalmente pela destruição de hábitats, contaminação das águas por agrotóxicos e metais pesados, principalmente do garimpo, além do conflito entre pescadores, que também a caçavam por conta do mercado de peles.

Atualmente a espécie encontra-se “em perigo” de extinção, segundo a classificação da IUCN, e está listada como “vulnerável” de acordo com a lista nacional do ICMBio. O Pantanal abriga as maiores concentrações populacionais de ariranhas respectivamente a seu tamanho.

Quer saber mais sobre a espécie e somar esforços à sua conservação? Conheça o Projeto Ariranhas, que atua desde 2019 com foco na conservação destes seres emblemáticos.

Fontes:

https://oncafari.org/especie_fauna/ariranha/

https://projetoariranhas.org/

terça-feira, dezembro 02, 2025

O menor felino da América pesa só 3 kg e domina florestas inteiras sem ser visto

Espécie pequena e selvagem vive em áreas densas e enfrenta ameaças crescentes no Chile e na Argentina


Leia mais em: https://www.diariodolitoral.com.br/diario-mais/o-menor-felino-da-america-pesa-so-3-kg-e-domina-florestas-inteiras-sem/207326/

Apesar do porte diminuto, o kodkod apresenta um conjunto de características marcantes / Wikimedia Commons/Mauro Tammone

O menor felino selvagem de todo o continente americano vive escondido entre árvores fechadas, galhos baixos e sombras que quase nunca deixam espaço para a luz. O kodkod, conhecido na ciência como Leopardus guigna, é discreto por natureza e pesa no máximo 3 quilos, mas mantém estratégias de sobrevivência que chamam a atenção de pesquisadores pela eficiência e pela capacidade de adaptação.

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Originário de áreas florestais do Chile e de uma pequena porção da Argentina, o animal circula em territórios cada vez mais fragmentados pela presença humana, o que torna sua observação – e sua conservação – ainda mais delicadas. 

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Mesmo assim, segue caçando, vocalizando e se movendo de forma quase invisível entre as matas temperadas da região.

Características físicas e particularidades raras

Apesar do porte diminuto, o kodkod apresenta um conjunto de características marcantes. Suas pernas curtas garantem agilidade em terrenos irregulares, enquanto a pelagem exibe tons acastanhados com ventre claro e cauda curta marcada por anéis escuros. 

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Há ainda indivíduos totalmente pretos, resultado de melanismo, fenômeno já registrado no habitat natural da espécie.

Pesquisadores registraram recentemente, pela primeira vez, as vocalizações do felino, revelando um repertório sonoro variado e pouco conhecido. O estudo ampliou o entendimento sobre sua comunicação e sobre como o animal se relaciona com o ambiente ao redor. Veja o kodkod em seu habitat no vídeo abaixo:

Habitat reduzido

A distribuição do Leopardus guigna é a menor entre todos os felinos das Américas. Além do Chile continental, a espécie ocupa a Ilha de Chiloé, onde encontra proteção nas florestas densas. 

Esse ambiente garante abrigo e a camuflagem necessária durante a caça, que ocorre quase sempre à noite. Roedores formam a base da alimentação, complementada por aves, répteis e, ocasionalmente, carcaças encontradas no caminho.

Embora classificado como espécie de menor preocupação pela União Internacional para Conservação da Natureza, o kodkod enfrenta riscos cada vez mais evidentes. 

A perda de habitat causada por queimadas e avanço humano, conflitos com criadores de aves domésticas e atropelamentos em estradas estreitas tornam sua sobrevivência incerta. Ataques de cães domésticos também ameaçam populações isoladas.

Ainda assim, o felino demonstra capacidade de adaptação desde que haja vegetação suficiente para se esconder. 

Pequeno no tamanho, mas imponente em suas estratégias, o kodkod permanece como uma das espécies mais singulares da fauna sul-americana – e uma das mais discretas.