quarta-feira, abril 01, 2026

 Descoberta no fundo do mar faz cientistas emitirem alerta após encontrarem provas

Por Caio Bezerra 23/02/2026

Ilustração de ambiente subaquático com luz atravessando a água. Reprodução / Freepik

O fundo do oceano sempre foi visto como um território distante, quase intocado. Mas o que acontece lá embaixo pode ter consequências diretas para o planeta inteiro. Uma nova investigação científica trouxe dados concretos que mudaram o tom da conversa sobre exploraçã

Após analisarem sinais deixados por uma operação industrial em águas profundas, pesquisadores afirmam que os impactos são reais, mensuráveis e podem durar muito mais tempo do que se imaginava. O alerta não é baseado em hipótese, mas em números coletados no próprio local.

O que os cientistas encontraram no fundo do Pacífico

A descoberta ocorreu na chamada Zona Clarion-Clipperton, no Oceano Pacífico, entre o México e o Havaí. Ali, a cerca de 4.300 metros de profundidade, foi realizado um teste industrial para coletar nódulos polimetálicos. Essas formações rochosas contêm metais como níquel, cobalto e manganês, usados na produção de baterias e tecnologias ligadas à transição energética.

Durante o teste, uma máquina do tamanho de um caminhão percorreu o leito marinho sugando os nódulos do sedimento. Em poucas horas de operação, aproximadamente 3.300 toneladas de material foram retiradas.

A pesquisa, conduzida por um grupo internacional liderado por especialistas do Museu de História Natural de Londres, acompanhou a área por cinco anos. O objetivo era entender o que mudou antes e depois da atividade.

Os resultados chamaram atenção:

• a diversidade de espécies caiu cerca de 32% nas trilhas deixadas pela máquina
• a quantidade total de organismos também diminuiu
• a nuvem de sedimentos levantada alterou o equilíbrio das espécies até fora da área diretamente atingida

Nos laboratórios, os cientistas identificaram mais de 4.300 organismos, distribuídos em 788 espécies. Entre eles estavam vermes, pequenos crustáceos, moluscos e até um coral solitário que vivia preso aos nódulos e foi descrito como uma nova espécie para a ciência.

A camada superficial do fundo marinho, justamente a que foi revolvida pela máquina, é onde vive grande parte dessa vida microscópica e de pequenos animais. Ao remover os nódulos, não se retira apenas minério. Remove-se também o suporte físico onde muitos organismos se fixam e se desenvolvem.

Por que a descoberta levou ao alerta global

O ponto que mais preocupa os pesquisadores é a durabilidade do impacto. Estudos anteriores já mostravam que marcas deixadas por testes semelhantes continuavam visíveis décadas depois. Mesmo quando alguns animais retornam, a composição da comunidade não volta a ser a mesma.

Outro fator relevante é que os nódulos polimetálicos crescem em ritmo extremamente lento, apenas alguns milímetros ao longo de milhões de anos. Isso significa que, na escala humana, eles são considerados recursos não renováveis.

Além disso, o fundo abissal pode ser mais diverso do que os mapas atuais indicam. Muitas espécies aparecem em padrões irregulares, distribuídas em pequenas áreas. Quando uma região é perturbada, pode-se perder organismos que ainda nem foram totalmente estudados.

O alerta surge em um momento decisivo. A Autoridade Internacional dos Fundos Marinhos, ligada à Organização das Nações Unidas, discute regras que podem permitir ou restringir a mineração comercial em águas internacionais. Entre os temas em debate estão:

• exigência de estudos ambientais mais rigorosos
• limites máximos de perda de biodiversidade
• monitoramento da recuperação das áreas exploradas

Parte da comunidade científica defende uma moratória, ou seja, uma pausa global na mineração em alto-mar até que haja dados suficientes para garantir que os danos não sejam irreversíveis.

Ao mesmo tempo, empresas e governos enxergam nesses metais uma peça estratégica para a economia de baixo carbono. O desafio agora é equilibrar a demanda por recursos com a preservação de ecossistemas que ainda são pouco conhecidos.

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Caio Bezerra

Jornalista e gestor de marketing pela UniCesumar, com pós-graduação em Comunicação e Marketing em Mídias Digitais e em Jornalismo e Narrativas Digitais pela ESPM. Atua há mais de seis anos como produtor e editor de conteúdo para o digital.